SÃO MATEUS (ES) — Um projeto que substitui a lenha pelo gás natural na secagem do café apresentou resultados que indicam aumento no rendimento e melhora na qualidade do produto. Testada em uma propriedade de Linhares durante a safra de 2026, a tecnologia será apresentada na Feira Internacional do Café Conilon (FICC), que acontece de 8 a 10 de outubro, em São Mateus.
O projeto-piloto foi realizado na Fazenda Chapadão e acompanhou cerca de 9,4 mil sacas de café durante 14 semanas, entre maio e agosto. Três secadores abastecidos com gás natural foram comparados a outros três movidos a lenha.
Nos testes, o sistema a gás alcançou rendimento de 39,73 sacas de café seco, ante 38,15 sacas no sistema a lenha. A diferença corresponde a um ganho potencial de 4,15%.
Em uma produção de 10 mil sacas, esse percentual equivaleria, em projeção, a aproximadamente 415 sacas adicionais. O estudo estima ainda que um controle mais preciso da temperatura possa evitar perdas de até 1,6 saca por batelada.
A pesquisa foi desenvolvida pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), em parceria com ES Gás, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base 27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). O investimento informado supera R$ 1 milhão.
Menos fumaça nas amostras
Além do rendimento, o estudo avaliou os efeitos do processo sobre a qualidade do café. Nas análises realizadas pela JDE Peet’s, a presença de notas de fumaça caiu de 27% para 1% nas amostras submetidas à secagem com gás natural.
Do total analisado, 93% das amostras atingiram perfil sensorial classificado como “Neutro” ou superior. Outras 51% chegaram às classificações Neutro+ e Neutro++.
A diferença está relacionada, entre outros fatores avaliados no projeto, ao controle térmico. Os secadores a gás operaram entre 120°C e 140°C nos testes de rendimento, enquanto os equipamentos alimentados com lenha trabalharam entre 150°C e 250°C.
Os ensaios apontaram ainda que a faixa entre 120°C e 160°C registrou os menores níveis de consumo, com períodos de secagem entre 13 e 17 horas e média de 13,76 metros cúbicos de gás por saca.
“A secagem é uma etapa estratégica para o café e esses primeiros resultados mostram que existe espaço para avançar em produtividade, qualidade e controle do processo. O mais importante agora é ampliar essa experiência, testar a tecnologia em diferentes realidades e gerar informação para que o produtor possa avaliar as possibilidades com segurança”, afirma Fabrício Tristão, presidente do CCCV.
Projeto terá novos testes em 2027
Depois da primeira experiência em Linhares, o projeto deverá entrar em uma nova etapa. Para a colheita de 2027, está em estudo a realização de testes em outras propriedades, principalmente no Norte do Espírito Santo.
A proposta é identificar secadores instalados próximos à rede de distribuição da ES Gás e avaliar o desempenho da tecnologia em diferentes condições de produção.
Segundo Raphael Pereira, diretor-presidente da ES Gás, a ampliação permitirá gerar novos dados sobre a aplicação do gás natural na cafeicultura.
“O Espírito Santo reúne duas grandes vocações: a produção de café e a energia. Quando aproximamos esses setores por meio da inovação, criamos oportunidades para aumentar a competitividade, impulsionar o desenvolvimento regional e abrir novos caminhos para o uso do gás natural no interior do Estado”, afirma.
Resultados serão apresentados na FICC
Os dados do projeto serão apresentados no primeiro dia da FICC 2026. O painel do CCCV e da ES Gás está previsto para quinta-feira (8), das 15h30 às 16h20.
Em sua segunda edição, a feira reunirá produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores, especialistas e compradores para discutir temas como produtividade, tecnologia, mercado, logística, clima e oportunidades para o agronegócio.
“A FICC existe para aproximar quem produz das discussões, tecnologias e oportunidades que estão movimentando a cadeia do Conilon. Trazer para a programação um projeto que já foi testado em uma propriedade capixaba e apresenta resultados concretos é colocar o produtor em contato com uma experiência que pode ser conhecida, discutida e avaliada a partir da realidade do campo”, destaca o curador Marcus Magalhães.
Serviço
Feira Internacional do Café Conilon – FICC 2026
Data: 8 a 10 de outubro
Local: área anexa ao Sesc, em São Mateus
Entrada: gratuita
Apresentação do projeto: quinta-feira (8), das 15h30 às 16h20
Programação: painéis técnicos, rodadas de negócios, experiências de café, Dia de Campo, música e gastronomia
Informações: site oficial da FICC | Instagram da FICC

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