BELO HORIZONTE (MG) — Dez espetáculos produzidos por grupos de seis estados brasileiros vão se encontrar em Belo Horizonte entre 27 de outubro e 1º de novembro. É a 23ª edição do FETO – Festival Estudantil de Teatro, que retoma o encontro presencial depois de duas edições atravessadas pelas experiências on-line e híbridas.
Com o tema “Gostoso é estar em bando!”, o festival reúne trabalhos do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Bahia, Goiás e Minas Gerais. Além das apresentações, a programação terá oficinas, rodas de conversa e atividades de formação. Markdown colado
A seleção dá uma dimensão do alcance do evento. Neste ano, o FETO recebeu 115 propostas de 14 estados, das quais saiu o conjunto de trabalhos que será apresentado ao público em Belo Horizonte. Markdown colado
Os espetáculos ocupam quatro espaços da capital mineira: Galpão Cine Horto, Teatro Marília, Funarte MG e Sesc Palladium. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5, enquanto oficinas e rodas de conversa têm participação gratuita. As sessões contam com acessibilidade em Libras. Markdown colado
Festival começa com grupo do Ceará
A abertura será no dia 27, às 19h, no Galpão Cine Horto, com “Há uma festa sem começo que não termina com o fim”, do Pavilhão da Magnólia, de Fortaleza.
Com 21 anos de trajetória, o grupo cearense leva ao festival uma montagem que mistura elementos do teatro documental e da palestra-performance. Quatro atores estão em cena: Eliel Carvalho, Jota Júnior Santos, Nelson Albuquerque e Silvianne Lima.
A peça tem direção e dramaturgia de Francis Wilker, codireção e dramaturgismo de Thereza Rocha e interlocução dramatúrgica de Ricardo Cabaça. A montagem aborda ancestralidade, gênero, racismo, produção artística e democracia. Markdown colado
A sessão de abertura terá duração de 110 minutos, classificação indicativa de 12 anos e intérprete de Libras. Markdown colado
De Dias Gomes às redes sociais
A programação revela como temas conhecidos do teatro brasileiro convivem com questões presentes no cotidiano dos estudantes.
Em “O Pagador de Promessas”, de Minas Gerais, o clássico de Dias Gomes é retomado para discutir fé, intolerância religiosa e relações sociais. Já “Cabaré Cibernético”, do Rio de Janeiro, parte da relação entre redes sociais, vida real e ambiente virtual. Markdown colado
O paulista “Ganga” recorre ao teatro documentário, à narrativa épica e à dramaturgia autoral para tratar de mineração, colonialidade, memória e racismo estrutural, com uma pesquisa que passa por Mariana e Brumadinho. Markdown colado
Também de São Paulo, “Grão” aborda memória, território, juventude rural e luta pela terra a partir das experiências de jovens de um assentamento.
A Bahia estará representada por “Só + Duas Histórias Latino-americanas e Fim”, que atualiza textos de Augusto Boal para discutir censura, desigualdade e relações de poder por meio do humor, da música e da ironia. Markdown colado
Ancestralidade e adolescência também entram em cena
Em “SANKOFA – Um Menino Brasileiro”, do Rio de Janeiro, música, dança e teatro se encontram em uma história sobre ancestralidade, identidade e resiliência. A montagem incorpora referências a manifestações populares brasileiras, como Bumba Meu Boi, Maculelê, Capoeira, Lavadeiras e Congada.
Já “O que cabe no caderno? AdoleSER”, de Goiás, transforma em dança questões relacionadas ao crescimento. Cobranças por desempenho, conflitos familiares, medo de não corresponder às expectativas e sensação de não pertencimento aparecem na construção do espetáculo. Markdown colado
A programação inclui ainda “Receita”, de Minas Gerais, que aborda violência de gênero e violência doméstica a partir de um recorte de classe. A dramaturgia também incorpora questões relacionadas ao transporte público metropolitano e ao acesso à capital mineira. Markdown colado
Como programação associada, “O Pequeno Príncipe Negro”, inspirado na obra de Rodrigo França, será apresentado pelos alunos do Núcleo de Formação em Teatro do Sesc Cenário. A montagem trabalha identidade, ancestralidade e afetividade da cultura negra. Markdown colado
Mais que apresentações
O FETO não tem caráter competitivo nem distribui premiações. Desde sua criação, em 1999, a proposta está concentrada na formação, no intercâmbio entre estudantes e na discussão sobre os processos de criação teatral. Markdown colado
Essa característica aparece nos chamados Olhares, encontros em que os trabalhos apresentados são discutidos com integrantes da comissão artística. Algumas conversas são abertas ao público, enquanto aquelas relacionadas aos grupos do ensino básico são reservadas aos participantes. Markdown colado
Duas oficinas completam a programação formativa. “Gestão Colaborativa nas Artes da Cena”, ministrada pela gestora cultural Lena Cunha, é direcionada a estudantes e profissionais. Já “Interpretação para Cinema e TV para crianças e adolescentes” será conduzida pelo diretor de teatro e cinema Byron O’Neill, um dos idealizadores do festival. Markdown colado
O tradicional CaFETO também retorna como espaço de convivência entre participantes, artistas, comissão, produção e público. Com o tema “Criar em bando”, o encontro discutirá experiências de criação coletiva. Markdown colado
Reencontro depois das telas
O retorno presencial ganha peso especial nesta edição. Depois de quatro anos marcados pelo hiato e por formatos on-line e híbridos, a organização volta a colocar o encontro físico entre estudantes e público no centro do festival. Markdown colado
Criado em 1999, o FETO chega à 23ª edição reunindo produções desenvolvidas em escolas, universidades e cursos livres e técnicos de diferentes regiões do país. Markdown colado
Mais de duas décadas depois da primeira edição, a proposta continua baseada em algo essencialmente presencial: estudantes assistindo ao trabalho de outros estudantes, discutindo processos e descobrindo diferentes maneiras de fazer teatro.
O que você precisa saber
Evento: 23º FETO – Festival Estudantil de Teatro
Quando: 27 de outubro a 1º de novembro de 2026
Onde: Belo Horizonte (MG)
Espaços: Galpão Cine Horto, Teatro Marília, Funarte MG e Sesc Palladium
Programação: dez espetáculos, duas oficinas, rodas de conversa e CaFETO
Estados representados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Bahia e Goiás
Ingressos para os espetáculos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Oficinas e rodas de conversa: gratuitas
Acessibilidade: sessões com interpretação em Libras
Informações: site oficial do FETO

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