Apaixonado por educação, literatura e cinema, o professor Helder Guastti, de 38 anos, morador de João Neiva (ES), está vivendo uma experiência que promete transformar suas memórias — e as de toda uma comunidade — em arte. Selecionado pelo Curta Vitória a Minas IV, o educador participa, até domingo (7), de uma imersão audiovisual no Instituto Marlin Azul, em Jardim da Penha, Vitória, onde desenvolve o documentário “Inventário da Infância”.
Helder foi um dos sete moradores do entorno da Estrada de Ferro escolhidos para transformar histórias em filme. Seu projeto retrata a multiplicidade das infâncias ao longo do tempo, explorando os modos de brincar, os espaços brincantes e as vivências afetivas do Bairro de Fátima (Caixa D’Água). A ideia é lançar um olhar poético sobre como crianças, jovens e pessoas mais velhas construíram — e ainda constroem — suas memórias através das brincadeiras.
Entre afetos, técnica e cinema
O educador, que também coordena o projeto social “Espaço de Leitura Confabulando”, destaca o impacto da formação no processo criativo:
“Uma coisa é termos a ideia pré-organizada na cabeça; outra é encontrar as ferramentas para executá-la. São dias de muita troca literária e afetiva. A expectativa é alta, porque sei que novos desdobramentos vão surgir a partir dessa imersão.”
Desde 23 de novembro, os participantes aprendem com profissionais de cinema e TV habilidades essenciais para produção audiovisual, incluindo:
roteiro
direção e direção de arte
fotografia
produção e som
montagem e finalização
mobilização comunitária
direitos autorais
As oficinas combinam aulas práticas e expositivas, exercícios de sensibilização do olhar e experimentações de set — uma verdadeira imersão no universo do cinema independente.
Do laboratório criativo às ruas da cidade
Ao fim da imersão, os selecionados retornam às suas cidades para organizar a pré-produção, mobilizar moradores, selecionar locações, preparar figurinos e objetos de cena e construir seus personagens. Durante as gravações, equipes profissionais acompanharão os autores locais. Ao final, os filmes serão exibidos em telonas montadas em ruas e praças, em sessões gratuitas nas cidades envolvidas.
Esta é a terceira vez que João Neiva tem uma história selecionada. Nas edições anteriores, foram adaptadas:
“A Seta do Galo, o Terrível”, de Sandra Mazzega;
“O T-Rex e a Pedra Lascada”, de Luan Ériclis Damázio.
A atual edição reúne participantes de João Neiva e Ibiraçu (ES), além de Aimorés, Conselheiro Pena, Belo Oriente, Nova Era e João Monlevade (MG).
Uma história sobre histórias
Patrocinado pelo Instituto Cultural Vale, via Lei de Incentivo à Cultura, o Curta Vitória a Minas tem como objetivo possibilitar que moradores das cidades ao longo da Estrada de Ferro contem suas próprias narrativas, registrando hábitos, costumes, lendas e peculiaridades locais.
Desde sua criação, o projeto já transformou 35 histórias em filmes — ficções e documentários — e segue ampliando o acesso à linguagem audiovisual como instrumento de identidade, memória e fortalecimento territorial.
Filmes das edições anteriores podem ser assistidos em: curtavitoriaaminas.com.br
O que você precisa saber
Professor Helder Guastti, de João Neiva, foi selecionado para o Curta Vitória a Minas IV.
Documentário “Inventário da Infância” retrata brincadeiras e memórias do Bairro de Fátima.
Participantes passam por imersão em roteiro, direção, arte, fotografia, som e montagem.
Após a formação, iniciam filmagens com apoio técnico profissional.
Exibições ocorrerão gratuitamente em ruas e praças das cidades envolvidas.
Projeto já transformou 35 histórias em filmes desde sua criação.

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