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UPL e Embrapa Trigo avançam em programa para certificar trigo de baixo carbono no Brasil

Acordo de cooperação técnica prevê quatro anos de pesquisa e desenvolvimento para criar protocolo inédito de certificação, com selo destinado a reconhecer produtores que adotam práticas sustentáveis

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
UPL e Embrapa Trigo avançam em programa para certificar trigo de baixo carbono no Brasil
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A produção brasileira de trigo terá um protocolo próprio para identificar e certificar sistemas com menores emissões de gases de efeito estufa. A UPL Brasil firmou acordo de cooperação técnica com a Embrapa Trigo para participar do programa Trigo Baixo Carbono (TBC), iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltada à criação do primeiro padrão brasileiro de certificação de baixo carbono para a cultura.

A UPL está entre quatro empresas selecionadas pela Embrapa Trigo para integrar o projeto. Pelo acordo, a companhia participará da governança da iniciativa, contribuirá com conhecimento técnico e recursos financeiros, indicará áreas piloto e compartilhará experiências relacionadas à sustentabilidade e a processos de certificação.

O programa terá duração prevista de quatro anos e será desenvolvido em duas etapas. A primeira será destinada à implantação, pesquisa e elaboração do protocolo. Na segunda, o modelo deverá chegar ao mercado por meio de certificadoras habilitadas pela Embrapa.

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A adesão dos produtores será voluntária. A verificação ficará a cargo de organizações privadas e independentes e, ao final do processo, propriedades que atenderem aos critérios estabelecidos poderão receber o selo “Trigo Baixo Carbono”.

Certificação busca agregar valor à produção

A proposta é criar parâmetros técnicos capazes de reconhecer sistemas produtivos que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, oferecer uma diferenciação comercial ao trigo produzido dentro dos critérios do programa.

Para Cristiano Figueiredo, CEO da UPL Brasil, a iniciativa aproxima empresas, produtores e pesquisa científica na busca por modelos de produção adaptados às novas exigências ambientais e de mercado.

“Participar do programa Trigo Baixo Carbono é mais um passo nessa direção, contribuindo para a criação de um protocolo que fortaleça a produção sustentável do grão no país, valorize as boas práticas adotadas no campo e consolide um modelo de produção cada vez mais eficiente, competitivo e alinhado à realidade climática e às demandas da sociedade”, afirma.

A empresa levará ao projeto experiências adquiridas em programas de certificação internacional de cadeias como uva, laranja e batata, além do Pacto Agro Sustentável (PAS), desenvolvido em parceria com as cooperativas Comigo, Copasul, Coplacana, Holambra e Integrada.

Segundo a UPL, o PAS apoiou produtores na elaboração de mais de mil inventários de carbono e relatórios simplificados de sustentabilidade.

Ciência, sustentabilidade e mercado

A diretora de assuntos regulatórios, políticas, governança, assuntos institucionais e stewardship da UPL Brasil, Liria Hosoe, afirma que a experiência acumulada pela companhia em iniciativas ambientais poderá contribuir para a construção do novo protocolo.

“Colocar esse conhecimento a serviço da sociedade, por meio dessa iniciativa da Embrapa Trigo, reforça nosso compromisso de contribuir para a construção de soluções que deixem um legado para reimaginar a agricultura nacional e reconheçam, de forma técnica e transparente, as boas práticas que já são e que serão adotadas no campo”, diz.

Para Robison Serafim, Chief Marketing Officer (CMO) da UPL, a certificação também pode representar uma ferramenta de competitividade para os produtores.

“Ao apoiar iniciativas como o programa Trigo Baixo Carbono, contribuímos para que os produtores tenham acesso a ferramentas que fortalecem seu desempenho ambiental e, ao mesmo tempo, ampliam sua competitividade”, afirma.

Trigo avança para novas regiões do Brasil

O desenvolvimento do protocolo ocorre em um período de transformação da triticultura brasileira. Historicamente concentrada na Região Sul, a cultura vem avançando para áreas do Cerrado, com expansão em estados do Sudeste e do Centro-Oeste.

Dados do IBGE apresentados pela UPL mostram que o trigo ocupou cerca de 2,9 milhões de hectares e alcançou produção de 7,5 milhões de toneladas em 2024. O volume representa crescimento de 20% em relação a 2014 e de 163% na comparação com 1974.

A expansão territorial abre novas possibilidades produtivas, mas também aumenta a importância de pesquisas capazes de adaptar a cultura às diferentes condições brasileiras e mensurar os impactos ambientais dos sistemas adotados.

Nesse cenário, a certificação de baixo carbono busca combinar desempenho produtivo, redução de emissões e valorização comercial.

Parceria já existe na soja

A cooperação entre a UPL e a Embrapa em projetos de baixo carbono não começa com o trigo. Desde 2022, a companhia participa do programa Soja Baixo Carbono, coordenado pela Embrapa Soja.

O projeto trabalha com critérios técnicos para mensuração, reporte e verificação das emissões de gases de efeito estufa na produção da oleaginosa. A experiência acumulada nessa iniciativa deverá contribuir para o desenvolvimento do protocolo destinado à triticultura.

Com o Trigo Baixo Carbono, a proposta agora é levar essa abordagem a outra cadeia estratégica do agronegócio brasileiro e estabelecer parâmetros nacionais que permitam reconhecer, por meio de certificação independente, produtores que adotem práticas capazes de reduzir a pegada de carbono da produção.

O que você precisa saber

  • Projeto: Programa Trigo Baixo Carbono (TBC).

  • Coordenação: Embrapa Trigo.

  • Duração prevista: quatro anos.

  • Objetivo: desenvolver um protocolo brasileiro para certificação da produção de trigo com menores emissões de gases de efeito estufa.

  • Certificação: será voluntária e realizada por organizações privadas e independentes habilitadas pela Embrapa.

  • Reconhecimento: produtores que cumprirem os critérios poderão receber o selo “Trigo Baixo Carbono”.

  • Participação da UPL: apoio financeiro e técnico, participação na governança, indicação de áreas piloto e compartilhamento de experiências em sustentabilidade e certificação.

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