SÃO PAULO (SP) — Dois anos após a instalação de cercas para impedir o acesso de capivaras às pistas da Marginal Pinheiros, em São Paulo, o número de ocorrências envolvendo os animais caiu de forma acentuada. Segundo dados divulgados pelos responsáveis pela iniciativa, foram registradas 15 mortes de capivaras por atropelamento em 2023, contra apenas um caso envolvendo animais em 2026.
As barreiras foram instaladas em agosto de 2024 em aproximadamente dois quilômetros da via expressa. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Projeto Capa (Centro de Apoio e Proteção Animal) e a Belgo Arames.
O objetivo é evitar que as capivaras que vivem nas margens do Rio Pinheiros cheguem às pistas, reduzindo o risco de atropelamentos e de acidentes com motoristas.
Capivaras encontraram abrigo às margens do rio
As áreas próximas ao Rio Pinheiros oferecem condições para alimentação, descanso e deslocamento das capivaras. A proximidade com algumas das vias mais movimentadas da capital paulista, porém, cria situações de risco quando os animais deixam as margens e chegam ao tráfego.
“As capivaras têm hábitos predominantemente associados a ambientes próximos da água e encontraram nas margens do Rio Pinheiros condições favoráveis para viver, descansar e se alimentar”, afirma Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames.
Segundo ele, o compartilhamento desse espaço com áreas de intensa circulação de veículos exige medidas para reduzir o acesso dos animais às pistas.
A presidente do Projeto Capa, Mariana Ferri Aidar, afirma que o cercamento tem dupla função: proteger a fauna e reduzir o risco para quem circula pela Marginal.
“Preservar a vida e o bem-estar dos animais é extremamente importante. Só que esse trabalho vai muito além disso porque não são apenas os animais que estamos protegendo. Também protegemos quem passa pela Marginal”, diz.
Uma capivara adulta pode atingir dezenas de quilos, o que aumenta o potencial de gravidade de uma colisão, especialmente em vias de maior velocidade.
Barreira busca impedir acesso às pistas
O cercamento instalado na Marginal funciona como uma barreira física entre a área ocupada pelas capivaras e a pista expressa. A estrutura utilizada é do modelo Belgo Strada, produzido pela empresa parceira do projeto.
De acordo com Nolasco, estruturas desse tipo também podem ser empregadas em propriedades rurais para delimitar áreas e dificultar que animais alcancem locais de risco.
Para o Projeto Capa, os resultados observados desde a instalação indicam que a barreira tem contribuído para diminuir as ocorrências no trecho protegido.
“A instalação das cercas tem efetivamente protegido os animais e as pessoas”, afirma Mariana.
A experiência na Marginal Pinheiros mostra como intervenções físicas relativamente localizadas podem ser utilizadas para administrar pontos de conflito entre fauna silvestre e infraestrutura urbana, especialmente em regiões onde habitats de animais estão próximos a corredores de tráfego intenso.
O que você precisa saber
Local: Marginal Pinheiros, em São Paulo
Medida: instalação de cercas para impedir o acesso de capivaras às pistas
Extensão: aproximadamente 2 quilômetros
Instalação: agosto de 2024
Mortes por atropelamento em 2023: 15 capivaras
Ocorrências informadas em 2026: um caso envolvendo animais
Iniciativa: Projeto Capa, em parceria com a Belgo Arames
Objetivo: reduzir atropelamentos e aumentar a segurança dos animais e dos usuários da via.

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