A superfície de açudes, lagos e represas pode ganhar uma nova função: produzir eletricidade. A Fortlev Solar lançou o Aquafort, um sistema modular flutuante que permite instalar painéis fotovoltaicos diretamente sobre reservatórios de água. Desenvolvida e fabricada no Brasil, a tecnologia busca atender empreendimentos que precisam gerar energia, mas não querem comprometer áreas terrestres utilizadas em outras atividades.
A solução foi projetada para aplicações em propriedades rurais, instalações de saneamento e empreendimentos industriais, incluindo operações de mineração. Em vez de fixar os painéis no solo ou em telhados, o sistema utiliza estruturas de polietileno que flutuam na água e sustentam os módulos responsáveis pela geração de eletricidade.
Além de aproveitar uma superfície já disponível, a cobertura parcial do reservatório pode contribuir para reduzir a evaporação da água. A economia efetiva, porém, depende das características do local e da área coberta pelos painéis.
Como funciona uma usina solar flutuante?
O Aquafort é formado por diferentes tipos de flutuadores de polietileno, que podem ser combinados conforme o tamanho e as condições de cada projeto.
Essas peças sustentam os módulos fotovoltaicos e permitem a montagem de passarelas para circulação das equipes responsáveis pela inspeção, limpeza e manutenção.
A geração de energia segue o mesmo princípio das instalações solares convencionais: os painéis captam a radiação solar e a convertem em eletricidade. A diferença está na estrutura de sustentação, que precisa permanecer estável sobre a água.
Por isso, a instalação exige estudos específicos sobre profundidade do reservatório, variação do nível da água, ventos, ondas e condições de ancoragem.
“A escolha da estrutura precisa partir das características do empreendimento. A melhor solução é aquela tecnicamente adequada às particularidades do local”, afirma Emerson Prudente, gerente industrial de soluções plásticas da Fortlev Solar.
Agronegócio pode aproveitar reservatórios de irrigação
Uma das aplicações previstas pela fabricante está no agronegócio, especialmente em propriedades que já possuem açudes ou reservatórios utilizados para irrigação.
Nesses locais, a instalação de painéis solares sobre a água pode permitir a geração de eletricidade sem retirar espaço de lavouras, pastagens ou outras atividades produtivas.
A proposta também interessa a empreendimentos que utilizam bombas elétricas para movimentar água. A energia gerada pelos painéis pode contribuir para atender parte dessa demanda, dependendo da potência instalada e do consumo da propriedade.
Segundo dados do projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), citados pela Fortlev Solar, a eletricidade chegou a representar até 35% dos custos operacionais em atividades agropecuárias analisadas em 2025.
Esse percentual não corresponde necessariamente à realidade de todas as propriedades rurais, mas ajuda a explicar o interesse por alternativas de geração própria de energia.
Tecnologia também mira mineração e saneamento
Além das propriedades agrícolas, o Aquafort foi desenvolvido para atender projetos em outros setores que possuem grandes superfícies de água disponíveis.
Na mineração, a proposta é avaliar o aproveitamento de reservatórios existentes, incluindo determinadas estruturas associadas às operações minerais. Nesses casos, a viabilidade depende de estudos ambientais, estruturais e de segurança específicos.
No saneamento, os sistemas podem ser instalados em reservatórios adequados para gerar eletricidade destinada às operações de tratamento, distribuição e bombeamento de água.
A principal vantagem apresentada pela fabricante é aproveitar espaços já existentes, reduzindo a necessidade de destinar novos terrenos à implantação de usinas solares.
Isso não significa, entretanto, que qualquer lago ou represa possa receber os equipamentos. A instalação depende de condições técnicas e das autorizações aplicáveis a cada empreendimento.
Sistema passou por testes de resistência e estabilidade
O desenvolvimento do Aquafort envolveu etapas de engenharia, construção de protótipos e ensaios para avaliar o comportamento dos componentes.
Segundo a Fortlev Solar, foram realizados testes de resistência à radiação ultravioleta, impacto, tração, flutuação, estabilidade, fadiga e ancoragem.
O objetivo foi avaliar o desempenho das estruturas diante de condições ambientais e esforços mecânicos previstos durante a operação.
A experiência do Grupo Fortlev na fabricação de produtos de polietileno também foi utilizada no desenvolvimento dos flutuadores.
Apesar dos testes informados, a empresa não divulgou no material de lançamento dados comparativos sobre vida útil, custo por quilowatt instalado ou desempenho energético em relação às usinas convencionais em solo.
O que avaliar antes de instalar os painéis sobre a água?
Para Emerson Prudente, o planejamento de uma usina flutuante deve considerar não apenas a instalação dos equipamentos, mas também as condições de operação durante toda a vida útil do empreendimento.
“O desempenho de uma solução flutuante depende tanto da concepção da estrutura quanto da forma como ela será instalada, ancorada, operada e mantida. Essas etapas precisam fazer parte do planejamento do empreendimento desde o início”, explica.
Entre os principais fatores analisados estão a área disponível, a profundidade do reservatório, a movimentação da água, a incidência de ventos, os pontos de ancoragem e o acesso das equipes de manutenção.
Também é necessário avaliar a logística de transporte, montagem e instalação dos componentes, além dos custos e prazos do projeto.
A Fortlev Solar informa que oferece suporte técnico aos integradores para definir a configuração mais adequada a cada empreendimento. A disponibilidade comercial do Aquafort deve ser consultada diretamente com a empresa.
Empresa aposta em soluções próprias para energia solar
Fundada em 2019, a Fortlev Solar integra o Grupo Fortlev, conhecido pela fabricação de reservatórios de água, tubos e conexões em PVC.
A empresa atua no fornecimento de kits fotovoltaicos e equipamentos para integradores de sistemas solares em diferentes regiões do Brasil.
Com o lançamento do Aquafort, amplia sua atuação para projetos de geração fotovoltaica flutuante, segmento que exige soluções específicas de engenharia e manutenção.
O lançamento também representa uma alternativa para empreendimentos que buscam combinar geração de energia e aproveitamento de áreas aquáticas, desde que as condições técnicas e ambientais permitam a implantação.
O que você precisa saber
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Produto: Aquafort, da Fortlev Solar.
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O que é: sistema modular flutuante para sustentação de painéis fotovoltaicos.
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Origem: desenvolvido e fabricado no Brasil.
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Material: flutuadores de polietileno.
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Onde pode ser instalado: açudes, lagos e represas tecnicamente adequados.
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Setores atendidos: agronegócio, mineração, saneamento e outros empreendimentos com reservatórios.
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Principal vantagem: geração de energia solar sem ocupar áreas terrestres que podem ser destinadas a outras atividades.
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Benefício adicional possível: redução da evaporação da água nas áreas cobertas.
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Instalação: depende de projeto técnico, avaliação das condições ambientais e sistema de ancoragem.
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Preço e capacidade de geração: não informados pela fabricante.
Fonte: Fortlev Solar. Fotos: Divulgação/Fortlev Solar.

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