BELO HORIZONTE (MG) — Um encontro entre dois casais para resolver uma briga entre seus filhos é o ponto de partida de "O Deus da Carnificina", uma das obras mais conhecidas da dramaturga francesa Yasmina Reza. A peça chega a Belo Horizonte nos dias 8 e 9 de agosto, em nova montagem dirigida por Rodrigo Portella, integrando a programação comemorativa dos 15 anos do Sesc Palladium.
Com tradução de Eloisa Araújo Ribeiro, o espetáculo reúne Bianca Byington, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch no palco para dar vida a personagens que, à medida que a conversa avança, abandonam a cordialidade inicial e revelam conflitos, ressentimentos e contradições.
Publicada em 2006, a obra tornou-se referência do teatro contemporâneo ao transformar uma situação cotidiana em uma reflexão sobre comportamento, intolerância e as fragilidades das relações sociais.
Quando a civilidade dá lugar ao confronto
A trama se desenvolve em um único ambiente e acompanha a tentativa de dois casais de resolver, de maneira racional, um desentendimento entre seus filhos. O que parecia ser uma conversa equilibrada, porém, rapidamente se transforma em um confronto marcado por acusações, ironias e disputas de poder.
Ao longo da narrativa, a autora desmonta as convenções sociais e coloca em evidência sentimentos como vaidade, agressividade, hipocrisia e incapacidade de diálogo, conduzindo o público por uma sucessão de momentos que alternam humor e tensão.
Para o diretor Rodrigo Portella, a força do texto está justamente na forma como evidencia a fragilidade daquilo que convencionamos chamar de civilidade.
"É como se os pactos e convenções sociais estivessem sempre por um fio diante da nossa força primitiva, caótica e violenta", afirma.
Segundo o diretor, a proposta da montagem é revelar, gradualmente, o processo de desconstrução dos personagens, fazendo com que a própria encenação acompanhe essa perda de controle.
Texto permanece atual
Embora tenha sido escrita há duas décadas, a peça dialoga diretamente com questões contemporâneas. Polarização, intolerância e dificuldade de convivência são elementos que aproximam a narrativa da realidade atual.
Para a atriz Anna Sophia Folch, idealizadora do projeto, a obra mantém sua força justamente por retratar conflitos que permanecem presentes nas relações humanas.
"É um retrato incômodo do nosso tempo. O texto fala sobre a falência do diálogo e sobre a rapidez com que a convivência se transforma em disputa", observa.
Essa permanência ajuda a explicar por que a dramaturgia de Yasmina Reza continua sendo montada em diferentes países, mantendo a capacidade de provocar identificação imediata com o público.
Minimalismo a serviço da dramaturgia
A nova montagem aposta em uma cenografia enxuta, concentrando a atenção na interpretação dos atores e na construção dramática dos diálogos. Os figurinos seguem uma proposta realista, enquanto o cenário assume caráter mais simbólico, privilegiando o universo emocional dos personagens.
A opção estética acompanha a estrutura do texto, que se sustenta essencialmente na força da palavra e no embate entre os protagonistas, sem recorrer a grandes efeitos cênicos.
Retorno ao palco onde marcou história
A apresentação também possui um significado especial para o Sesc Palladium. Quinze anos depois de integrar a programação de inauguração do teatro, em 2011, "O Deus da Carnificina" retorna ao mesmo palco em uma nova montagem, agora com direção e elenco inéditos.
O espetáculo integra a programação comemorativa dos 15 anos do centro cultural e faz parte do projeto Palco Instituto Unimed-BH, iniciativa voltada à circulação de produções nacionais e internacionais das artes cênicas em Belo Horizonte.
O que você precisa saber
🎭 Espetáculo: O Deus da Carnificina.
📅 Datas: 8 e 9 de agosto.
📍 Local: Grande Teatro do Sesc Palladium, em Belo Horizonte.
👥 Elenco: Bianca Byington, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch.
🎬 Direção: Rodrigo Portella.
📖 Texto: Yasmina Reza, com tradução de Eloisa Araújo Ribeiro.
🎟️ Destaque: A montagem integra a programação dos 15 anos do Sesc Palladium e marca o retorno da obra ao palco onde esteve na inauguração do teatro, em 2011.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se