A ocorrência de temporais no Brasil reacende a preocupação com alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra. Além do volume de chuva, as condições das moradias, a infraestrutura urbana e a capacidade de resposta dos municípios influenciam diretamente os danos provocados pelos eventos climáticos.
Um comunicado sobre a formação de um ciclone extratropical no litoral do Sudeste, com previsão para sexta-feira (16 de outubro), chamou a atenção para a possibilidade de ventos fortes e tempestades em partes do país. Como essa data já passou, o aviso não deve ser interpretado como uma previsão válida para os próximos dias.
O problema, entretanto, permanece relevante, especialmente em municípios com áreas de encosta, bairros sujeitos a inundações e sistemas de drenagem insuficientes.
Falta de infraestrutura aumenta os riscos
A impermeabilização do solo, provocada pela expansão de ruas asfaltadas e construções, dificulta a infiltração da água da chuva.
Quando a drenagem urbana não consegue escoar o volume recebido, ruas podem ficar alagadas, imóveis podem ser atingidos e serviços essenciais podem sofrer interrupções.
Nas encostas, a saturação do solo pela água aumenta a preocupação com deslizamentos, principalmente em locais com ocupação inadequada ou sinais anteriores de instabilidade.
Para Maísa Porto, diretora do Instituto Ideias e especialista em projetos sociais e relacionamento com comunidades, a vulnerabilidade das famílias também precisa ser considerada no planejamento das cidades.
Moradores de áreas de risco, especialmente aqueles que vivem em condições precárias, podem encontrar dificuldades para deixar suas casas, buscar abrigo ou recuperar bens perdidos durante uma emergência.
“Preparar uma cidade envolve obras, serviços e pessoas. É preciso conhecer as áreas de risco, mas também entender quem vive ali, como os moradores recebem informações e de que apoio precisam para agir em uma emergência”, afirma.
Desastres atingiram mais de 90% dos municípios brasileiros
Um estudo divulgado em 2026, com participação de pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), dimensiona a exposição do Brasil a eventos extremos.
Segundo os dados apresentados, mais de nove em cada dez municípios brasileiros registraram pelo menos um dos tipos de desastre analisados entre 1991 e 2024.
O levantamento considera ocorrências como inundações, enxurradas, alagamentos, tempestades, deslizamentos e secas.
No período, esses eventos provocaram aproximadamente 4,7 mil mortes e prejuízos superiores a R$ 740 bilhões, conforme os números divulgados no estudo.
Os dados abrangem diferentes tipos de desastres e não se referem exclusivamente às chuvas fortes.
Comunidades devem participar dos planos de prevenção
A preparação para eventos climáticos depende de investimentos em drenagem, habitação segura, monitoramento de áreas de risco e estruturação das equipes municipais de Defesa Civil.
Mas a especialista destaca que as ações também precisam considerar o conhecimento dos próprios moradores.
São eles que frequentemente identificam os pontos onde a água se acumula, os caminhos que ficam bloqueados e as famílias que necessitam de ajuda para deixar suas residências.
“As pessoas precisam saber para onde ir, como chegar a um local seguro e quem pode ajudar. Essa organização começa antes da chuva e deve considerar quem precisa de apoio para receber os avisos ou sair de casa”, explica Maísa Porto.
O planejamento deve incluir rotas de saída, pontos de abrigo e formas de comunicação que permitam alcançar moradores em situações de maior vulnerabilidade.
Como agir antes e durante chuvas fortes
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os alertas meteorológicos e evite situações que possam colocar a vida em risco.
Algumas medidas são especialmente importantes:
1. Cadastre-se para receber alertas. Envie o CEP da sua região por SMS para o número 40199 e acompanhe as informações da Defesa Civil e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
2. Conheça as rotas de saída. Procure saber quais são os locais seguros e os abrigos indicados pela Defesa Civil do município.
3. Não atravesse áreas alagadas. Evite caminhar ou dirigir por ruas e pontes cobertas pela água. A correnteza pode arrastar pessoas e veículos.
4. Observe sinais de deslizamento. Rachaduras no solo ou em muros e inclinação de árvores e postes podem indicar instabilidade do terreno. Afaste-se e comunique a Defesa Civil.
5. Respeite as orientações de evacuação. Se houver determinação para deixar a residência, procure imediatamente um local seguro. Não retorne a áreas interditadas sem autorização.
6. Acione os serviços de emergência. Em situações de risco, ligue 199 para a Defesa Civil ou 193 para o Corpo de Bombeiros.
Prevenção precisa começar antes da tempestade
O planejamento urbano e a preparação da população são medidas que podem reduzir as consequências dos temporais.
A identificação de áreas vulneráveis, a manutenção dos sistemas de drenagem e a organização das comunidades permitem que os municípios respondam com mais rapidez às emergências.
Para o Instituto Ideias, que atua em projetos socioambientais e gestão de riscos, a prevenção exige uma atuação conjunta entre poder público, instituições e moradores.
O que você precisa saber
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Principais riscos: alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos.
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Fatores que agravam os danos: drenagem insuficiente, ocupação de áreas de risco e falta de planejamento.
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Prevenção: acompanhar alertas, conhecer rotas de saída e identificar locais seguros.
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Alertas por SMS: enviar o CEP para 40199.
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Defesa Civil: 199.
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Corpo de Bombeiros: 193.
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Atenção: a previsão meteorológica citada no material original refere-se a 16 de outubro de 2026 e não representa um alerta atualizado para esta quinta-feira (22).
Fonte: Instituto Ideias, com referência a informações do Inmet e a estudo com participação de pesquisadores do Cemaden, conforme material divulgado.

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