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Terça-feira, 04 de Agosto 2026
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Cafés capixabas deixam de ser commodity e impulsionam uma nova economia no Espírito Santo

Avanço da tecnologia, da industrialização e da agregação de valor transforma a cafeicultura em uma cadeia produtiva mais sofisticada e fortalece o protagonismo do Estado no mercado nacional

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Cafés capixabas deixam de ser commodity e impulsionam uma nova economia no Espírito Santo
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Durante mais de um século, o café foi o principal motor da economia do Espírito Santo. Responsável por moldar o desenvolvimento do Estado, influenciar a ocupação do território e sustentar milhares de famílias, a cultura cafeeira passou por profundas transformações ao longo das últimas décadas. Hoje, a produção capixaba vive uma nova fase, marcada pela tecnologia, inovação e industrialização, tornando-se um dos exemplos mais expressivos de evolução do agronegócio brasileiro.

A avaliação é do economista Orlando Caliman, que destaca que o Espírito Santo deixou de depender exclusivamente da produção primária para construir uma cadeia produtiva mais diversificada, capaz de agregar valor e ampliar sua competitividade dentro e fora do país.

De uma economia baseada em um único produto para uma cadeia mais sofisticada

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Entre o século XIX e a década de 1960, o café representava a principal atividade econômica do Espírito Santo. Naquele período, a cultura respondia por cerca de 80% da produção agropecuária estadual, enquanto o setor agrícola representava mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba.

Apesar da importância econômica, o café produzido no Estado enfrentava dificuldades. A produção era frequentemente associada à baixa qualidade e sofreu impactos severos durante momentos históricos, como a crise econômica da década de 1930 e a política nacional de erradicação dos cafezais nos anos 1960, que reduziu drasticamente as áreas cultivadas no Espírito Santo.

Segundo especialistas, essas dificuldades impulsionaram um longo processo de reinvenção da cafeicultura capixaba.

Tecnologia transformou o conilon em referência mundial

Uma das maiores mudanças ocorreu com o desenvolvimento do café conilon.

Embora a variedade seja cultivada em diversos países, foi no Espírito Santo que pesquisas, melhoramento genético, propagação clonal e novas técnicas de manejo transformaram o conilon em um dos produtos mais competitivos do mundo.

A evolução contou com a atuação de instituições de pesquisa, especialmente o Incaper, que adaptou técnicas inicialmente utilizadas na clonagem de eucalipto para produzir mudas clonais de café, elevando significativamente a produtividade e a qualidade das lavouras.

Hoje, o Estado registra alguns dos maiores índices de produtividade mundial da cultura, alcançando médias próximas de 55 sacas por hectare.

Industrialização amplia geração de valor

O fortalecimento da cafeicultura não acontece apenas nas propriedades rurais.

Nos últimos anos, grandes investimentos passaram a impulsionar a industrialização do café no Espírito Santo, especialmente em municípios como Linhares, que concentra novos empreendimentos voltados à produção de café solúvel, descafeinado, beneficiamento e processamento.

Empresas nacionais e internacionais instalaram unidades industriais no Estado, ampliando a capacidade de processamento e reduzindo a dependência da venda de café apenas como matéria-prima.

Esse movimento fortalece toda a cadeia produtiva, gera empregos, atrai investimentos e aumenta o valor agregado do produto capixaba.

Um novo momento para a economia capixaba

Para Orlando Caliman, a principal transformação está na complexidade econômica que o setor passou a apresentar.

O Espírito Santo deixou de produzir apenas café para desenvolver diferentes segmentos ligados à cultura cafeeira, reunindo pesquisa, inovação, indústria, logística, exportação e tecnologia.

Essa integração amplia a competitividade do Estado e reduz a dependência da comercialização de commodities, aproximando a cafeicultura de um modelo mais moderno, diversificado e sustentável.

O que você precisa saber

Tema: Evolução da cafeicultura capixaba.

Principal mudança: Expansão da industrialização e agregação de valor ao café.

Destaques:

Desenvolvimento tecnológico do café conilon;
Melhoramento genético e clonagem de mudas;
Crescimento da produtividade;
Novas indústrias de processamento e beneficiamento;
Fortalecimento da cadeia produtiva.

Produtividade do conilon: Cerca de 55 sacas por hectare.

Investimentos recentes: Expansão de indústrias de café em municípios como Linhares, impulsionando processamento, exportação e geração de empregos.

FONTE/CRÉDITOS: Divulgação

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