O Espírito Santo acaba de conquistar um importante reconhecimento no cenário internacional da chocolateria artesanal. A Selah Chocolate, localizada em Pedra Azul, foi premiada com o Diplôme Gourmet, tornando-se a primeira empresa brasileira a vencer na categoria "ao leite puro". A entrega do troféu acontecerá durante o Salon du Chocolat Paris, um dos maiores eventos do setor, no fim de outubro.
Embora a barra premiada tenha sido produzida com cacau fino do Pará, a conquista evidencia a capacidade técnica da indústria capixaba de transformar matéria-prima de alta qualidade em chocolates de padrão internacional. O resultado fortalece o posicionamento do Espírito Santo como um dos estados mais promissores na produção de chocolates de origem e amplia as perspectivas para uma cadeia produtiva que une agricultura, indústria, turismo e inovação.
Prêmio internacional fortalece a indústria capixaba
Fundada pelo casal Rafaela Modolo e Pedro Goulart, a Selah Chocolate trabalha no sistema bean to bar, acompanhando todas as etapas da produção, desde a seleção das amêndoas até a fabricação da barra de chocolate.
Além de utilizar cacau de diferentes origens brasileiras, incluindo produtores de Linhares, a empresa aposta na produção artesanal de alto padrão, valorizando processos cuidadosos, identidade sensorial e qualidade final.
A premiação em Paris representa um reconhecimento ao domínio técnico da fabricação de chocolates especiais e demonstra que o Espírito Santo já reúne condições para disputar espaço no mercado premium mundial.
Cacau capixaba ganha força com produtividade e qualidade
O cenário que permitiu esse avanço começou a ser construído ainda na produção agrícola.
Segundo dados do setor, o Espírito Santo produziu 12.166 toneladas de cacau em 2024, distribuídas em aproximadamente 15,8 mil hectares, com destaque para Linhares, responsável por mais de dois terços da produção estadual.
Nos últimos dez anos, o Estado registrou um salto expressivo de produtividade. Enquanto em 2014 eram produzidas cerca de 4,3 mil toneladas, atualmente o volume praticamente triplicou, impulsionado principalmente pelo avanço tecnológico, melhor manejo das lavouras e aumento do rendimento por hectare.
Esse crescimento desloca o debate para uma nova etapa: agregar valor ao produto por meio da industrialização, do processamento local e da criação de marcas próprias.
Muito além do campo: chocolate movimenta turismo e economia
Especialistas apontam que o maior potencial econômico do setor não está apenas na produção das amêndoas, mas na transformação do cacau em produtos de maior valor agregado.
Cada barra produzida no Espírito Santo representa ganhos para diversos segmentos da economia, como embalagens, design, gastronomia, comércio, logística, hospedagem e turismo.
Esse movimento já pode ser observado em Pedra Azul, onde a Selah oferece experiências que apresentam aos visitantes todas as etapas da produção artesanal do chocolate, aproximando consumidores da origem do produto.
Outro exemplo vem de Governador Lindenberg, onde a Belei Cacau planeja integrar produção, cultivo e turismo rural em um mesmo espaço, fortalecendo uma futura rota turística voltada ao cacau e ao chocolate.
Industrialização é o próximo desafio
Apesar do reconhecimento internacional, especialistas avaliam que o principal desafio do Espírito Santo ainda está na consolidação de uma cadeia integrada.
Entre as prioridades estão o aperfeiçoamento da fermentação das amêndoas, a padronização da qualidade, a ampliação do crédito para produtores, a renovação das lavouras e o fortalecimento da indústria de transformação.
A expectativa é que uma parcela cada vez maior do cacau produzido no Estado seja processada localmente, permitindo que mais renda, empregos e oportunidades permaneçam na economia capixaba.
Mais do que vender matéria-prima, o Espírito Santo passa a construir uma identidade própria baseada na origem, na qualidade e na experiência oferecida ao consumidor.
O que você precisa saber
Empresa premiada: Selah Chocolate (Pedra Azul – ES)
Premiação: Diplôme Gourmet
Reconhecimento: Primeira empresa brasileira premiada na categoria "ao leite puro"
Entrega do prêmio: Salon du Chocolat Paris, em outubro de 2026
Modelo de produção: Bean to Bar (do grão à barra)
Produção de cacau no ES (2024):
12.166 toneladas;
Aproximadamente 15,8 mil hectares cultivados;
Linhares responde por cerca de 68% da produção estadual.
Destaques da cadeia produtiva:
Industrialização do cacau;
Produção de chocolates premium;
Turismo de experiência;
Geração de emprego e valor agregado;
Fortalecimento da marca do cacau capixaba.

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