Um novo estudo climático acendeu o alerta entre cientistas de todo o mundo. Simulações indicam que o El Niño em formação no Oceano Pacífico possui 90% de probabilidade de se tornar o mais intenso desde o início dos registros modernos, há aproximadamente 150 anos.
Caso as projeções se confirmem, o fenômeno poderá impulsionar novos recordes de temperatura global e aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta, incluindo reflexos no Brasil.
O que dizem as projeções
A estimativa foi elaborada por pesquisadores da Berkeley Earth, organização internacional dedicada ao estudo do clima, com base em 14 modelos climáticos, e divulgada pela revista científica New Scientist.
Segundo o levantamento, a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial poderá atingir uma anomalia próxima de 3,6°C acima da média, superando o recorde registrado durante o forte El Niño de 2015/2016, quando o aquecimento chegou a cerca de 2,75°C.
Mesmo os cenários mais conservadores apontam para um episódio acima dos padrões históricos.
Fenômeno pode intensificar eventos extremos
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica global, alterando os padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do planeta.
Segundo os pesquisadores, quando esse processo se soma ao aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa, cresce a probabilidade de ocorrência de:
- Ondas de calor mais intensas;
- Secas prolongadas;
- Chuvas volumosas;
- Enchentes;
- Deslizamentos de terra;
- Incêndios florestais;
- Branqueamento de corais.
A intensidade dos impactos varia conforme cada região do mundo.
Brasil também pode sentir os efeitos
Historicamente, o Brasil apresenta respostas diferentes ao El Niño dependendo da localização.
Em geral, o fenômeno favorece chuvas acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste costumam enfrentar períodos mais secos.
Especialistas destacam, porém, que a intensidade dos impactos dependerá da evolução do fenômeno nos próximos meses e da interação com outros sistemas atmosféricos.
Recordes de calor podem continuar
Além dos efeitos regionais, o estudo aponta que o planeta poderá registrar novos recordes de temperatura média nos próximos anos.
As projeções indicam que 2027 reúne condições para se tornar o ano mais quente já observado desde o início das medições meteorológicas. Antes disso, 2026 também pode estabelecer novos recordes caso o atual ritmo de aquecimento global seja mantido.
Os pesquisadores ressaltam que a combinação entre um Super El Niño e o avanço das mudanças climáticas coloca o planeta diante de um cenário sem precedentes na história recente das observações meteorológicas.
O que você precisa saber
• Cientistas estimam 90% de chance de o atual El Niño se tornar o mais intenso dos últimos 150 anos.
• O estudo foi elaborado pela Berkeley Earth com base em 14 modelos climáticos e divulgado pela revista científica New Scientist.
• O aquecimento das águas do Pacífico pode superar todos os registros modernos conhecidos.
• O fenômeno pode aumentar a ocorrência de ondas de calor, secas, chuvas intensas, enchentes, incêndios florestais e outros eventos climáticos extremos.
• No Brasil, o El Niño costuma favorecer mais chuva no Sul e períodos mais secos em parte do Norte e Nordeste.
• As projeções indicam que 2026 e, principalmente, 2027 podem registrar novos recordes de temperatura global.

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