Uma pesquisa nacional realizada pelo think tank More in Common, em parceria com a Quaest, revelou que o Brasil não está dividido apenas entre esquerda e direita, como se costuma imaginar. O estudo, que ouviu 10 mil brasileiros de todas as regiões do país, identificou seis grupos políticos distintos, com diferentes níveis de engajamento e visões sobre a sociedade.
Segundo o levantamento, os dois polos mais radicalizados — os chamados Progressistas Militantes, à esquerda, e os Patriotas Indignados, à direita — representam juntos apenas 11% da população brasileira. Ainda assim, esses grupos, apesar de pequenos, exercem influência desproporcional sobre o debate público.
“Quando os extremos dominam a conversa, criam a falsa impressão de que todos precisam escolher um lado nessa guerra, afastando a maioria silenciosa, que não se reconhece nesse confronto”, resume o relatório.
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A maioria silenciosa
A chamada “maioria invisível”, composta pelos grupos Cautelosos (27%) e Desengajados (27%), soma 54% da população. São brasileiros que não se identificam com os extremos, têm preocupações práticas e cotidianas e evitam confrontos ideológicos.
Além deles, o estudo também identificou dois grupos de posições mais moderadas: a Esquerda Tradicional (14%) e os Conservadores Tradicionais (21%), que participam menos de embates políticos e mantêm opiniões equilibradas.
Efeitos da polarização
De acordo com os pesquisadores, os grupos mais radicais acabam pautando o discurso nacional, amplificados por redes sociais e pela mídia, o que gera uma sensação de divisão maior do que realmente existe. Esse cenário contribui para o afastamento da maioria, reduz a qualidade do debate público e fragiliza a democracia participativa.
“Esse afastamento enfraquece nossa capacidade de construir soluções coletivas e permite que grupos minoritários, mas barulhentos, ditem a agenda política do país”, afirma o relatório.
Diálogo como saída
A pesquisa conclui que a política autêntica só pode florescer em ambientes de diálogo respeitoso, nos quais pessoas com diferentes perspectivas reconhecem a legitimidade umas das outras.
“Não se trata de gritar mais alto que os extremos, mas de elevar o nível do debate, com bom senso e disposição para construir pontes onde outros constroem muros”, destaca o texto.
O que você precisa saber
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A pesquisa ouviu 10 mil brasileiros de todas as regiões.
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Foram identificados seis grupos políticos distintos.
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Os extremos somam apenas 11% da população.
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54% dos brasileiros estão fora da polarização e priorizam questões cotidianas.
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O estudo defende o diálogo e o respeito às diferenças como base para o fortalecimento da democracia.

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