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Terça-feira, 11 de Agosto 2026
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Rio reforça combate à hanseníase com kits para diagnóstico precoce

Secretaria de Estado de Saúde adquiriu 276 estesiômetros para municípios prioritários; equipamento ajuda a identificar alterações de sensibilidade antes do surgimento de sequelas permanentes

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Rio reforça combate à hanseníase com kits para diagnóstico precoce
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RIO DE JANEIRO (RJ) — A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) ampliou a distribuição de equipamentos destinados à identificação precoce de comprometimentos neurológicos provocados pela hanseníase. A nova etapa prevê a entrega de 276 estesiômetros a municípios prioritários que registraram casos da doença.

A iniciativa foi reforçada na quarta-feira (5), Dia Estadual de Combate à Hanseníase, e combina a entrega dos equipamentos com a capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde.

O estesiômetro é utilizado para avaliar a sensibilidade da pele, especialmente nas mãos, nos pés e no rosto. A perda ou alteração da sensibilidade pode indicar comprometimento dos nervos periféricos provocado pela hanseníase. A identificação dessas alterações durante o acompanhamento permite antecipar intervenções e reduzir o risco de incapacidades físicas.

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Nos últimos dois anos, duas etapas anteriores da estratégia já haviam distribuído 450 kits. Com a nova aquisição, outros 276 equipamentos serão destinados aos municípios selecionados, vinculados às capacitações realizadas pela Gerência de Hanseníase da SES-RJ.

Equipamento ajuda a prevenir sequelas

A avaliação neurológica é uma das etapas importantes do acompanhamento de pessoas diagnosticadas com hanseníase. O exame com estesiômetro é recomendado desde a primeira avaliação e pode ser repetido ao longo do tratamento para acompanhar possíveis alterações na sensibilidade.

“O estesiômetro é um equipamento simples, mas que faz diferença na qualidade da avaliação neurológica. Ao entregar o kit junto com a capacitação, garantimos que o profissional tenha condições de aplicar corretamente o exame e identificar precocemente alterações que podem levar a incapacidades permanentes”, afirma André Luiz da Silva, gerente da Gerência de Hanseníase da SES-RJ.

A estratégia começou em 2018, após a Secretaria, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Sasakawa, identificar dificuldades de equipes de saúde para realizar avaliações neurológicas devido à falta do equipamento.

A partir daí, a entrega dos estesiômetros passou a ser associada aos treinamentos, permitindo que os profissionais incorporassem o exame à rotina dos serviços. Posteriormente, a iniciativa passou a integrar as ações permanentes da Secretaria, com investimento estadual.

A SES-RJ também acompanha a utilização dos equipamentos pelos municípios por meio das avaliações registradas nos sistemas de informação em saúde.

Capacitação chega às diferentes regiões

A distribuição integra as metas do Plano Estadual de Saúde voltadas à redução das incapacidades físicas relacionadas à hanseníase.

Entre 2021 e 2023, profissionais de todas as regiões fluminenses participaram de treinamentos e oficinas práticas. Houve ainda capacitações específicas para fisioterapeutas, ampliando a participação de diferentes áreas no acompanhamento dos pacientes.

Segundo Daisy Bastos, especialista em avaliação neurológica da Gerência de Hanseníase da SES-RJ, a detecção das alterações antes do agravamento é determinante para preservar a qualidade de vida.

“Quando identificamos precocemente a perda de sensibilidade, conseguimos iniciar intervenções antes que surjam deformidades permanentes. É um equipamento de baixa densidade tecnológica, mas de grande impacto na qualidade de vida das pessoas”, afirma.

De acordo com a Secretaria, a experiência desenvolvida no Rio de Janeiro ganhou reconhecimento nacional, e o Ministério da Saúde pretende ampliar a estratégia para outros estados, incorporando a distribuição dos equipamentos às ações da Atenção Primária.

Pacientes são acompanhados durante tratamento

O uso do estesiômetro também integra avaliações de pacientes atendidos no Ambulatório Souza Araújo, da Fiocruz.

A operadora de caixa Lucimeri Maria Vicente Duque, 55, moradora de Belford Roxo, desenvolveu ectrópio na pálpebra inferior do olho esquerdo, condição que dificultava o fechamento completo do olho. Ela precisou passar por cirurgia reparadora no Hospital do Olho, em Duque de Caxias.

Lucas Augusto Santos, 24, também foi submetido à avaliação com o equipamento. Em tratamento desde outubro de 2025, o operador de logística procurou atendimento após perceber inchaço na mão e dificuldade para fechá-la. Ele ainda relata dormência, mas não sente mais dor.

Durante as consultas, a avaliação da função neurológica permite acompanhar alterações de sensibilidade e outros sinais associados ao comprometimento dos nervos.

Hanseníase tem cura

A hanseníase é uma doença infecciosa que pode atingir a pele e os nervos periféricos. Entre os sinais de alerta estão manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência, formigamento e redução da força nas mãos e nos pés.

A doença tem cura, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico precoce e o início adequado do tratamento são fundamentais para interromper a transmissão e diminuir o risco de incapacidades permanentes.

O que você precisa saber

Nova aquisição: 276 estesiômetros
Distribuição: municípios prioritários do Rio de Janeiro com registro de casos
Finalidade: avaliar alterações de sensibilidade e auxiliar na identificação precoce de comprometimentos neurológicos
Estratégia: entrega dos equipamentos acompanhada de capacitação das equipes de saúde
Tratamento da hanseníase: gratuito pelo SUS
Principais sinais de alerta: manchas com alteração de sensibilidade, dormência, formigamento e perda de força nas mãos ou nos pés.

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