O Espírito Santo pode assumir protagonismo nacional na agenda de descarbonização industrial. Lançado oficialmente neste mês durante o Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia, o programa ES Carbono Neutro — desenvolvido em parceria entre a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a Petrobras e o Governo do Estado — quer transformar o território capixaba em um hub estratégico de captura e armazenamento de carbono (CCS).
A iniciativa tem como objetivo criar um ambiente de negócios propício à implementação de projetos de CCS, atraindo empresas, investimentos e tecnologia para consolidar uma nova cadeia produtiva sustentável. O programa é fruto do acordo de cooperação firmado em agosto de 2024 entre as três instituições, marcando o início de uma transformação estrutural voltada para a economia de baixo carbono.
O que é CCS?
A sigla se refere a Carbon Capture and Storage — ou Captura e Armazenamento de Carbono. Trata-se de uma tecnologia que consiste em capturar o dióxido de carbono (CO₂) gerado por atividades industriais e transportá-lo, por meio de dutos ou outros modais, para áreas geológicas subterrâneas seguras. O processo impede que o gás seja lançado na atmosfera, contribuindo diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
“O programa é mais uma demonstração do protagonismo da indústria capixaba na agenda da sustentabilidade. Essa nova cadeia produtiva pode gerar inovação, atrair investimentos e posicionar o Estado como referência ambiental no país”, destaca o presidente da Findes, Paulo Baraona.
Seis frentes para transformar o ES em modelo nacional
O ES Carbono Neutro nasce com seis eixos estratégicos para impulsionar o desenvolvimento da tecnologia no Estado:
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Inovação e fomento: Investimento em pesquisa e desenvolvimento de soluções em CCS;
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Incentivos fiscais e regulatórios: Criação de arcabouço legal nos âmbitos federal, estadual e municipal;
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Qualificação técnica: Formação de profissionais para operar e regulamentar os projetos;
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Mercado de carbono: Fomento ao mercado voluntário e adaptação às normas nacionais;
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Infraestrutura e investimentos: Ampliação da logística e atração de investidores para implantação de projetos;
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Monitoramento de projetos: Acompanhamento técnico de iniciativas em andamento e apoio a novos empreendimentos.
Para a secretária executiva do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia, Rúbya Salomão, pensar na viabilidade de projetos como o CCS envolve desde o licenciamento ambiental até a qualificação técnica. “Estamos criando as condições para que o Espírito Santo lidere essa nova fronteira da indústria brasileira”, disse.
Vantagens competitivas do Espírito Santo
Com uma rede consolidada de gasodutos que conecta o Espírito Santo a importantes regiões como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, o Estado já possui a infraestrutura necessária para adaptação ao transporte de CO₂. Além disso, políticas públicas voltadas à inovação e sustentabilidade tornam o território ainda mais atrativo para esse tipo de tecnologia.
Segundo Rúbya Salomão, esse diferencial logístico coloca o Espírito Santo à frente de outros estados brasileiros: “Temos as condições ideais para liderar essa agenda ambiental e, ao mesmo tempo, impulsionar a economia local com soluções que respeitam o meio ambiente e geram desenvolvimento”.
Próximos passos
Até dezembro de 2027, o ES Carbono Neutro
