BELO HORIZONTE (MG) — O teatro produzido nas escolas e universidades brasileiras vai ocupar quatro espaços culturais de Belo Horizonte entre 27 de outubro e 1º de novembro. Em sua 23ª edição, o Festival Estudantil de Teatro (FETO) reunirá dez espetáculos de seis estados, além de oficinas e rodas de conversa que aproximam estudantes, artistas, professores e público.
Com o tema “Gostoso é estar em bando!”, o festival marca o retorno ao formato presencial após um intervalo de quatro anos e duas edições realizadas em formatos virtuais ou híbridos. A programação terá trabalhos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Goiás.
Os ingressos para os espetáculos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). As oficinas e rodas de conversa serão gratuitas. Segundo a organização, todas as sessões teatrais contarão com interpretação em Libras.
Dez espetáculos e diferentes maneiras de contar histórias
A abertura acontece na terça-feira (27), às 19h, no Galpão Cine Horto, com “Há uma festa sem começo que não termina com o fim”, do grupo Pavilhão da Magnólia, de Fortaleza (CE).
Com 21 anos de trajetória, o grupo apresenta uma montagem que combina teatro documental e palestra-performance. Em cena, quatro intérpretes abordam questões como ancestralidade, gênero, racismo, democracia e criação artística.
A direção e dramaturgia são de Francis Wilker, com codireção e dramaturgismo de Thereza Rocha.
Nos dias seguintes, o público encontrará produções que transitam entre clássicos da dramaturgia, experiências pessoais e questões contemporâneas.
Entre os destaques está “Ganga”, do Coletivo ATERRA, de São Paulo, que utiliza teatro documental, música e dramaturgia autoral para discutir mineração, memória e racismo estrutural, a partir de pesquisas relacionadas a Mariana e Brumadinho.
Também de São Paulo, “Grão” acompanha experiências de jovens de um assentamento e aborda a relação entre juventude rural, território e luta pela terra.
O Rio de Janeiro participa com “Cabaré Cibernético”, que explora as relações entre redes sociais e vida cotidiana, e “Sankofa – Um Menino Brasileiro”, espetáculo que reúne música, dança e referências a manifestações culturais como capoeira, congada e Bumba Meu Boi.
Da Bahia, “Só + Duas Histórias Latino-americanas e Fim” revisita textos de Augusto Boal para discutir censura, desigualdade e relações de poder.
Já “O que cabe no caderno? AdoleSER”, de Goiás, utiliza a dança para abordar conflitos familiares, cobranças e inseguranças da adolescência.
Clássicos e questões sociais também estão na programação
Minas Gerais será representada por montagens que tratam de identidade, religião e relações sociais.
Uma delas é “O Pagador de Promessas”, adaptação do texto de Dias Gomes. A história acompanha Zé do Burro, homem que enfrenta a intolerância religiosa ao tentar cumprir uma promessa feita pela recuperação de seu animal.
A peça “Receita” aborda a violência doméstica e as desigualdades de gênero, relacionando esses conflitos às condições sociais e às dificuldades de deslocamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A programação associada inclui ainda “O Pequeno Príncipe Negro”, inspirado na obra de Rodrigo França. A montagem do Núcleo de Formação em Teatro do Sesc Cenário trabalha temas como identidade, ancestralidade e afetividade da cultura negra.
Festival recebeu 115 propostas de 14 estados
A seleção da 23ª edição recebeu 115 propostas de 14 estados brasileiros, segundo a organização.
Os trabalhos foram avaliados por uma curadoria formada por Charles Valadares, Brenda Campos e Gláucia Vandeveld.
A seleção buscou contemplar diferentes experiências de formação, linguagens teatrais e perspectivas sobre a realidade brasileira.
Para Charles Valadares, o tema escolhido para esta edição representa a possibilidade de reunir pessoas com trajetórias distintas.
“O tema Gostoso é estar em bando não parte da ideia de um grupo homogêneo, mas de um espaço onde diferentes pessoas, trajetórias, territórios e maneiras de fazer teatro possam conviver”, explica.
O FETO possui duas categorias principais. Teatro na Escola contempla produções desenvolvidas por estudantes que não estão matriculados em cursos de artes cênicas. Escola de Teatro reúne trabalhos de alunos de cursos técnicos e superiores da área.
Diferentemente de festivais competitivos, o evento não distribui premiações. O objetivo é proporcionar experiências de formação, intercâmbio e reflexão sobre a produção teatral estudantil.
Oficinas gratuitas e conversas com artistas
Além das apresentações, o festival oferecerá duas oficinas gratuitas.
A primeira, “Gestão Colaborativa nas Artes da Cena”, será ministrada pela gestora cultural Lena Cunha e destinada a estudantes e profissionais do setor.
A segunda, “Interpretação para Cinema e TV para Crianças e Adolescentes”, terá condução do diretor de teatro e cinema Byron O’Neill, um dos idealizadores do FETO.
Outra atividade será o Olhares, espaço de conversa sobre os espetáculos apresentados. Nas produções da categoria Escola de Teatro, os encontros serão abertos ao público. Já as discussões relacionadas à categoria Teatro na Escola serão restritas aos participantes, por envolverem estudantes da educação básica.
O tradicional CaFETO também retorna, desta vez com o tema “Criar em bando”. O encontro reunirá os artistas evandro nunes, Lira Ribas e Kelly Crifer para conversar sobre processos criativos coletivos.
Durante o festival, o público também poderá acompanhar críticas e resenhas dos espetáculos, produzidas pelo pesquisador Igui Leal e pela atriz Bramma Bremmer.
Uma história que começou em 1999
Criado em Belo Horizonte, em 1999, o FETO consolidou uma trajetória dedicada à formação teatral e à circulação de trabalhos desenvolvidos por estudantes.
Ao longo das edições, o encontro reuniu grupos de escolas, universidades e cursos de formação artística de diferentes regiões do país.
Para a coordenadora geral Bruna Bof, a retomada presencial permitirá conhecer de perto as questões que mobilizam uma nova geração de estudantes.
“Cada edição é atravessada por novos estudantes, de diferentes territórios, vivências e formas de fazer e pensar o teatro. Estar novamente olho no olho nos permite reconhecer essas diferenças, criar vínculos e ampliar as trocas”, afirma.
O festival é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Gasmig, apoio cultural da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, além do Galpão Cine Horto e da Funarte MG. A realização é da Associação Campo das Vertentes e do Ministério da Cultura.
O que você precisa saber
Evento: 23º Festival Estudantil de Teatro (FETO)
Data: 27 de outubro a 1º de novembro de 2026
Cidade: Belo Horizonte (MG)
Programação: dez espetáculos de seis estados, duas oficinas, rodas de conversa e atividades formativas
Locais:
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Galpão Cine Horto — Rua Pitangui, 3.613, Horto
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Teatro Marília — Avenida Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia
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Funarte MG — Rua Januária, 68, Centro
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Sesc Palladium — Avenida Augusto de Lima, 420, Centro
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), pela plataforma Sympla ou nas bilheterias dos teatros
Oficinas e rodas de conversa: gratuitas
Acessibilidade: sessões teatrais com interpretação em Libras
Programação completa:
fetobh.com.br
Instagram: @fetoteatro

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