A banda capixaba Limbo7 lançou “Relíquias do Ódio”, álbum que aprofunda a mistura entre música pesada, funk e rap desenvolvida pelo grupo nos últimos anos. O trabalho também marca uma aproximação mais direta com o chamado Metal Mandrake, movimento que reúne artistas interessados em incorporar referências brasileiras ao metal e ao hardcore.
A conexão aparece tanto na sonoridade quanto nas colaborações. MC Taya participa de “Chora Agora Ri Depois”, enquanto LUV$ está em “Eu Tenho um Tesão do Krl em Ver Tu Se Fuder”, Uncle Wender em “De Copão em Copão” e Garoá acrescenta voz e trompete a “Zoonoses”.
Formada no Espírito Santo em 2020, a Limbo7 partiu inicialmente do hardcore e do metal e passou a incorporar outras referências à sua música, entre elas funk, rap, congo e elementos percussivos.
Em “Relíquias do Ódio”, essa combinação deixa de aparecer apenas como experimentação pontual e ganha maior peso na identidade do trabalho.
Metal Mandrake aproxima diferentes cenas
O Metal Mandrake é uma denominação utilizada por artistas de diferentes regiões do país para uma produção que aproxima metal e hardcore de funk, rap e outras manifestações da música brasileira.
Para a Limbo7, o movimento ajudou a dar uma identidade coletiva a experiências que o grupo afirma desenvolver há alguns anos.
Além de MC Taya, nomes como Isotopxs e Chainsaw Kid aparecem entre os artistas relacionados pela banda a essa cena.
O novo álbum explora contrastes entre agressividade, melancolia e deboche, mantendo o peso das guitarras enquanto abre espaço para elementos vindos de outros gêneros.
A produção musical ficou a cargo de Luan Albani, responsável também pela captação, mixagem e masterização.
Banda surgiu durante a pandemia
A Limbo7 foi formada em 2020, período em que as restrições provocadas pela pandemia interromperam boa parte da atividade presencial da música.
Os primeiros shows vieram em 2021, inicialmente no circuito independente capixaba. Nos anos seguintes, o grupo passou a participar de festivais e apresentações em outros estados.
Ao longo da trajetória, a Limbo7 dividiu programações com bandas como Black Pantera, Dead Fish, CPM 22, Matanza Ritual, Project46, Massacration, Glória e Torture Squad.
Uma das colaborações anteriores foi com Caio MacBeserra, do Project46, na faixa “Inflamado”, lançada no EP “Sangue, Suor e Assalto”.
Primeiro álbum chegou em 2023
Em abril de 2023, a banda lançou “Lotus”, primeiro álbum de estúdio, com 13 faixas.
O disco consolidou uma abordagem voltada a experiências do cotidiano e questões sociais, utilizando a combinação entre agressividade musical e temas ligados às vulnerabilidades humanas.
Segundo números divulgados pela própria banda, suas músicas já chegaram a ouvintes de mais de 70 países. O grupo informa ainda ter ultrapassado 150 mil reproduções e reunido cerca de 7.000 seguidores no Spotify.
Os dados ajudam a dimensionar o alcance digital conquistado por uma banda surgida na cena independente do Espírito Santo, embora não permitam, isoladamente, medir sua posição no mercado nacional.
Novo disco também muda formação
“Relíquias do Ódio” coincide com uma mudança nas funções dos integrantes.
Fagner Entringer, o Fagão, deixa o baixo para se concentrar nos vocais. Stefano Carvalho, o Telfo, assume o instrumento.
A formação atual tem ainda Pedro Bautz, o Baude, nos vocais e guitarra, e Arthur Flavio, o Aru, na bateria.
Na parte visual, Guilherme Carvalho assina a fotografia da capa, o ensaio da banda e registros de apresentações. Hecthor Murilo foi responsável pela gravação do videoclipe de “Cova Rasa”.
Com o novo trabalho, a Limbo7 aposta na aproximação entre linguagens que durante muito tempo ocuparam circuitos distintos da música brasileira e busca ampliar o espaço de uma produção pesada que incorpora referências culturais e sonoras do próprio país.

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