Às vésperas do prazo determinado pela Justiça para a liberação de arquivos oficiais sobre o escândalo sexual envolvendo Jeffrey Epstein, o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, controlado por democratas, divulgou 68 novas fotografias e documentos que reacenderam o debate público e político em torno do caso. O material amplia o alcance da investigação e reforça a cobrança por transparência total do Departamento de Justiça (DOJ).
Segundo o comitê, a divulgação busca esclarecer a dimensão da rede Epstein e reduzir lacunas sobre o que o governo mantém sob sigilo. O acervo total do processo supera 95 mil arquivos, entre fotos, mensagens, registros financeiros e documentos de viagem.
O que mostram os novos documentos
Entre os itens divulgados, há trocas de mensagens, passaportes, registros de viagens, além de imagens sensíveis. Um dos documentos mais chocantes menciona a negociação de uma menina por US$ 1.000. Outro conjunto reúne fotos de uma mulher nua com trechos rabiscados do romance “Lolita” (1955), referência recorrente em investigações sobre o caso.
Para o deputado Robert Garcia, responsável pela divulgação, o novo lote levanta dúvidas sobre a extensão do material ainda sob guarda do DOJ. “À medida que nos aproximamos do prazo final da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, surgem mais perguntas sobre o que exatamente está sendo mantido sob sigilo”, afirmou.
Big Tech, cultura e política: nomes citados
As imagens e documentos mencionam figuras de diferentes áreas:
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Bill Gates, cofundador da Microsoft, aparece em registros ao lado de uma mulher com o rosto coberto;
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Sergey Brin, cofundador do Google, é citado em encontros com Epstein;
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David Brooks, colunista do The New York Times;
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Noam Chomsky, ativista e intelectual, fotografado em um jatinho — ele já declarou que manteve relação profissional e negou proximidade pessoal;
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Um ex-conselheiro de Donald Trump, figura central no primeiro mandato;
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O cineasta Woody Allen, em imagens com o bilionário.
Os citados não são, necessariamente, acusados de crimes nos documentos divulgados; o material amplia o mapa de relações em torno de Epstein.
Por dentro da ilha de Epstein
Novos registros detalham reformas e aquisições na ilha Great St. James, nas Ilhas Virgens dos EUA, comprada por Epstein em 2016 por US$ 22,5 milhões. Fotografias mostram áreas internas da residência, terrenos e obras — a ilha é considerada o epicentro do esquema de exploração sexual denunciado por centenas de vítimas.
Arquivos oficiais e o impasse político
O Departamento de Justiça deve divulgar novos arquivos nesta sexta-feira (18), conforme lei aprovada pelo Congresso em novembro e sancionada pelo presidente Donald Trump. O governo afirma que não publicará tudo na íntegra, alegando proteção às vítimas e a investigações em curso. A legislação proíbe censuras por constrangimento político ou dano reputacional.
Epstein foi acusado de abusar de mais de 250 meninas. Preso em julho de 2019, morreu um mês depois na cela — oficialmente por suicídio. O tema voltou ao centro do debate após idas e vindas do governo sobre a liberação de documentos e a controvérsia em torno de uma suposta “lista de clientes”, cuja existência o DOJ diz não ter comprovado.
Mensagens divulgadas pelo Congresso em novembro sugerem conhecimento prévio de Trump sobre a conduta de Epstein nos anos 1990 e 2000. A Casa Branca nega irregularidades e classifica as acusações como instrumentalização política.
📌 O que você precisa saber
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Novos arquivos: 68 fotos e documentos divulgados por democratas
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Acervo total: mais de 95 mil arquivos
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Conteúdo sensível: mensagens, registros de viagem e imagens
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Nomes citados: magnatas, acadêmicos, políticos e figuras da cultura
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Ilha central: Great St. James (Ilhas Virgens dos EUA)
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Próximo passo: divulgação oficial do DOJ, com proteção às vítimas

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