Um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo pretende fortalecer o combate à hipercolesterolemia familiar (HF), doença genética caracterizada por níveis muito elevados do chamado colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", desde o nascimento.
De autoria do deputado estadual Dr. Bruno Resende (União), o Projeto de Lei nº 138/2026 propõe a criação da Política Estadual de Capacitação e Atendimento à Hipercolesterolemia Familiar no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco no diagnóstico precoce, tratamento adequado e prevenção de doenças cardiovasculares.
Doença genética pode permanecer silenciosa por anos
A hipercolesterolemia familiar é considerada uma das doenças genéticas mais frequentes no mundo. Sem diagnóstico e tratamento, a condição favorece o acúmulo de gordura nas artérias desde a infância, aumentando significativamente o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares precoces.
Segundo o parlamentar, estudos apontam que a doença afeta aproximadamente uma em cada 263 pessoas no Brasil. Com base nessa estimativa, entre 41 mil e 82 mil capixabas podem conviver atualmente com a condição, muitas vezes sem saber.
Diagnóstico precoce é uma das prioridades
A proposta estabelece como prioridade a organização da rede pública para identificar precocemente os pacientes e oferecer acompanhamento contínuo.
Entre as diretrizes previstas estão:
ampliação do acesso ao diagnóstico;
rastreamento familiar em cascata, identificando parentes de pacientes diagnosticados;
capacitação permanente dos profissionais de saúde;
descentralização dos serviços especializados;
garantia de acesso a exames, medicamentos e tratamento;
integração entre atenção básica, média e alta complexidade.
A iniciativa também prevê ações educativas voltadas à conscientização da população sobre os riscos do colesterol hereditário e a importância do diagnóstico precoce.
Secretaria de Saúde coordenaria a política
Pelo texto original, a coordenação da política ficaria sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que poderia elaborar protocolos clínicos específicos, estruturar centros de referência, criar um banco estadual de pacientes e desenvolver campanhas de orientação.
Além disso, o projeto prevê incentivo à realização de pesquisas e parcerias com universidades e instituições científicas para ampliar o conhecimento sobre a doença no Espírito Santo.
Entretanto, uma emenda apresentada pela Procuradoria da Assembleia propõe retirar do texto os artigos que estabelecem atribuições diretas ao Poder Executivo, adequando a proposta aos aspectos constitucionais relacionados à iniciativa legislativa.
Economia para o sistema de saúde
Na justificativa do projeto, o deputado Dr. Bruno Resende afirma que investir no diagnóstico e no tratamento da hipercolesterolemia familiar representa economia para o próprio sistema público de saúde.
Segundo ele, o custo dos medicamentos utilizados para controlar a doença é significativamente menor do que os gastos decorrentes de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), cirurgias cardíacas e outras complicações provocadas pela ausência de tratamento.
O parlamentar também destaca experiências internacionais, como a da Holanda, onde programas estruturados de rastreamento conseguiram identificar cerca de 70% dos pacientes com a doença, enquanto no Brasil estima-se que menos de 10% dos casos sejam diagnosticados.
Projeto ainda será analisado
O Projeto de Lei nº 138/2026 já foi lido em plenário e segue em tramitação na Assembleia Legislativa.
Antes de ser votado pelos deputados, o texto será analisado pelas Comissões de Justiça, Saúde e Finanças. Caso seja aprovado e sancionado pelo governador, a nova política estadual entrará em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial.
O que você precisa saber
🩺 O projeto cria a Política Estadual de Capacitação e Atendimento à Hipercolesterolemia Familiar no SUS do Espírito Santo.
❤️ A doença é genética e aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares precoces.
📊 Estima-se que entre 41 mil e 82 mil capixabas possam ter a condição.
🔍 A proposta prioriza diagnóstico precoce, rastreamento familiar, capacitação dos profissionais e acesso ao tratamento.
🏛️ O texto ainda será analisado pelas comissões da Assembleia antes de seguir para votação em plenário.
Saúde preventiva como estratégia para salvar vidas
Caso avance, a proposta poderá fortalecer a prevenção das doenças cardiovasculares no Espírito Santo, ampliando o acesso ao diagnóstico de uma condição que frequentemente permanece silenciosa durante anos. O objetivo é oferecer tratamento adequado antes do surgimento de complicações graves, reduzindo mortes prematuras e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

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