O impacto da guerra no Oriente Médio já não está apenas nos noticiários internacionais — ele chegou diretamente ao campo capixaba. O aumento no preço dos fertilizantes, provocado pela instabilidade global, começa a pressionar os custos de produção no Espírito Santo, especialmente nas lavouras de café conilon.
O cenário é resultado direto das tensões envolvendo o Irã e seus efeitos logísticos e comerciais, que atravessam rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz — por onde circula uma parcela significativa dos insumos agrícolas utilizados no mundo.
Dependência externa expõe vulnerabilidade
O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, o que torna o país altamente sensível a crises internacionais. O Oriente Médio, responsável por cerca de 40% das exportações globais de ureia, é uma das principais fontes desses insumos.
Com a instabilidade na região, o impacto é imediato: menos produto disponível e preços em alta. Nos primeiros meses de 2026, a importação de ureia caiu mais de 30%, enquanto os preços internacionais subiram cerca de 47%.
Conilon sente primeiro: custo pressiona produtor
No Espírito Santo, onde o café conilon domina a produção agrícola, o efeito é direto e preocupante. O insumo representa cerca de 33% do custo operacional das lavouras, sendo o segundo maior gasto do produtor.
Municípios como Cachoeiro de Itapemirim, Jaguaré e Rio Bananal estão entre os mais impactados, especialmente nos sistemas de produção manual e semimecanizado.
A equação se agrava com outro fator: o diesel também ficou mais caro, elevando os custos da colheita. O resultado é uma combinação crítica — insumos mais caros, produção pressionada e preços do café em queda em relação aos picos recentes.
Risco vai além do preço: ameaça de escassez
O problema não é apenas o custo. Há risco real de falta de fertilizantes no mercado. Estimativas apontam um possível déficit entre 1 e 3 milhões de toneladas de insumos fosfatados em 2026.
Se o fluxo no Estreito de Ormuz não for normalizado, o Brasil pode enfrentar redução no volume disponível, comprometendo a produtividade das próximas safras.
Efeito em cadeia chega ao consumidor
Cerca de 40% do custo da produção agrícola depende de fertilizantes. Quando esse custo sobe, o impacto percorre toda a cadeia — do produtor ao consumidor final.
No entanto, esse repasse não é imediato. O produtor absorve o prejuízo primeiro, muitas vezes sem garantia de compensação no preço de venda.
📌 O que você precisa saber
Guerra no Irã impacta diretamente o preço dos fertilizantes
Brasil importa mais de 85% dos insumos agrícolas
Preço da ureia subiu cerca de 47% em 2026
Fertilizantes representam até 33% do custo do conilon
Há risco de escassez e queda na produtividade
Produtor absorve aumento antes do consumidor

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