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Arte indígena ocupa museu de Vitória com 23 artistas e 31 obras

Exposição Reencontro será inaugurada na terça-feira (3), no MAES, com ritual de abertura e apresentações culturais Tupinikim e Guarani; visitação segue até janeiro de 2027.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Arte indígena ocupa museu de Vitória com 23 artistas e 31 obras
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VITÓRIA (ES) — A produção artística dos povos Tupinikim e Guarani do Espírito Santo estará em destaque no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES), no Centro de Vitória, a partir da próxima terça-feira (3). A exposição “Reencontro” reúne 31 obras produzidas com a participação de 23 artistas indígenas de Aracruz e poderá ser visitada até 11 de janeiro de 2027.

A abertura será às 17h, com um ritual tradicional e apresentações do grupo Guerreiros Tupinikim e do Coral Guarani Tapé Retxakã.

Com curadoria de Marcelo Guarani (Wera Djekupe) e Jocelino Tupinikim, a mostra apresenta trabalhos em artes plásticas, audiovisual e sonoridades ancestrais. As obras abordam a memória, a relação com o território, os conhecimentos tradicionais e as experiências contemporâneas dos povos indígenas capixabas.

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Obras Sônia Guarani
Obras Sônia Guarani

Artistas indígenas contam suas histórias

Um dos aspectos centrais da exposição é a participação dos próprios indígenas na escolha das obras e na construção da narrativa apresentada ao público.

Para o curador Jocelino Tupinikim, ocupar um dos principais espaços culturais do Espírito Santo representa um avanço no reconhecimento da produção artística dos povos originários.

“Nós, povos originários, raramente ocupamos espaços em museus e galerias sendo protagonistas. É uma demarcação do nosso território. Tem importância de dar uma maior visibilidade para nossa cultura e aproximar toda sociedade de uma cultura milenar que continua viva”, afirma.

Marcelo Guarani também destaca a importância de ampliar o conhecimento da população sobre a história e as manifestações culturais indígenas.

“O público precisa conhecer mais a cultura dos povos que já estavam aqui muito antes da colonização. Vão poder conhecer mais da história e do significado da arte para os povos indígenas”, diz.

Obras aproximam gerações e tradições

A exposição reúne artistas de diferentes idades, incluindo jovens e pessoas com mais de 80 anos que preservam conhecimentos transmitidos entre gerações.

Entre os participantes estão Ará Guarani, Bárbara Tupinikim, Cláudia Guarani, Claudiomiro Vaz, Daniela Matos, Deusdéia Tupinikim, Fran Guarani, Francisco Guarani, Josias Guarani, Lua Tupinikim, Margarida Tupinikim, Maynõ Guarani, Mestre Mizinho, Michel Fernandes, Nobert Conceição, Reinalda Tupinikim, Rogério Tupinikim, Senhor Pedro Tupinikim, Selenilda Tupinikim, Sônia Guarani e Tiago Mateus, além dos dois curadores.

Todos vivem em territórios indígenas de Aracruz, município que concentra comunidades Tupinikim e Guarani no litoral norte capixaba.

Segundo Jocelino, a exposição também busca reconhecer como artistas pessoas que mantêm práticas culturais desenvolvidas há gerações.

“Eles produzem arte contemporânea a partir de tecnologias ancestrais, que são desenvolvidas no território há milênios. A exposição traz diversas linguagens, com uma grande variedade de artistas e obras”, explica.

Programação terá oficinas e encontros

Além da visitação regular, o público poderá participar de atividades educativas ao longo do período da exposição.

Estão previstas visitas mediadas, encontros com professores, conversas com artistas e oficinas dedicadas ao cinema indígena, à produção de artefatos e cestaria e à música tradicional.

A programação pretende aproximar estudantes, educadores e visitantes das diferentes formas de expressão artística dos povos originários.

Para Marcelo Guarani, conhecer essas manifestações também contribui para combater preconceitos.

“Essa exposição busca aproximar as pessoas da cultura indígena de seu país, para que aprendam a respeitar e valorizar. Assim as pessoas param de ser preconceituosas contra o que não conhecem”, afirma.

As datas das atividades educativas serão divulgadas pelo perfil da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) no Instagram.

Projeto tem recursos de incentivo à cultura

A exposição é realizada pelo Núcleo de Projetos da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG).

O projeto foi selecionado pelo Edital 09/2024 – Artes Visuais, da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura.

O que você precisa saber

Exposição: Reencontro – Arte Indígena Contemporânea

Abertura: terça-feira (3 de novembro), às 17h

Local: Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES)

Endereço: Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória (ES)

Período: de 3 de novembro de 2026 a 11 de janeiro de 2027

Visitação: terça a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h

Atrações da abertura: Guerreiros Tupinikim e Coral Guarani Tapé Retxakã

Informações e programação educativa: Instagram da AITG

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