A safra de café conilon no Espírito Santo deve apresentar retração no próximo ciclo agrícola. Estimativa divulgada pela consultoria StoneX aponta que a produção capixaba deve alcançar 16,9 milhões de sacas de 60 kg na safra 2026/27, uma queda de 12,2% em relação ao ciclo anterior, quando o Estado produziu cerca de 19,2 milhões de sacas.
Mesmo com a redução prevista, o Espírito Santo continua sendo o maior produtor de café conilon do Brasil, mantendo posição estratégica na cadeia produtiva do café robusta no país.
Segundo a análise da consultoria, a queda na produtividade é considerada natural após a supersafra registrada em 2025, quando as lavouras apresentaram desempenho acima da média. Após ciclos de alta produção, as plantas tendem a registrar rendimento menor na safra seguinte.
Outro fator apontado é o manejo das lavouras realizado por produtores, como a condução de novos brotos nas plantas de conilon. Esses brotos ainda estão em fase inicial de desenvolvimento e, por isso, apresentam menor produção neste ciclo.
Apesar da queda no conilon, o cenário para o café arábica capixaba é de crescimento. A produção da variedade deve alcançar 3,6 milhões de sacas, um aumento de 21% em relação à safra anterior, estimada em cerca de 3 milhões de sacas.
Atualmente, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a saca do café conilon vem sendo negociada em torno de R$ 1 mil, após um período recente marcado por preços historicamente elevados ao produtor.
A estimativa de queda também é compartilhada pela Cooabriel, considerada a maior cooperativa de café conilon do Brasil. A entidade projeta uma redução entre 10% e 15% na safra de 2026, cuja colheita deve começar entre abril e maio.
📊 Produção estimada no Espírito Santo
• Café conilon: 16,9 milhões de sacas
• Queda de 12,2% em relação à safra anterior
• Café arábica: 3,6 milhões de sacas
• Crescimento de 21% no arábica capixaba
📊 Cenário nacional
No cenário brasileiro, a expectativa é de uma safra recorde de café em 2026/27. A StoneX projeta uma produção total de 75,3 milhões de sacas, crescimento de 20,8% em relação à temporada anterior.
O destaque deve ser o café arábica, cuja produção pode atingir 50,2 milhões de sacas, avanço anual de 37,5%. Já os cafés da variedade canéfora — que incluem conilon e robusta — devem somar cerca de 25,1 milhões de sacas, registrando leve queda após o recorde do último ciclo.
📌 Pós-box | Produção segue forte
Mesmo com a retração prevista na safra de conilon, o Espírito Santo deve continuar apresentando níveis elevados de produção, sustentados pela expansão das áreas cultivadas, pela renovação das lavouras e pelo uso crescente de tecnologias no campo. Regiões do norte capixaba, do sul da Bahia e de Rondônia seguem liderando o crescimento da cafeicultura brasileira.

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