A safra 2026 de gengibre começou oficialmente nesta semana no Espírito Santo, com lançamento realizado em Santa Maria de Jetibá, na região serrana capixaba. Responsável por cerca de 75% da produção brasileira da raiz e 59% das exportações nacionais, o estado inicia a nova temporada com expectativa positiva impulsionada pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
Em 2025, o Espírito Santo produziu 83,7 mil toneladas de gengibre e exportou 28,5 mil toneladas para 50 países, movimentando US$ 40,4 milhões. Apesar do crescimento de 8% no volume exportado, a receita caiu 10,8%, reflexo da pressão internacional sobre os preços.
Mercado internacional e pressão chinesa
A China segue como maior produtora mundial e influencia diretamente os preços globais do gengibre. Quando a oferta chinesa aumenta, como ocorreu em 2025, o produto brasileiro perde competitividade em preço, mesmo mantendo vantagem em qualidade.
Os Países Baixos continuam sendo a principal porta de entrada do gengibre capixaba na Europa, funcionando como centro de redistribuição para o continente europeu. O cenário atual, porém, é considerado mais equilibrado para os produtores capixabas, com baixa disponibilidade do produto brasileiro no período de transição entre safras e expectativa de retomada dos embarques marítimos a partir de junho.
Acordo Mercosul-UE anima produtores
O acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026, trouxe uma mudança estratégica para a cadeia produtiva. O gengibre foi incluído na categoria de tarifa zero imediata, eliminando custos de importação no mercado europeu já no primeiro ano do tratado.
Com isso, o produtor capixaba passa a disputar mercado em condições mais favoráveis frente a concorrentes asiáticos, como China e Tailândia.
Pesquisa, inovação e sustentabilidade
O Governo do Estado também anunciou investimento de R$ 1,2 milhão em pesquisa e inovação para a cadeia do gengibre em 2026, com foco em:
controle biológico de pragas;
produção de bioinsumos;
desenvolvimento de novas variedades registradas no Mapa.
As ações buscam fortalecer qualidade, sustentabilidade e segurança fitossanitária, critérios cada vez mais exigidos pelo mercado europeu.
Serra capixaba concentra produção premium
Os municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins concentram cerca de 90% da área cultivada no estado e são reconhecidos pela produção de gengibre com características valorizadas no mercado premium europeu e americano.
A produtividade média capixaba também chama atenção: 60,5 toneladas por hectare, acima da média chinesa, estimada em 34 toneladas por hectare.
📌 O que você precisa saber
Espírito Santo responde por 75% da produção nacional de gengibre
Estado exportou 28,5 mil toneladas em 2025
Acordo Mercosul-UE zerou tarifas para exportação do produto à Europa
Governo anunciou R$ 1,2 milhão em investimentos para pesquisa e inovação
Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins lideram produção capixaba
Mercado europeu segue como principal destino do gengibre do ES

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