O Brasil prepara uma mudança histórica nas regras de classificação do café que pode alterar diretamente a forma como produtores são remunerados em todo o país. A nova Classificação Oficial Brasileira (COB), ainda em fase de elaboração, vai substituir o atual modelo de contagem de defeitos por um sistema baseado no percentual real de impurezas presentes no lote.
A alteração deve impactar principalmente os produtores de café conilon — cultura em que o Espírito Santo lidera nacionalmente — e promete valorizar cafés com melhor aproveitamento após o rebeneficiamento.
Nova regra muda forma de calcular qualidade do café
Hoje, o café é classificado por equivalência numérica de defeitos. Com a nova COB, o critério passará a considerar o percentual de “catação”, ou seja, a quantidade de material indesejado encontrada na amostra.
Na prática, dois cafés que atualmente recebem a mesma classificação poderão passar a ter valores diferentes no mercado.
Um café tipo 7, por exemplo, pode apresentar hoje 200 defeitos no sistema tradicional, mas possuir níveis muito distintos de aproveitamento. Enquanto um lote pode ter 25% de impurezas, outro pode chegar a 40%. Pelo modelo atual, ambos recebem o mesmo valor comercial.
Com a nova classificação, o lote com menor percentual de catação deverá valer mais.
Espírito Santo está no centro da mudança
Maior produtor nacional de café conilon e referência crescente na produção de arábica de altitude, o Espírito Santo deve sentir os impactos da nova regulamentação diretamente no campo e nos armazéns.
Segundo especialistas do setor, a nova metodologia tende a beneficiar produtores que investem em pós-colheita, secagem, limpeza e qualidade do grão.
A mudança também fortalece a valorização de cafés com maior rendimento industrial e menor desperdício, aproximando ainda mais o Brasil dos padrões internacionais de qualidade.
Avaliação sensorial também ficará mais rigorosa
A nova COB também deve incorporar critérios semelhantes aos utilizados pela Specialty Coffee Association, referência mundial na avaliação de cafés especiais.
Os cafés passarão a ser enquadrados por categorias sensoriais, utilizando descritores técnicos relacionados a aroma, sabor, corpo, acidez e finalização da bebida.
Nos casos de cafés especiais, haverá uma segunda etapa obrigatória de avaliação mais aprofundada, semelhante ao modelo já adotado no mercado premium internacional.
Setor enfrenta desafio de mão de obra qualificada
Apesar do avanço técnico, o setor também enfrenta um desafio importante: a falta de profissionais qualificados para atuar na nova classificação.
Especialistas alertam que classificadores experientes, principalmente em conilon, estão cada vez mais escassos no mercado, já que a atividade exige anos de prática em armazéns e experiência sensorial.
Ao mesmo tempo, o segmento observa um aumento do interesse de jovens pela área de classificação e degustação de cafés, impulsionado pela valorização crescente dos cafés especiais e da cadeia de qualidade.
Qualidade passa a influenciar ainda mais o preço
Para os produtores capixabas, a nova Classificação Oficial Brasileira representa uma mudança estratégica no mercado.
Com o novo sistema, qualidade deixa de ser apenas diferencial competitivo e passa a influenciar diretamente o preço oficial pago pela saca.
Quanto menor o percentual de catação e maior o aproveitamento dos grãos, maior tende a ser a valorização do produto no mercado.
📌 O que você precisa saber
Brasil prepara nova Classificação Oficial Brasileira do café
Mudança altera cálculo de defeitos nos grãos
Sistema passará a considerar percentual de catação
Cafés com melhor aproveitamento deverão valer mais
Espírito Santo deve ser um dos estados mais impactados
Nova regra favorece qualidade e pós-colheita bem feita
Avaliação sensorial seguirá padrões internacionais
Setor enfrenta falta de classificadores especializados

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