O tradicional socol, embutido artesanal feito a partir do lombo suíno e símbolo da herança italiana em Venda Nova do Imigrante, passou a ser oficialmente reconhecido como bem de relevante interesse cultural do Espírito Santo. O reconhecimento foi instituído pela Lei nº 12.618/2025, de autoria do deputado estadual Coronel Weliton (PRD).
A norma valoriza um modo de fazer preservado há gerações por famílias descendentes de imigrantes italianos e consolida o socol como um dos principais símbolos da identidade cultural e gastronômica da região serrana capixaba.
De origem italiana — derivado do ossocollo, tradicionalmente produzido com carne do pescoço do porco —, o socol capixaba passou por adaptações ao longo do tempo. Em Venda Nova do Imigrante, a iguaria é preparada com lombo suíno, temperado com sal, alho e pimenta-do-reino, e submetido a um processo de cura natural que pode durar de quatro a seis meses. O resultado é um produto de sabor marcante, textura delicada e baixo teor de gordura, reconhecido nacionalmente por meio da Indicação Geográfica (IG).
Tradição que atravessa gerações
Mais do que um alimento, o socol representa um legado familiar e comunitário. Uma das sete unidades produtoras do município funciona no Sítio Lorenção, a menos de dois quilômetros do centro da cidade. No local, a produção segue fiel aos ensinamentos herdados dos antepassados.
A produtora Gracci Lorenção destaca o orgulho de manter viva a tradição iniciada por seu bisavô, Vincenzo, imigrante vindo do norte da Itália no final do século XIX. “A única mudança foi o corte da carne. Antes era do pescoço, hoje utilizamos o lombo, o que deixa o produto mais magro. Mas o cuidado, o tempo e o respeito ao processo continuam os mesmos”, explica.
A matriarca da família, dona Cacilda Lorenção, lembra com emoção do período em que o socol era preparado para consumo doméstico. “Era simples, mas feito com amor. Depois de casada, continuei fazendo do jeito que aprendi. Mudou o corte, mas o carinho permanece”, relembra.
Clima, território e identidade
Para o presidente da Associação dos Produtores de Socol (Assocol), Lorenzo Carnielli, o reconhecimento legal fortalece a preservação do saber tradicional trazido pelos imigrantes italianos da região do Vêneto. Segundo ele, há estudos que indicam que apenas o microclima de Venda Nova do Imigrante reúne as condições ideais — incluindo fungos naturais específicos — para a maturação adequada do socol.
Autor da lei, o deputado Coronel Weliton reforça que o produto é indissociável do território. “O socol carrega história, memória afetiva e identidade cultural. As condições climáticas da região tornam impossível reproduzir esse sabor em outro lugar. É um patrimônio que precisa ser protegido”, afirma.
Além do valor cultural, o socol é peça-chave do agroturismo local, atraindo visitantes interessados em gastronomia, história e experiências ligadas à cultura italiana nas Montanhas Capixabas.
📌 O que você precisa saber
Produto: Socol artesanal
Origem: Venda Nova do Imigrante (ES)
Base da receita: Lombo suíno, alho, sal e pimenta-do-reino
Tempo de cura: 4 a 6 meses
Reconhecimento: Lei Estadual nº 12.618/2025
Diferencial: Indicação Geográfica (IG) e microclima exclusivo
Consumo: Cru, fatiado fino, como entrada ou petisco

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