A 11ª Cavalgada de Capivara, realizada neste fim de semana em Vargem Alta, foi mais do que uma festa sertaneja: foi uma celebração da fé, da cultura rural e da força comunitária. Com uma programação intensa entre os dias 31 de maio e 1º de junho, o evento emocionou moradores e visitantes com a beleza da cavalgada, a simbologia da devoção popular, os sabores típicos preparados em caldeirões de ferro e a energia vibrante dos shows.
Logo na tarde de sábado, a imagem de Nossa Senhora Aparecida seguiu à frente da cavalgada, conduzindo os cavaleiros e amazonas com respeito, espiritualidade e união. O cortejo saiu do Posto Serrano e, ao chegar à comunidade, foi acolhido com a bênção dos cavaleiros, marcando o início oficial da celebração.
Ainda no sábado, o calor das brasas deu vida a um dos momentos mais marcantes do evento: o preparo coletivo das refeições em grandes panelas de ferro fundido. Caldeirões fumegantes, cheios de comida da roça — feijão, arroz, carne cozida, polenta e salada — alimentaram não só os corpos, mas também os laços afetivos e a tradição que atravessam gerações.
E no domingo, a fartura continuou: o cardápio ganhou o reforço de um clássico que é sinônimo de memória rural e acolhimento — macarrão caseiro com galinha caipira, preparado com a mesma dedicação e sabor de sempre. Uma refeição que reuniu famílias, cavaleiros e visitantes em torno da simplicidade que emociona.
Ao longo dos dois dias, o que se viu foi a força de uma comunidade inteira mobilizada. A cavalgada não é organizada por uma única entidade, mas é fruto do trabalho coletivo de moradores, lideranças locais, voluntários dedicados e o apoio da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Capivara. Cada detalhe da festa — da recepção ao público à estrutura do espaço, passando pela segurança, cozinha e acolhimento — foi construído com base na união, na doação de tempo e no compromisso com as raízes.
"A gente só fala em gratidão. Agradecer a Deus primeiro, e essa comunidade maravilhosa. O voluntariado da comunidade de Capivara enche os olhos da gente. Essa festa começou como uma brincadeira entre amigos, e hoje virou o que todo mundo viu ontem e hoje", declarou Rivelino Rosa, vereador e um dos organizadores do evento.
Ele também destacou a segurança e o ambiente familiar:
"A família vem, a criança vem no colo do pai, porque confia na comunidade. Isso pra nós é uma honra e uma responsabilidade."
Outro nome que vive o evento desde o início é Zezé Denadai, idealizador da cavalgada ao lado de um parceiro da comunidade:
"Começamos ela bem pequenininha… nem a gente acredita no que virou hoje. A comunidade abraça com força, um ajuda o outro, e graças a Deus tá indo pra frente. Tá na veia. É o sonho do futuro. A gente tem que fazer o melhor pelo nosso povo", declarou emocionado.
Ao lado da comunidade, eles ajudaram a transformar uma antiga ideia entre amigos em um dos eventos mais tradicionais do interior capixaba, movido por fé, cultura e voluntariado.Foto: Revista Conexão
A programação musical começou na noite de sábado e varou a madrugada com Fabrício e Banda, Os Reis do Paredão e o consagrado grupo Gargantas de Ouro, que levaram o melhor do forró, modão e sertanejo para o palco montado na comunidade.
Já no domingo, depois do café coletivo e da celebração religiosa, o som voltou com Bruno Henrique & Guilherme e o animado Forró Country, encerrando o fim de semana em alto astral.
Com entrada simbólica de R$ 30,00, a cavalgada garantiu acesso à estrutura completa e reforçou seu caráter inclusivo, cultural e tradicional. Famílias inteiras participaram, cavaleiros de diversas localidades marcaram presença e o evento se firmou — mais uma vez — como uma das principais expressões da cultura rural capixaba.
Cada detalhe — da reverência à santa à fumaça dos caldeirões, dos aplausos aos shows até o silêncio das orações — reforçou que a Cavalgada de Capivara é mais que um evento: é uma memória viva, um pedaço da alma do interior que se renova a cada edição.
