ESPÍRITO SANTO — A safra de café conilon de 2026 terminou, mas uma dúvida permanece no campo: afinal, quanto o Espírito Santo produziu neste ano? Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta estabilidade em relação a 2025, a Secretaria de Estado da Agricultura estima uma redução de até 25% na produção.
A diferença entre as projeções chama a atenção em um dos principais setores da economia rural capixaba, especialmente porque a colheita já foi concluída.
Segundo o levantamento de setembro do IBGE, a produção estadual de conilon deve alcançar 14,5 milhões de sacas em 2026, volume praticamente igual ao registrado no ano anterior.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, entretanto, apresenta uma avaliação diferente. Para ele, a produção efetiva será menor, com queda estimada entre 20% e 25% na comparação anual.
A divergência está relacionada, principalmente, às diferenças de produtividade entre lavouras novas e antigas, além dos efeitos do manejo e da renovação dos cafezais.
IBGE aumenta previsão e aponta estabilidade na produção
Na atualização de setembro, o IBGE elevou em 2,7% sua estimativa para a safra capixaba de conilon em relação ao levantamento de agosto.
A revisão foi atribuída ao aumento da área produtiva e à melhora da produtividade considerada nas estimativas.
Com isso, o instituto passou a projetar 14,5 milhões de sacas, indicando um desempenho praticamente estável em relação a 2025.
A avaliação, no entanto, contrasta com a percepção apresentada pela Secretaria de Estado da Agricultura sobre os resultados observados nas propriedades rurais.
Governo estima queda de 20% a 25% no conilon
Para o secretário Enio Bergoli, a redução da produção de conilon em 2026 é considerada certa, embora ainda exista dificuldade para determinar seu tamanho exato.
“Com certeza teremos uma safra de café conilon menor em 2026 em relação a 2025, sendo que a safra já foi totalmente colhida. Isso é um consenso. O que ainda não podemos afirmar com exatidão é o montante exato dessa queda”, afirmou.
Segundo Bergoli, as diferenças entre as condições das lavouras dificultam a consolidação de uma estimativa única.
O secretário considera que, no conjunto da produção estadual, a queda deverá ficar entre 20% e 25%.
Essa avaliação representa uma diferença significativa em relação ao cenário de estabilidade apresentado pelo IBGE.
É importante destacar que as duas estimativas não representam resultados definitivos consolidados. O levantamento do instituto é uma projeção estatística, enquanto o percentual apresentado pelo secretário corresponde à avaliação do governo estadual sobre a redução da safra.
Lavouras antigas podem registrar perdas de até 40%
Um dos fatores apontados para explicar a redução da produção é a idade dos cafezais.
De acordo com o secretário de Agricultura, lavouras mais antigas podem apresentar quedas de produtividade significativamente maiores do que aquelas observadas em plantações novas.
“Sabe-se que a queda nas lavouras mais velhas pode atingir de 30% a 40%, ao passo que nas mais novas é menor ou quase nula, mesmo considerando a entrada de lavouras no primeiro ciclo de produção”, explicou Bergoli.
A diferença está associada às características produtivas das plantações, à renovação dos cafezais e às práticas de manejo adotadas pelos produtores.
O uso de novas tecnologias e o planejamento das podas também influenciam o desempenho das propriedades.
Na avaliação do secretário, essas diferenças ajudam a explicar por que algumas lavouras apresentam perdas expressivas enquanto outras conseguem manter níveis de produção próximos aos do ano anterior.
Café arábica apresenta crescimento de 15,4% no Espírito Santo
Enquanto o conilon apresenta divergências nas estimativas, o café arábica tem perspectiva de crescimento no Estado.
Segundo o IBGE, a produção capixaba de arábica deverá alcançar 228,9 mil toneladas em 2026, o equivalente a aproximadamente 3,8 milhões de sacas.
O volume representa um aumento de 15,4% em relação a 2025.
O resultado indica uma trajetória diferente daquela estimada pelo governo estadual para o conilon.
Embora sejam produzidos no mesmo Estado, os dois tipos de café possuem características de cultivo distintas, e seus resultados não necessariamente acompanham a mesma tendência de uma safra para outra.
Produção de grãos também deve cair no ES
O levantamento do IBGE apresenta outro dado de atenção para a agricultura capixaba.
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá alcançar 63,3 mil toneladas em 2026, uma redução de 10,1% em comparação com o ano anterior.
Entre agosto e setembro, o instituto também revisou para baixo a estimativa estadual, com redução de 342 toneladas.
O cenário do Espírito Santo contrasta com a projeção nacional.
Para o Brasil, o IBGE prevê crescimento de 2,4% na produção desses produtos, com uma safra estimada em 354,5 milhões de toneladas, volume recorde.
A diferença mostra que o desempenho agrícola nacional não é necessariamente acompanhado por todos os estados.
O que a divergência significa para os produtores?
A diferença entre os números do IBGE e da Secretaria de Agricultura evidencia a importância de acompanhar as estimativas e os resultados efetivos das lavouras.
Para os produtores, o volume colhido é uma informação essencial para avaliar o desempenho da propriedade e planejar os próximos ciclos produtivos.
A idade das plantas, a renovação das lavouras e as técnicas de manejo estão entre os fatores destacados pelo governo estadual para explicar as diferenças de produtividade.
No caso do conilon, a definição mais precisa do tamanho da safra de 2026 dependerá da consolidação dos dados de produção.
Até lá, permanecem dois cenários distintos: estabilidade, segundo o IBGE, e redução de 20% a 25%, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura.
O que você precisa saber
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Qual é a previsão do IBGE para o conilon? Produção de 14,5 milhões de sacas em 2026, praticamente estável em relação a 2025.
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O que estima o governo estadual? Queda entre 20% e 25% na safra de conilon.
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Quem apresentou a estimativa de redução? O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
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A colheita do conilon já terminou? Sim, segundo o secretário.
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Por que as projeções são diferentes? O governo destaca diferenças de produtividade entre lavouras novas e antigas, além dos efeitos das tecnologias e do manejo.
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Quanto podem perder as lavouras antigas? Entre 30% e 40%, segundo a avaliação apresentada pelo secretário.
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O IBGE revisou sua estimativa? Sim. Em setembro, elevou a previsão do conilon em 2,7% em relação a agosto.
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E o café arábica? O IBGE prevê crescimento de 15,4%, com produção de aproximadamente 3,8 milhões de sacas.
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Como fica a produção de grãos no ES? Estimativa de 63,3 mil toneladas, queda de 10,1%.
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Qual é a previsão nacional de grãos? Produção recorde de 354,5 milhões de toneladas, crescimento de 2,4%.
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Os números são definitivos? Não. As informações apresentadas correspondem a projeções e avaliações que ainda precisam ser consolidadas.

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