Caminhões que transportam cargas sem motorista e ônibus que circulam de forma autônoma dentro de complexos industriais já fazem parte da realidade de empresas brasileiras. Por trás de parte dessa tecnologia está uma startup do Espírito Santo que nasceu de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Fundada em 2019, a Lume Robotics desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de conduzir veículos, identificar obstáculos e tomar decisões durante o percurso. Atualmente, a empresa possui seis clientes ativos e dez veículos em operação, incluindo caminhões utilizados no transporte de mercadorias e um ônibus que circula no complexo da ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo.
Entre as empresas atendidas estão Suzano, ArcelorMittal, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz. A tecnologia é direcionada principalmente a ambientes privados e controlados, como fábricas, portos e instalações industriais, onde os veículos realizam trajetos definidos para transportar cargas ou passageiros.
Como funcionam os caminhões que dirigem sozinhos?
O sistema da Lume Robotics utiliza inteligência artificial para interpretar informações do ambiente e controlar a movimentação dos veículos.
Durante o trajeto, a tecnologia identifica obstáculos, reconhece elementos estáticos e em movimento e executa decisões necessárias à condução.
A proposta é automatizar deslocamentos repetitivos, comuns em instalações industriais, nos quais caminhões percorrem trajetos entre áreas de produção, armazenamento e distribuição.
Um dos projetos funciona em uma unidade da Suzano, onde quatro caminhões autônomos transportam produtos da linha de produção até o centro de distribuição.
Já no Espírito Santo, um ônibus equipado com a tecnologia realiza transporte de passageiros dentro do complexo industrial da ArcelorMittal Tubarão.
A operação em áreas privadas é uma característica importante desses projetos. Ela permite desenvolver soluções para ambientes com condições específicas de circulação, diferentes das encontradas nas ruas e rodovias abertas ao trânsito.
Tecnologia nasceu de dez anos de pesquisas na Ufes
Antes de se tornar uma empresa, a Lume Robotics era resultado de aproximadamente uma década de pesquisas acadêmicas sobre veículos autônomos.
O trabalho foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Ufes, que identificou a possibilidade de transformar os estudos em uma solução comercial.
A startup surgiu em 2019, quando a tecnologia já havia alcançado um estágio de desenvolvimento que permitia avançar para aplicações empresariais.
“Era uma tecnologia que desenvolvíamos no contexto da universidade e, percebendo que ela estava em um nível de maturidade, decidimos criar a empresa para evoluir isso para um produto. No Centelha executamos um dos primeiros projetos e o programa ajudou a viabilizar esse desenvolvimento”, afirma Rânik Guidolini, CEO e fundador da Lume Robotics.
A empresa participou da segunda edição do Programa Centelha, iniciativa de incentivo à criação de negócios inovadores.
Os recursos recebidos contribuíram para a contratação de profissionais por meio de bolsas e para a compra de equipamentos necessários ao desenvolvimento da tecnologia.
Empresa estima redução de 25% nos custos operacionais
Além de automatizar o transporte interno, a Lume Robotics aponta a possibilidade de reduzir despesas das empresas que utilizam seus sistemas.
Segundo estimativas da startup, a tecnologia pode proporcionar uma economia de aproximadamente 25% nos custos operacionais, considerando fatores como consumo de combustível e manutenção dos veículos.
O percentual é uma projeção da empresa, não um resultado comprovado para todas as operações. A economia efetiva depende das características de cada instalação, da utilização dos veículos e das condições de operação.
Para indústrias que precisam movimentar materiais continuamente, a automação pode representar uma alternativa para reorganizar processos logísticos e melhorar a utilização de equipamentos.
A tecnologia também exige planejamento operacional, infraestrutura adequada e procedimentos de segurança compatíveis com a circulação de veículos autônomos.
Sistema já foi testado em aeronave da Embraer
Embora a principal atuação comercial da Lume Robotics esteja concentrada em caminhões e ônibus, a empresa também realizou testes com outros tipos de veículos.
Um dos projetos envolveu a instalação do sistema em uma aeronave da Embraer, utilizada para demonstrar a capacidade da tecnologia de conduzir o equipamento dentro de um aeroporto.
O experimento não significa que a startup desenvolveu um avião capaz de realizar voos autônomos. A aplicação apresentada foi voltada à movimentação da aeronave em ambiente aeroportuário.
A experiência demonstrou a possibilidade de adaptar a tecnologia a diferentes plataformas de transporte, embora a prioridade comercial continue sendo a automação de veículos terrestres.
Startup capta quase R$ 5 milhões e mira mercado internacional
10
Veículos autônomos em operação
6
Clientes ativos
R$ 5 mi
Valor aproximado captado em investimentos privados
150%
Crescimento médio anual informado pela startup
Indicadores divulgados pela Lume Robotics. O valor captado é ligeiramente inferior a R$ 5 milhões.
Desde sua criação, a Lume Robotics registra crescimento médio anual de aproximadamente 150%, segundo seu fundador.
A expansão foi acompanhada pela entrada de investidores privados. Até agora, a startup captou quase R$ 5 milhões junto a fundos de investimento, recursos destinados ao desenvolvimento da tecnologia e à ampliação das operações.
O próximo passo é buscar clientes fora do Brasil. A empresa mantém negociações com potenciais parceiros no Uruguai, Chile e México e pretende iniciar operações comerciais internacionais até 2027.
No mesmo período, a meta é dobrar o número de clientes e de veículos autônomos em operação. Caso alcance esse objetivo, a empresa passará dos atuais seis clientes para aproximadamente 12 e de dez veículos para 20.
As metas ainda dependem da conclusão das negociações e da implantação de novos projetos.
Programa Centelha ajudou a levar pesquisa ao mercado
Para Rânik Guidolini, o apoio recebido durante os primeiros anos foi importante porque empresas de tecnologia avançada precisam investir em pesquisa, equipamentos e profissionais antes de alcançar escala comercial.
“O programa é um viabilizador para que a ideia possa se transformar em realidade. Esse tipo de recurso ajuda a criar uma estrutura mínima para começar a operar. Para empresas de deep tech, que têm um custo muito alto de desenvolvimento, iniciativas como essa são fundamentais”, afirma.
O Programa Centelha oferece subvenção econômica, bolsas, capacitação e suporte para transformar ideias inovadoras em negócios.
Atualmente em sua terceira edição, a iniciativa tem abrangência nacional, com participação dos 26 estados e do Distrito Federal.
O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.
O que você precisa saber
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Empresa: Lume Robotics, startup criada no Espírito Santo em 2019.
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Origem: aproximadamente dez anos de pesquisas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
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Tecnologia: inteligência artificial para condução autônoma de veículos.
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Aplicações: caminhões de transporte de cargas e ônibus em ambientes industriais privados.
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Clientes citados: Suzano, ArcelorMittal, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz.
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Operação atual: dez veículos autônomos e seis clientes ativos.
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Investimentos captados: quase R$ 5 milhões.
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Economia estimada: até aproximadamente 25% nos custos operacionais, segundo projeções da empresa.
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Próximos mercados: Uruguai, Chile e México, com expectativa de expansão internacional até 2027.
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Apoio inicial: Programa Centelha, voltado ao desenvolvimento de negócios inovadores.
Fonte: Lume Robotics e Programa Centelha.

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