A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) tem apresentado resultados expressivos no Brasil. O maior estudo já realizado na América Latina sobre a eficácia do imunizante revelou uma redução de quase 50% na prevalência dos principais tipos de HPV cobertos pela vacina, reforçando a importância da imunização na prevenção de doenças e de diferentes tipos de câncer.
A pesquisa Pop-Brasil, desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, também identificou um importante efeito de proteção coletiva, beneficiando inclusive pessoas que não receberam a vacina.
Infecções caíram quase pela metade
Os pesquisadores compararam dados coletados em dois períodos distintos.
Entre 2016 e 2017, cerca de 14,98% dos participantes apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV contemplados pela vacina.
Já entre 2020 e 2023, esse índice caiu para 7,95%, representando uma redução de aproximadamente 47% na circulação dos principais subtipos do vírus.
O estudo avaliou mais de 16 mil pessoas em unidades de saúde de diferentes regiões do país.
Vacina mostrou alta eficácia
Entre as mulheres vacinadas, os resultados foram ainda mais expressivos.
Na primeira etapa da pesquisa, quando apenas pessoas não vacinadas participaram, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina era de 15,6%.
Na segunda fase, entre as participantes imunizadas, esse percentual caiu para apenas 3,1%, evidenciando a elevada eficácia da vacinação na prevenção da infecção pelos principais tipos oncogênicos do vírus.
Proteção alcança quem não foi vacinado
Outro resultado considerado importante pelos pesquisadores foi a identificação do chamado efeito de proteção coletiva, conhecido como imunidade de grupo.
Mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas, houve redução na circulação dos quatro tipos de HPV protegidos pelo imunizante, resultado atribuído à menor transmissão do vírus entre a população vacinada.
Entre os homens vacinados também foi observada queda significativa na prevalência da infecção, passando de 13,8% para 4,6%.
Entretanto, entre os homens não vacinados, a pesquisa não encontrou redução estatisticamente significativa, cenário associado à menor cobertura vacinal desse público.
Uma dose mostrou resultados positivos
A pesquisa também trouxe evidências favoráveis ao atual esquema adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os pesquisadores não identificaram diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses da vacina, reforçando a eficácia do esquema de dose única atualmente utilizado pelo programa nacional de imunização.
A vacinação contra o HPV no SUS começou em 2014, inicialmente destinada às meninas. Em 2017, passou a incluir também os meninos, e, desde 2024, o esquema básico foi reduzido para apenas uma dose.
Vacina previne diferentes tipos de câncer
O HPV é a principal causa do câncer do colo do útero, mas também está relacionado ao desenvolvimento de tumores no ânus, pênis, garganta e outras regiões do corpo.
Embora existam diversos subtipos do vírus, a vacina disponível na rede pública protege contra os quatro principais tipos associados ao desenvolvimento de câncer.
Atualmente, o público-alvo da vacinação inclui crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos específicos considerados mais vulneráveis.
📌 O que você precisa saber
• Estudo aponta redução de quase 50% nas infecções pelos principais tipos de HPV após a vacinação no Brasil.
• A pesquisa Pop-Brasil é considerada a maior da América Latina sobre a eficácia da vacina contra o HPV.
• Entre mulheres vacinadas, a prevalência dos tipos protegidos caiu de 15,6% para 3,1%.
• O estudo identificou efeito de proteção coletiva, beneficiando inclusive parte das pessoas não vacinadas.
• Os pesquisadores também encontraram evidências de que uma dose da vacina oferece proteção semelhante aos esquemas com duas ou três doses.
• O HPV está associado ao câncer do colo do útero e também pode provocar tumores no pênis, ânus e garganta.

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