O greening, também conhecido como HLB (Huanglongbing), permanece entre os principais desafios fitossanitários da citricultura brasileira. A doença afeta as árvores, reduz a produtividade, prejudica a qualidade dos frutos e pode diminuir a vida útil dos pomares.
O problema ganha dimensão econômica em um país que está entre os protagonistas mundiais da produção de laranja e do mercado de suco. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela UPL Brasil, a produção nacional supera 16 milhões de toneladas da fruta por ano.
Sem tratamento capaz de eliminar a infecção de uma planta doente, o enfrentamento do greening depende de medidas integradas para reduzir a presença da bactéria e controlar o inseto responsável por sua transmissão.
Psilídeo transmite bactéria entre plantas
O greening está associado no Brasil principalmente à bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas), além da ocorrência de Candidatus Liberibacter americanus (CLam).
A transmissão ocorre pelo psilídeo-asiático-dos-citros (Diaphorina citri), pequeno inseto que se alimenta da seiva das plantas. Sua presença merece atenção especialmente nos períodos de brotação, quando encontra tecidos jovens adequados à alimentação e reprodução.
“Diversos levantamentos mostram que, no Brasil, duas variantes de bactérias são responsáveis pela doença”, explica Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil e mestre em Fitotecnia pela Universidade de São Paulo (USP).
Entre os sintomas estão amarelecimento irregular das folhas, frutos deformados e alterações na maturação, além da redução progressiva da produção e do declínio da planta.
Manejo depende de diferentes estratégias
Como não existe cura para árvores infectadas, a prevenção da disseminação ocupa posição central no controle da doença. O manejo exige acompanhamento frequente do pomar, identificação e eliminação adequada das plantas sintomáticas e controle do psilídeo, além da adoção das demais medidas fitossanitárias recomendadas para a cultura.
A estratégia precisa considerar também as propriedades próximas. Como o inseto vetor se desloca entre plantas e áreas, o controle isolado pode perder eficiência quando existem fontes de inóculo e populações do psilídeo nas proximidades.
Nesse contexto, diferentes tecnologias vêm sendo pesquisadas ou incorporadas aos programas de manejo.
Uma das frentes citadas pela UPL envolve peptídeos sinalizadores, moléculas utilizadas para estimular respostas fisiológicas da própria planta.
“Essas moléculas funcionam como sinais químicos que são reconhecidos pela própria planta e desencadeiam a ativação coordenada de seus mecanismos naturais de defesa”, afirma Mariana Yama, gerente de produtos da companhia e especialista em Fisiologia Vegetal pela USP.
Tecnologia amplia ferramentas disponíveis
A UPL incluiu recentemente em seu portfólio o Strakor, apresentado pela empresa como tecnologia registrada no Brasil para o manejo do greening. Desenvolvido em parceria com a Elemental Enzymes, o produto utiliza peptídeos sinalizadores como parte da estratégia de manejo.
A companhia também possui o inseticida Sperto, destinado, entre outros usos previstos em registro, ao controle do psilídeo.
O uso dessas tecnologias não substitui o manejo integrado. Produtos fitossanitários devem ser empregados nas culturas e alvos autorizados, respeitando bula, receituário agronômico, doses, intervalos e estratégias de manejo de resistência.
“Quanto mais cedo e assertiva for a intervenção, maiores são as chances de reduzir o avanço da doença e aumentar a longevidade dos pomares”, afirma Mariana.
A ausência de uma solução curativa torna a prevenção especialmente relevante: impedir novas infecções e reduzir a população do vetor continuam sendo pontos fundamentais para preservar áreas produtivas.
O que você precisa saber
Doença: greening ou HLB
Culturas afetadas: citros
Principal bactéria citada no Brasil: Candidatus Liberibacter asiaticus
Vetor: psilídeo Diaphorina citri
Principais impactos: queda de produtividade, alterações nos frutos e declínio das árvores
Cura: não há tratamento capaz de eliminar a infecção em plantas doentes
Manejo: monitoramento, eliminação adequada de plantas infectadas e controle do vetor, entre outras medidas integradas
Atenção: defensivos agrícolas devem ser utilizados exclusivamente conforme registro e recomendações de bula

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