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Domingo, 10 de Maio 2026

Saúde

Falar mais de um idioma pode retardar o envelhecimento cerebral, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista Nature Aging analisou dados de 86 mil pessoas e sugere que o multilinguismo reduz o risco de envelhecimento acelerado do corpo e do cérebro

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Falar mais de um idioma pode retardar o envelhecimento cerebral, aponta estudo
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Um estudo publicado nesta segunda-feira (10) na revista Nature Aging sugere que falar mais de um idioma pode proteger o cérebro contra o envelhecimento precoce. A pesquisa analisou dados de 86 mil adultos, com idades entre 51 e 90 anos, de 27 países europeus, e identificou que o multilinguismo está associado a uma menor diferença entre a idade cronológica e a chamada “idade biocomportamental” — medida que combina aspectos físicos e cognitivos, como memória, doenças crônicas e capacidade funcional.

Menor risco de envelhecimento acelerado

Segundo os pesquisadores, indivíduos que falam dois ou mais idiomas têm quase metade do risco de envelhecer de forma acelerada em comparação aos monolíngues. A hipótese é que o uso constante de diferentes sistemas linguísticos funcione como um “exercício mental” permanente, estimulando as redes neurais e mantendo a mente mais ativa e resiliente ao longo da vida.

Os resultados permaneceram consistentes mesmo após o controle de variáveis como escolaridade, poluição, nível socioeconômico e contexto social. “O uso de múltiplas línguas parece criar uma reserva cognitiva — um tipo de escudo contra o desgaste natural do envelhecimento cerebral”, explica o artigo.

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Treino mental contínuo

Estudos anteriores já haviam mostrado que o bilinguismo melhora funções cognitivas como atenção, memória e tomada de decisão. O esforço cerebral para alternar entre idiomas exige controle cognitivo intenso: o cérebro precisa inibir um idioma enquanto ativa outro. Essa prática estimula a plasticidade neural, ou seja, a capacidade de o cérebro se adaptar e formar novas conexões ao longo do tempo.

De acordo com especialistas, esse processo pode atrasar em até cinco anos o aparecimento de sintomas de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. “Ser bilíngue é um treino diário de flexibilidade mental. É como fazer academia para o cérebro”, diz a neurologista e pesquisadora Sílvia Melo, que estuda o tema há mais de uma década.

Envelhecimento saudável e estilo de vida

Os autores do estudo ressaltam, porém, que a pesquisa não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda não está comprovado se falar várias línguas realmente retarda o envelhecimento ou se pessoas com cérebros mais saudáveis têm maior facilidade para aprender novos idiomas.

Mesmo assim, o trabalho reforça a importância do aprendizado contínuo. “O bilinguismo pode ser parte de um estilo de vida cognitivamente ativo, assim como praticar exercícios físicos ou manter interações sociais regulares”, observam os autores.

O cérebro bilíngue e a prevenção da demência

Pesquisas complementares, conduzidas por universidades como a de Edimburgo e a Concórdia (Canadá), mostram que pessoas bilíngues tendem a apresentar sintomas de demência até cinco anos mais tarde do que as monolíngues. Os exames de imagem indicam que o hipocampo — área responsável pela memória — costuma ser mais preservado entre os falantes de dois ou mais idiomas.

Esses achados fortalecem a ideia de que o aprendizado de línguas pode funcionar como uma estratégia acessível e eficaz para promover o envelhecimento saudável e retardar o declínio cognitivo.

🧠 O que o estudo indica

  • Falar dois ou mais idiomas está ligado a menor risco de envelhecimento acelerado;

  • O multilinguismo fortalece memória, atenção e flexibilidade cognitiva;

  • Pode atrasar sintomas de demência e Alzheimer em até 5 anos;

  • Os efeitos positivos independem da idade em que o segundo idioma é aprendido;

  • O bilinguismo atua como “exercício mental” e estimula a plasticidade cerebral.

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