Em menos de um mês de oferta no Sistema Único de Saúde (SUS), o Espírito Santo já aplicou 555 doses do anticorpo monoclonal Nirsevimabe, nova tecnologia utilizada na proteção de bebês contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — principal causa de bronquiolite e uma das maiores responsáveis por internações em crianças pequenas.
Os dados são do sistema Vacina e Confia, da Secretaria da Saúde (Sesa), atualizados até a última quarta-feira (04). A estratégia de imunização é direcionada a bebês prematuros e crianças de até 24 meses com comorbidades, considerados grupos de maior risco para complicações respiratórias.
O Nirsevimabe é indicado para bebês nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação, além de crianças com doenças como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunodeficiência, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias das vias aéreas.
Nova tecnologia com dose única
Diferentemente do Palivizumabe, anticorpo já utilizado anteriormente contra o VSR e que exige cinco doses mensais, o Nirsevimabe apresenta uma grande vantagem: é aplicado em apenas uma dose, ampliando a proteção e facilitando o acesso ao imunizante.
Segundo a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Danielle Grillo, a estratégia envolve um trabalho integrado entre o Governo do Estado e os municípios para localizar e imunizar o maior número possível de crianças.
“É um trabalho conjunto entre a Sesa, por meio do Programa Estadual de Imunizações e do Núcleo Especial de Atenção Primária, com os municípios, para alcançarmos o máximo de crianças possíveis e seguirmos avançando na proteção dos nossos bebês”, destacou.
A busca ativa é direcionada principalmente para bebês prematuros nascidos a partir de agosto de 2025 e com menos de seis meses de vida, além das crianças com comorbidades elegíveis para receber o imunizante.
Aplicação segue calendário específico
A estratégia de aplicação do Nirsevimabe segue períodos definidos conforme o perfil da criança.
Para bebês prematuros, a imunização ocorre durante todo o ano, preferencialmente ainda nas maternidades. Já para crianças com comorbidades, a aplicação é concentrada no período de maior circulação do vírus, entre fevereiro e agosto.
O imunizante é aplicado por via intramuscular, no músculo da coxa, seguindo protocolos rigorosos de segurança e registro das doses no sistema estadual.
Vírus preocupa autoridades de saúde
O Vírus Sincicial Respiratório é uma das principais causas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças pequenas.
No Espírito Santo, até a semana epidemiológica 05 de 2026, foram registrados cinco casos de SRAG por VSR, todos em crianças menores de quatro anos, sem registro de óbitos no período.
Já em 2025, o vírus foi responsável por 718 casos de SRAG no Estado, representando 18,9% das notificações. Desse total, 91,7% ocorreram em crianças de 0 a 4 anos, e oito dos 20 óbitos registrados foram nessa faixa etária.
🩺 O que você precisa saber
Novo imunizante: Nirsevimabe
Proteção: contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
Doses aplicadas no ES: 555 em menos de um mês
Público-alvo: bebês prematuros e crianças até 24 meses com comorbidades
Diferencial: dose única, ao contrário do Palivizumabe (cinco doses)
Período de aplicação: contínuo para prematuros e de fevereiro a agosto para crianças com comorbidades
Impacto do VSR em 2025: 718 casos de SRAG e 20 mortes no Espírito Santo

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