Uma importante vitória para a conservação ambiental do Espírito Santo acaba de ser alcançada. O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) concluiu a primeira etapa de um trabalho inédito de combate ao coral-sol (Tubastraea spp.), espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha, removendo mais de 6 mil colônias em áreas naturais do litoral capixaba.
Entre os dias 26 de março e 15 de junho, foram realizadas 21 expedições submarinas nas ilhas localizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba, além das ilhas Rasas e Escalvada, em Guarapari. Ao todo, foram retiradas 6.045 colônias, totalizando 130,7 quilos de coral-sol removidos.
A ação representa a primeira iniciativa desse tipo realizada pelo Iema diretamente em ambientes naturais e já apresenta resultados considerados altamente positivos pelos especialistas.
Espécie invasora ameaça a biodiversidade marinha
O coral-sol é uma espécie exótica invasora que compete diretamente com corais e organismos marinhos nativos por espaço e alimento.
Sua rápida expansão compromete o equilíbrio ecológico dos recifes, reduzindo a diversidade biológica e colocando em risco habitats fundamentais para inúmeras espécies marinhas.
Por esse motivo, as equipes do Iema priorizaram inicialmente as ilhas da APA de Setiba, consideradas áreas estratégicas para a conservação da vida marinha no Espírito Santo.
Natureza já mostra sinais de recuperação
Além da remoção das colônias invasoras, técnicos realizaram monitoramentos contínuos nas áreas manejadas.
Os levantamentos revelaram um resultado bastante animador: todas as áreas onde o coral-sol foi retirado já apresentam recolonização por espécies marinhas nativas, indicando que os ecossistemas começam a recuperar seu equilíbrio natural.
Outro dado considerado extremamente positivo foi a ausência de regeneração do coral-sol nos locais tratados.
Segundo o Iema, não foram encontrados novos focos originados por fragmentos remanescentes aderidos às rochas, demonstrando a eficiência da metodologia desenvolvida pelo instituto e do trabalho executado pelas equipes de mergulho.
Próximo desafio será controlar infestação em recife artificial
De acordo com a servidora do Iema, Sandra Ribeiro, os resultados fortalecem a estratégia estadual de conservação marinha.
"Os resultados alcançados são extremamente animadores para a conservação marinha no Espírito Santo. Além da remoção de mais de seis mil colônias de coral-sol, verificamos que todas as áreas manejadas já estão sendo recolonizadas por espécies nativas, demonstrando a capacidade de recuperação desses ambientes quando a pressão da espécie invasora é reduzida."
Agora, segundo a especialista, o próximo desafio será atuar no recife artificial Victory 8B, que apresenta alta infestação da espécie invasora e pode continuar liberando larvas capazes de recolonizar outras áreas do litoral.
O controle nesse ambiente será decisivo para manter os avanços já conquistados.
Monitoramento continuará de forma permanente
Mesmo com o sucesso da primeira etapa, o trabalho não será encerrado.
O Iema informou que continuará realizando monitoramentos periódicos nas ilhas para identificar rapidamente possíveis novas colônias e impedir que o coral-sol volte a se estabelecer.
A estratégia busca garantir a preservação da biodiversidade marinha capixaba e fortalecer a proteção dos ecossistemas costeiros do Espírito Santo.
O que você precisa saber
🌊 O Iema removeu 6.045 colônias de coral-sol em áreas naturais de Guarapari.
🐠 A operação retirou aproximadamente 130,7 quilos da espécie invasora.
🌿 As áreas já apresentam recolonização por espécies marinhas nativas.
✅ Nenhum foco de regeneração do coral-sol foi identificado após a remoção.
📍 O próximo passo será combater a infestação no recife artificial Victory 8B.
Vitória para a conservação marinha capixaba
A iniciativa coloca o Espírito Santo entre os estados que investem em estratégias efetivas de controle de espécies invasoras e demonstra que ações técnicas, planejamento e monitoramento contínuo podem restaurar ecossistemas costeiros importantes. O trabalho do Iema representa um avanço significativo na proteção da biodiversidade marinha e reforça o compromisso do Estado com a conservação ambiental.

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