Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em parceria com a Embrapa e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), está mostrando que árvores e café podem formar uma combinação estratégica para o futuro da cafeicultura capixaba. Os resultados preliminares indicam que o cultivo de café em sistemas arborizados pode elevar a qualidade da bebida, aumentar a sustentabilidade das propriedades e tornar os produtores mais competitivos no mercado internacional.
O estudo, realizado em propriedades de agricultores familiares nos municípios de Alegre, Ibitirama e Iúna, avalia o desempenho de lavouras de café arábica e conilon cultivadas em conjunto com espécies arbóreas como ingá, bananeira, seringueira e árvores nativas. Além dos benefícios ambientais, os pesquisadores observaram melhorias significativas na conservação do solo, retenção de umidade e equilíbrio do ecossistema.
Segundo o coordenador do projeto, o extensionista Ricardo Eugênio, a participação direta dos produtores é essencial para compreender os desafios e desenvolver modelos produtivos adaptados à realidade da agricultura familiar.
Na prática, a arborização proporciona sombra parcial aos cafeeiros, reduz os efeitos do calor intenso, protege contra ventos e geadas, aumenta a matéria orgânica do solo e favorece o controle natural de pragas. Os agricultores que participam da pesquisa já relatam solos mais férteis, maior presença de minhocas, melhor conservação da umidade e redução da necessidade de insumos externos.
Outro resultado que chama atenção é o impacto positivo na qualidade sensorial do café. De acordo com a pesquisa, os grãos cultivados sob sombra apresentam maturação mais lenta e uniforme, resultando em uma bebida com maior complexidade de aromas, acidez equilibrada, dulçor e características valorizadas pelo mercado de cafés especiais e premium.
O estudo ganha ainda mais relevância diante das novas exigências do mercado europeu. O Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR), que entra em vigor ainda em 2026, exigirá que produtos como o café comprovem que não estão associados ao desmatamento. Nesse cenário, sistemas agroflorestais e lavouras arborizadas surgem como uma vantagem competitiva para produtores que desejam ampliar sua presença no mercado internacional.
Para os cafeicultores do Sul do Caparaó, reconhecido pela produção de cafés especiais de altitude, a pesquisa reforça que investir em sustentabilidade também pode significar agregar valor ao produto, conquistar novos mercados e aumentar a rentabilidade da atividade.
Pesquisa em andamento
☕ Projeto: Desempenho Agronômico e Econômico do Cafeeiro em Sistemas Arborizados
🌳 Municípios participantes: Alegre, Ibitirama e Iúna
🤝 Parceria: Incaper, Embrapa e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
✅ Principais benefícios observados:
• Melhoria da qualidade sensorial do café;
• Maior conservação da umidade do solo;
• Aumento da matéria orgânica;
• Redução do estresse hídrico das plantas;
• Maior biodiversidade e equilíbrio ambiental;
• Melhor adaptação às exigências do mercado internacional.
Os resultados ainda são preliminares, mas já indicam um caminho promissor para uma cafeicultura mais sustentável, competitiva e valorizada.

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