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Quarta-feira, 26 de Agosto 2026
Ciência & Tecnologia

Hubble aos 35 anos: legado, incertezas e o futuro de um gigante da astronomia

Telescópio revolucionou a ciência espacial e segue ativo mesmo diante de cortes e desafios técnicos

Cláudio Pazetto
Por Cláudio Pazetto
Hubble aos 35 anos: legado, incertezas e o futuro de um gigante da astronomia
Composição de imagem da galáxia M87, na direção da constelação da Virgem, vista nos dois hemisférios da Terra. A imagem é uma composição de fotografias — Foto: X-ray (NASA/CXC/KIPAC/N. Werner, E. Million et al); Radio (NRAO/AUI/NSF/F. Owen)
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Lá se vão 35 anos desde que o Telescópio Espacial Hubble foi colocado em órbita. Em 24 de abril de 1990, o equipamento desenvolvido pela NASA foi lançado a bordo do ônibus espacial Discovery, mudando para sempre a forma como a humanidade observa o universo. De lá para cá, o Hubble foi responsável por registros históricos, descobertas surpreendentes e avanços que reformularam a astrofísica moderna.

Apesar das três décadas de serviço e das especulações sobre sua "aposentadoria", o telescópio segue em funcionamento. No entanto, os desafios são cada vez maiores: giroscópios envelhecidos, risco de reentrada na atmosfera terrestre e cortes de orçamento pesam sobre o futuro da missão.

Telescópio Hubble fotografado por uma das janelas do Atlantis em 2009 -  Foto: Nasa

 

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Entre reparos e resistência: uma história de manutenção e superação

Ao longo de sua trajetória, o Hubble precisou de cinco missões de manutenção realizadas por astronautas da NASA. Problemas como a aberração esférica no espelho primário, falhas em giroscópios e sensores ultravioleta exigiram ajustes técnicos e substituições de componentes. Em 2024, cientistas atualizaram o sistema para que ele funcione com apenas um giroscópio, otimizando sua longevidade.

Ainda assim, fatores como o arrasto atmosférico, que lentamente puxa o equipamento para uma órbita mais baixa, indicam que sua jornada pode se encerrar por volta de 2036, quando deve ser direcionado para uma reentrada controlada na atmosfera terrestre.

Imagem histórica mais relevante do telescópio foi a primeira Hubble Deep Field - Foto: Nasa

 

James Webb: concorrente ou aliado?

Longe de ser um substituto direto, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), lançado em 2021, é visto por especialistas como complementar ao Hubble. Enquanto o Hubble capta imagens no espectro da luz visível e ultravioleta, o Webb é especializado na luz infravermelha, permitindo observar estruturas frias e distantes do universo.

Segundo o cientista Kurt Retherford, "o Hubble é imbatível em capturar a luz visível e UV, enquanto o Webb observa em infravermelho com precisão térmica. Ambos trabalham juntos para expandir nossa compreensão do cosmos".

Galáxia do Sombreiro - Foto: Nasa

 

Cortes orçamentários e ameaças institucionais

Em janeiro de 2025, a NASA indicou reduções no orçamento anual do Hubble para US$ 87,8 milhões, cerca de 20% a menos que o previsto. A medida já vem sendo implementada com restrições em divulgação e operações não essenciais. Um documento do governo norte-americano ainda sugere cortes de até 50% em programas como astrofísica e ciência planetária.

Legado imensurável: das luas de Plutão à energia escura

O Hubble foi essencial para confirmar a existência de buracos negros supermassivos, registrar a primeira imagem da colisão de galáxias (como as Antennae) e mapear nebulosas com precisão inédita. Também contribuiu para a detecção das luas de Plutão, detalhou tempestades em Saturno e ajudou a comprovar que a expansão do universo está se acelerando, o que levou ao conceito de energia escura.

O marco de sua influência pode ser resumido na imagem captada em 1995: o Hubble Deep Field. Ao apontar para um ponto aparentemente vazio do espaço, o telescópio revelou mais de 3 mil galáxias, permitindo vislumbrar o universo quando ele tinha apenas 800 milhões de anos.

Foto: Nasa

 

Especificações impressionantes

Com 13,2 metros de comprimento e 12,2 toneladas, o Hubble é do tamanho de um ônibus. Opera com dois painéis solares, funciona no espectro visível, infravermelho e ultravioleta, e consegue detectar objetos 10 bilhões de vezes mais fracos que o limiar da visão humana. Seu espelho primário de 2,4 metros capta imagens com resolução angular de 0,05 segundos de arco — equivalente a ver uma moeda a 138 km de distância.

O telescópio espacial Hubble capta a luz visível e uma parte de ondas de luz ultravioleta e infravermelha - Foto: NASA

 

Um futuro incerto, mas com brilho até o fim

Com o olhar voltado para as estrelas e os pés firmados na ciência, o Hubble segue sendo um dos instrumentos mais relevantes da história da astronomia. Mesmo com incertezas sobre sua manutenção e financiamento, ele continua entregando dados valiosos e revelando ao mundo o esplendor do cosmos.

Seu fim pode estar próximo, mas seu legado está eternamente gravado nas imagens que nos ensinaram a ver o universo de forma mais profunda, ampla e humana.

 

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