Como era Vitória antes dos grandes aterros, avenidas e transformações urbanas que deram à capital a configuração que conhecemos hoje? Uma coleção rara permite fazer uma verdadeira viagem no tempo e encontrar respostas em imagens produzidas há mais de um século.
A mostra virtual “Vitória em Negativos de Vidro”, lançada nesta terça-feira (8), reúne 50 fotografias históricas das primeiras décadas do século XX, recuperadas a partir de negativos preservados pelo Arquivo Público Municipal.
Entre os registros aparecem locais que já desapareceram ou mudaram radicalmente, como o antigo Teatro Melpômene, a Praia Comprida, parte da atual Enseada do Suá, e a Ilha do Príncipe quando ainda era cercada pelo mar por todos os lados.
Um quebra-cabeça de mais de 100 anos
Para revelar as fotografias ao público, os fotógrafos Carlos Antolini e Elizabeth Nader utilizaram recursos digitais para reproduzir e recuperar os antigos negativos.
Cada placa foi fotografada sobre uma mesa de luz e posteriormente passou por tratamento digital. Algumas estavam quebradas ou trincadas e precisaram ser cuidadosamente reunidas, peça por peça, como um quebra-cabeça, antes da reprodução.
O trabalho tornou visíveis detalhes que permaneceram praticamente inacessíveis durante décadas devido à fragilidade do material.
Imagens mostram uma Vitória que não existe mais
A coleção permite observar diferentes momentos da transformação da capital. Há fotografias do antigo orquidário do Parque Moscoso, do Mercado da Vila Rubim, de casarios posteriormente demolidos e de obras públicas que ajudaram a modificar a cidade.
Também aparecem registros da construção da adutora para abastecimento de Vitória no Reservatório de Duas Bocas, em Cariacica, além de cenas do cotidiano, como movimentações urbanas e registros no Cemitério de Santo Antônio.
Mais do que fotografias antigas, as imagens se transformaram em documentos históricos sobre a arquitetura, os costumes e o desenvolvimento urbano da capital capixaba.
Acervo guarda 117 negativos de vidro
O Arquivo Público Municipal preserva 117 placas secas de vidro em diferentes dimensões: 84 peças de 24 x 18 centímetros, 26 de 12 x 9 centímetros e sete de 9 x 6 centímetros.
Essa técnica fotográfica surgiu no século XIX e representou um importante avanço por permitir que as placas fossem produzidas previamente e utilizadas sem a necessidade de preparação química imediatamente antes da fotografia.
Por outro lado, preservar esse material exige cuidados especiais com temperatura, umidade, luminosidade, armazenamento e manuseio.
Arquivo guarda milhões de documentos históricos
Criado em 1909, o Arquivo Público Municipal de Vitória possui aproximadamente 3,2 milhões de páginas de documentos, com registros que remontam ao século XVII.
Seu acervo fotográfico reúne cerca de 65 mil imagens originais e mais de 175 mil negativos.
A exposição também marca a primeira ação pública do Núcleo de Memória de Vitória, criado para ampliar o acesso ao patrimônio histórico e aproximar a população dos acervos públicos. Entre os próximos projetos estão livro, exposições temáticas, produções audiovisuais e iniciativas digitais.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
📸 O que é? Mostra virtual “Vitória em Negativos de Vidro”.
🕰️ O que apresenta? 50 imagens produzidas nas primeiras décadas do século XX.
🏙️ O que aparece? Uma Vitória anterior a grandes aterros e transformações urbanas, incluindo lugares que já desapareceram.
🖼️ Quantas placas estão preservadas? 117 negativos de vidro.
📚 Tamanho do acervo: aproximadamente 3,2 milhões de páginas de documentos, 65 mil fotografias originais e mais de 175 mil negativos.
💻 Formato: exposição virtual.
A mostra integra ainda as comemorações pelo aniversário de Vitória e pelos 200 anos da fotografia, transformando um acervo extremamente frágil em uma oportunidade para que novas gerações conheçam como era a capital capixaba há mais de um século.

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