VITÓRIA (ES) — Antes de se tornar um dos artistas mais influentes do século XX, Pablo Picasso foi uma criança que começou a desenhar sob influência do pai, também pintor e professor. Mais tarde, conviveu com artistas de circo em Paris, cultivou uma relação intensa com as touradas e experimentou linguagens que foram muito além da pintura.
Algumas dessas histórias ajudam a compreender temas que atravessaram sua produção e podem ser observados na exposição “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo”, em cartaz gratuitamente no Espaço Cultural do Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, até 16 de outubro.
A mostra reúne 80 obras originais de Picasso e, ao todo, 120 peças relacionadas à sua trajetória. A exposição integra as comemorações dos 80 anos do Sesc-ES.
A arte começou ainda na infância
Entre as histórias reproduzidas em biografias de Picasso está a de que sua primeira palavra teria sido “piz”, abreviação de “lápiz”, lápis em espanhol.
Independentemente da curiosidade biográfica, sua relação com a arte começou cedo. Filho do pintor e professor José Ruiz Blasco, Picasso recebeu formação artística durante a infância e, aos 13 anos, já frequentava uma escola de belas-artes.
A pintura também não foi sua única forma de expressão. Ao longo da carreira, trabalhou com escultura, cerâmica, gravura e colagem, além de escrever poemas e peças de teatro. A experimentação incluiu o emprego de materiais cotidianos em suas obras.
Artistas de circo marcaram a fase rosa
Quando se estabeleceu em Paris, em 1904, Picasso ainda buscava reconhecimento na capital francesa. Nesse período, aproximou-se do ambiente dos circos e dos artistas que viviam desse universo.
Palhaços, acrobatas e saltimbancos passaram a aparecer em seus trabalhos, muitas vezes retratados fora das apresentações, em cenas de caráter introspectivo.
Essas figuras se tornaram especialmente presentes na chamada fase rosa, entre 1904 e 1906. O universo dos saltimbancos é um dos temas representados na exposição que está em Vitória.
Paixão pelas touradas começou na Espanha
Outra influência veio da infância em Málaga, no sul da Espanha. Picasso frequentava touradas acompanhado pelo pai e levou esse universo para a produção artística desde muito jovem.
“O Pequeno Picador Amarelo”, apontado como sua primeira pintura a óleo conhecida, foi produzido quando ele tinha cerca de oito anos e retrata justamente uma cena ligada às touradas.
Touros, cavalos, toureiros e arenas voltariam a aparecer em diferentes períodos de sua obra, por meio de pinturas, desenhos, gravuras e cerâmicas. A tauromaquia também integra os núcleos apresentados na exposição capixaba.
Picasso também era supersticioso
Há ainda aspectos menos conhecidos de sua vida pessoal. Picasso cultivava superstições e atribuía significado simbólico a determinados objetos e rituais.
Relatos reunidos pelo Museu Picasso de Paris mencionam, por exemplo, o hábito de enviar à companheira objetos pessoais, como mechas de cabelo, unhas e peças de roupa. Superstição, morte e medo aparecem em diferentes momentos de sua trajetória pessoal e artística.
Esses episódios revelam uma dimensão que vai além da imagem do pintor cubista dos rostos fragmentados. Durante mais de sete décadas de produção, Picasso mudou de técnicas, materiais e linguagens repetidas vezes.
80 obras originais estão em Vitória
Nascido em Málaga, em 1881, e morto em 1973, na França, Pablo Picasso participou de algumas das principais transformações da arte moderna. “Guernica”, de 1937, “Les Demoiselles d'Avignon”, de 1907, “A Mulher que Chora”, de 1937, e “O Velho Guitarrista”, de 1903, estão entre suas obras mais conhecidas.
A exposição no Palácio Anchieta percorre diferentes momentos dessa trajetória. As peças apresentadas são provenientes de coleções particulares italianas e incluem, além das 80 obras originais de Picasso, fotografias, gravuras, cerâmicas e trabalhos ligados ao seu círculo artístico.
O conjunto também apresenta referências a nomes que fizeram parte da vida e da produção do espanhol, entre eles Dora Maar e Françoise Gilot.
A visitação é gratuita. De terça a sexta-feira, a exposição funciona das 9h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 16h.
Mais informações sobre a exposição Picasso no Brasil
O que você precisa saber
Exposição: “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo”
Período: até 16 de outubro de 2026
Local: Espaço Cultural do Palácio Anchieta, Centro de Vitória
Acervo: 80 obras originais de Picasso e 120 peças no total
Terça a sexta: das 9h às 17h
Sábados, domingos e feriados: das 9h às 16h
Entrada: gratuita
Agendamento de grupos: (27) 3636-1031 ou (27) 3636-1032

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