O Espírito Santo, maior produtor de café conilon do Brasil, já sente os efeitos da instabilidade internacional provocada pela guerra no Irã e pela decisão da China de restringir a exportação de fertilizantes fosfatados. O conflito no Oriente Médio afeta o fornecimento de gás natural, principal insumo para produção de adubos, e levanta riscos logísticos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, a China limita exportações para garantir abastecimento interno, encarecendo e apertando o mercado global.
No Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes, a combinação desses fatores pressiona diretamente o custo de produção de culturas como café, soja, milho e cana. No Espírito Santo, Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café, alerta que, embora a safra atual não sofra impactos imediatos, o próximo ciclo agrícola (2027) pode enfrentar escassez de insumos, aumento de preços e atrasos na entrega, comprometendo produtividade.
“O efeito mais forte será olhando para 2027. O produtor precisa comprar adubo em 2026 para colher depois. É aí que a preocupação aumenta”, explica Marcus. Ele reforça que, se houver redução na adubação, a produtividade da lavoura despenca, refletindo na cadeia e no preço final do café para o consumidor.
Diante do cenário, especialistas orientam cautela e planejamento: manter estoques estratégicos de curto prazo, antecipar compras de fertilizantes e negociar com fornecedores são medidas para reduzir riscos e proteger a produção.
O alerta do setor reforça a vulnerabilidade do agronegócio capixaba frente a crises internacionais e evidencia a importância de estratégias que preservem a segurança alimentar e econômica da região.
📌 POS BOX — COMO PRODUTORES PODEM SE PROTEGER
Antecipar compras de fertilizantes e insumos essenciais
Manter estoques de curto prazo de diesel e produtos críticos
Negociar preços e prazos com fornecedores
Planejar estratégias de adubação para minimizar impactos de escassez
Monitorar mercados internacionais e projeções de safra

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