A Quik Cia de Dança encerra no próximo sábado (3) a circulação do espetáculo “Encontro de Improvisadores – uma nova criação se faz agora”, projeto que marca os 26 anos de trajetória da companhia mineira. A última apresentação será às 17h, no COM.VIDA – casa das artes, sede do grupo em Nova Lima (MG), com entrada gratuita.
A proposta coloca a improvisação no centro da experiência. Em vez de uma coreografia inteiramente definida de antemão, bailarinos, músicos e iluminador constroem a apresentação em tempo real, fazendo com que cada sessão tenha uma configuração própria.
Participam do projeto os fundadores da companhia, Letícia Carneiro e Rodrigo Quik, ex-integrantes do Grupo Corpo, além de bailarinos convidados de diferentes gerações e trajetórias. A circulação reúne Cristiano Reis, Guilherme Morais, Heleno Carneiro, Marise Dinis e Raquel Pires. A provocação artística é de Marise Dinis.
A música também é executada ao vivo por Gladson Braga, Thiago Miotto e Rodrigo Salvador, enquanto Geraldo Octaviano responde pela iluminação. A combinação entre movimento, som e luz transforma o improviso em linguagem comum entre os artistas.
“Queremos manter o corpo e a cena em permanente estado de processo, pesquisa e criação viva. A inquietação é uma característica muito forte da Quik”, afirma Rodrigo Quik.
Segundo ele, a proposta também traduz a busca da companhia por novos caminhos depois de mais de duas décadas de atividade. “É uma forma de manter vivo o desejo de criar, de continuar descobrindo e de nos surpreender com aquilo que fazemos.”
Improvisação acompanha trajetória da companhia
Embora retorne agora como parte das comemorações dos 26 anos, o formato tem raízes na própria história da Quik. A pesquisa com improvisação integra o trabalho do grupo desde 2008, quando Letícia Carneiro e Rodrigo Quik começaram a reunir artistas de diferentes áreas para experiências de criação conjunta.
Nesta nova fase, o projeto estabelece uma ponte entre o repertório acumulado pela companhia e a criação realizada diante do público.
Parte dessa experiência nasce da relação artística construída entre Letícia e Rodrigo, que tiveram formação em comum no Grupo Corpo e posteriormente fundaram a Quik.
“A maturidade vem com o tempo. É preciso exercitar o respeito, a compreensão e a capacidade de dar espaço ao outro. Existe uma potência muito grande em nos conhecermos tão profundamente na vida e na cena”, diz Letícia.
Repertório é ponto de partida para novas criações
As apresentações também revisitam três trabalhos que marcaram diferentes períodos da Quik: “Rua”, de 2001; “Formas e Linhas”, de 2006; e “Tecituras”, de 2014.
“Rua”, espetáculo de estreia da companhia, explora situações que poderiam ocorrer no espaço urbano, transitando entre registros cômicos, lúdicos, dramáticos e violentos.
Em “Formas e Linhas”, a pesquisa se volta para a relação entre corpo, movimento, espaço, cenografia e música. Já “Tecituras” aprofunda o trabalho com improvisação estruturada e a relação entre dança, música ao vivo, arquitetura e espaços públicos.
No novo projeto, porém, as obras não são simplesmente remontadas. Elas funcionam como referências para a criação de novas composições.
“Não é uma reprodução, mas uma reconstrução de cada obra a partir da improvisação. É a obra, porém mais borrada, como se a gente colocasse uma lente para revê-la”, explica Marise Dinis.
Diferentes gerações dividem a cena
Outro eixo do projeto é a convivência entre artistas de diferentes idades e percursos profissionais. Entre eles está Heleno Carneiro, de 28 anos, filho de Letícia Carneiro e Rodrigo Quik.
Para os fundadores, a presença do filho cria uma conexão entre a trajetória construída pela companhia e uma nova geração de bailarinos.
“Para nós, esse encontro entre pais e filho no palco simboliza o afeto, a continuidade criativa e o entrelaçamento entre vida, corpo e arte que marcam nossos 26 anos da Quik”, afirma Letícia.
A mesma lógica se estende aos músicos e profissionais envolvidos na montagem. Alguns mantêm uma parceria de longa data com o grupo, enquanto outros chegam ao projeto trazendo novas referências.
“Essa mistura de gerações nos interessa muito: colocar lado a lado experiências, idades, trajetórias e modos diferentes de pensar e fazer arte”, diz Rodrigo Quik.
Antes da atual circulação, o “Encontro de Improvisadores” teve uma sessão de pré-estreia em agosto, durante o Festival Quatro Estações, no C.A.S.A. – Centro de Arte Suspensa e Armatrux, também em Nova Lima.
Serviço
Encontro de Improvisadores – uma nova criação se faz agora
Data: sábado, 3 de outubro de 2026
Horário: 17h
Local: COM.VIDA – casa das artes, sede da Quik Cia de Dança, em Nova Lima (MG)
Duração: 50 minutos
Classificação: 12 anos
Entrada: gratuita, com retirada antecipada pelo Sympla ou na bilheteria, 30 minutos antes da apresentação, conforme disponibilidade.
O projeto é viabilizado pela Lei Aldir Blanc – Estado de Minas Gerais, por meio do Edital 6 – Produção de Obras.

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