Sentir o coração acelerar, falhar ou bater fora do ritmo pode assustar — e, em alguns casos, o sinal realmente merece atenção. As arritmias cardíacas são alterações no ritmo normal do coração e podem se manifestar de diferentes formas: com batimentos acelerados, lentos ou irregulares. Embora muitas sejam benignas, outras podem representar risco à vida, exigindo diagnóstico e acompanhamento especializados.
O coração funciona a partir de um sistema elétrico próprio, responsável por coordenar cada batimento. Quando esse sistema apresenta falhas, surgem as arritmias — um quadro que pode variar de episódios ocasionais a condições graves.
Tipos de arritmia e o que cada uma significa
Segundo o arritmologista Fabrício Vassalo, coordenador do Serviço de Arritmias do Hospital Santa Rita, as arritmias são classificadas de acordo com a forma como alteram o ritmo cardíaco.
As taquiarritmias, por exemplo, ocorrem quando o coração bate acima de 100 batimentos por minuto. Um caso comum é a taquicardia sinusal, que pode ser uma resposta normal do organismo a estímulos como exercício, febre ou ansiedade.
Já a fibrilação atrial, mais frequente em idosos, provoca contrações desorganizadas nos átrios do coração, podendo causar palpitações, cansaço e aumentar o risco de formação de coágulos e acidente vascular cerebral. Outro tipo é o flutter atrial, semelhante, mas com ritmo mais organizado.
Há ainda as arritmias ventriculares, como a taquicardia ventricular, que podem comprometer a capacidade do coração de bombear sangue e evoluir para quadros críticos, como a fibrilação ventricular, associada à parada cardíaca.
Por outro lado, as bradiarritmias ocorrem quando os batimentos ficam abaixo de 50 por minuto. Embora possam ser normais em atletas, quando associadas a sintomas como tontura ou desmaio, indicam possíveis falhas no sistema elétrico do coração. Casos como bloqueio atrioventricular podem exigir o uso de marca-passo.
Outro grupo comum são as extrassístoles, caracterizadas por batimentos “extras”, percebidos como falhas ou “saltos” no coração. Na maioria das vezes, são benignas, mas precisam de investigação quando frequentes ou sintomáticas.
Causas vão além do coração
As arritmias não têm uma única origem. De acordo com o cardiologista Alex Gomes Rodrigues, coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São José e professor do Unesc, as causas são multifatoriais.
Entre os fatores mais comuns estão doenças estruturais do coração, como insuficiência cardíaca, cardiomiopatias e problemas nas válvulas. Também entram na lista condições como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.
Fatores externos e comportamentais também influenciam, como consumo de álcool, tabagismo, estresse crônico, alterações eletrolíticas e apneia do sono. Em pessoas mais jovens, a causa pode ser congênita, enquanto, em idosos, o envelhecimento do sistema elétrico cardíaco é determinante.
Sintomas podem ser silenciosos — e perigosos
Um dos maiores desafios das arritmias é que nem sempre elas apresentam sintomas. Muitos pacientes são assintomáticos, o que pode atrasar o diagnóstico.
Quando surgem, os sinais mais comuns incluem palpitações, tontura, cansaço, falta de ar e desmaios. Em situações mais graves, podem aparecer dor no peito, queda de pressão e sinais de comprometimento da circulação.
A fibrilação atrial, por exemplo, pode evoluir de forma silenciosa e aumentar significativamente o risco de AVC.
Diagnóstico depende do momento do sintoma
Identificar uma arritmia nem sempre é simples. Isso porque muitos episódios são intermitentes e não aparecem em exames de rotina.
O primeiro passo é a avaliação clínica detalhada. A partir disso, exames como o eletrocardiograma (ECG) ajudam a registrar a atividade elétrica do coração. Quando necessário, são utilizados o Holter 24 horas ou dispositivos de monitoramento prolongado.
Em casos mais complexos, o estudo eletrofisiológico permite localizar com precisão a origem da arritmia e, em alguns casos, tratá-la durante o próprio procedimento.
Tratamento evoluiu e pode ser curativo
O tratamento das arritmias varia conforme o tipo e o perfil do paciente. Ele pode incluir medicamentos, como antiarrítmicos e anticoagulantes, especialmente nos casos de fibrilação atrial.
Procedimentos como a ablação por cateter têm se destacado como alternativa curativa para diversas arritmias. Já em situações específicas, pode ser necessário o implante de dispositivos, como marca-passo ou cardiodesfibrilador implantável (CDI), utilizado na prevenção de morte súbita.
Quando procurar ajuda médica
Nem toda palpitação representa um problema grave, mas alguns sinais não devem ser ignorados. Episódios persistentes, desmaios, tontura intensa, dor no peito e falta de ar exigem avaliação médica imediata.
A associação entre arritmia e perda de consciência, em especial, é considerada um indicativo de risco elevado e deve ser investigada com urgência.
Embora nem todas as arritmias tenham cura definitiva, muitas podem ser controladas com eficácia. Com os avanços da medicina, a maioria dos pacientes consegue manter qualidade de vida e reduzir significativamente o risco de complicações.
O que você precisa saber
- Arritmia é uma alteração no ritmo do coração, podendo acelerar, desacelerar ou causar batimentos irregulares
- Pode ser benigna ou grave, dependendo do tipo e da causa
- Principais sintomas: palpitações, tontura, cansaço, falta de ar e desmaio
- Muitos casos são silenciosos, o que dificulta o diagnóstico precoce
- Fatores de risco incluem: doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, estresse, álcool e tabagismo
- Exames como ECG e Holter são essenciais para identificar o problema
- Tratamento pode incluir medicamentos, ablação ou dispositivos como marca-passo
- Sinais de alerta exigem urgência: desmaio, dor no peito, falta de ar ou palpitações persistentes

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