Cachoeiro de Itapemirim sediou, nesta quinta-feira (30), uma reunião da Frente Parlamentar dos Direitos das Pessoas com Transtornos Neurobiológicos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). O encontro, conduzido pelo deputado Allan Ferreira (Podemos), reuniu especialistas, educadores e representantes de famílias atípicas para discutir avanços e desafios da inclusão escolar no município.
Entre os temas centrais esteve o Decreto Presidencial 12.686/2025, que institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. A gestora municipal Simone Damasceno avaliou que parte das preocupações difundidas é exagerada, defendendo que o texto não ameaça o funcionamento de instituições como Apae e Pestalozzi. Ela destacou, porém, a necessidade de melhores condições de trabalho para professores, como tempo adequado para planejamento e ampliação do apoio de cuidadores.
“A família espera muito da escola, e o professor está sobrecarregado com salas cheias. Precisamos parar o barulho e avançar no que realmente precisa ser feito para garantir o direito da criança”, afirmou.
Representando o movimento das Apaes, a pedagoga Brunella Soares reforçou que as entidades não serão fechadas e ressaltou a trajetória capixaba na inclusão. Ela lembrou que o Espírito Santo foi o primeiro estado a credenciar as Apaes para atendimento educacional inclusivo e que o modelo local se diferencia de outros estados do país.
A psicopedagoga clínica Priscila Sossai enfatizou os desafios enfrentados por estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e cobrou investimentos em formação docente e protocolos escolares, defendendo ações práticas como salas sensoriais, flexibilização pedagógica e rotinas estruturadas.
Já a psicóloga Ingrid Taliuli destacou os obstáculos enfrentados por alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, apontando falta de preparo técnico e equipes reduzidas nas escolas. Ela reforçou que inclusão vai além da presença física do estudante: “Cada criança aprende de maneira diferente. É impossível um professor dar conta de 30 alunos e mais quatro autistas sem apoio especializado”.
O encontro marcou mais um passo no debate estadual sobre políticas públicas voltadas à neurodiversidade, reforçando a necessidade de cooperação entre famílias, escolas e órgãos públicos para fortalecer a inclusão escolar.
📦 O que você precisa saber
Onde foi: Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim
Quem promoveu: Frente Parlamentar dos Direitos das Pessoas com Transtornos Neurobiológicos (Ales)
Tema central: inclusão escolar e impactos do Decreto Federal 12.686/2025
Principais pontos debatidos:
educação inclusiva e papel das redes pública e filantrópica (Apae/Pestalozzi)
capacitação docente e condições de trabalho
estratégias pedagógicas para TEA e TDAH
necessidade de apoio especializado e recursos estruturados nas escolas
Presenças marcantes: educadores, psicólogos, representantes de famílias e entidades filantrópicas

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