CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM (ES) — Durante a carreira, o médico radio-oncologista Bruno Resende se acostumou a conversar com pacientes e familiares em um dos momentos mais delicados de suas vidas. Desta vez, porém, a pessoa diante dele era sua própria mãe.
Gracinha Resende concluiu o tratamento de radioterapia contra um câncer de mama no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim. O filho, que trabalha justamente no tratamento de pacientes oncológicos, acompanhou de perto o processo.
“Eu sempre disse que trato quem senta à minha frente como se fosse da minha família. Mas Deus coloca a gente à prova o tempo todo. E eu não esperava passar por isso algum dia da minha vida”, conta Bruno.
Do diagnóstico ao fim da radioterapia
Gracinha relata que a descoberta do câncer de mama foi inesperada. O diagnóstico foi feito pelo próprio filho.
“Surpreendentemente, eu descobri que estava com câncer de mama. Meu filho fez o diagnóstico. Enfrentei o tratamento naturalmente e estou aqui, terminando a minha radioterapia. Não vou precisar de quimio. Deus me abençoou”, afirma.
Ao longo do tratamento, uma frase que Bruno costuma usar ao falar de seus pacientes ganhou outro significado para a família.
“A mesma cadeira que ele disse que senta todos e que ele trata todos igualmente, eu fui tratada. E hoje estou encerrando esse tratamento”, diz Gracinha.
Ela conta que procurou enfrentar o período mantendo a rotina possível e destaca o apoio recebido durante as sessões.
“Eu quero passar para todos que eu fui forte. Enfrentei tudo com naturalidade. E meu filho conseguiu me tratar com todo carinho”, afirma.
Quando a relação entre médico e paciente muda
A situação inverteu, em parte, uma relação construída durante décadas. Gracinha acompanhou a formação do filho e o caminho que o levou à Medicina. Agora, pôde observar essa trajetória de outra perspectiva: a de paciente.
Para Bruno, a experiência também colocou a própria prática profissional sob uma dimensão pessoal. A ideia de tratar cada paciente como alguém da família deixou de ser uma comparação quando sua mãe precisou ocupar o lugar de quem recebe o diagnóstico e passa pelo tratamento.
A história dos dois também é marcada pela religiosidade da família. Gracinha conta que, antes do nascimento de Bruno, havia perdido uma criança no dia do parto e não imaginava que teria outro filho.
Quando engravidou novamente, fez uma promessa: caso o bebê nascesse saudável, seria batizado na Capela de Cristo. A promessa, segundo ela, foi cumprida.
Décadas depois, mãe e filho voltaram a atravessar juntos um período em que medicina, família e fé estiveram presentes no cotidiano.
Uma mensagem depois do tratamento
Com o encerramento da radioterapia, Gracinha escolheu falar diretamente a quem também enfrenta um diagnóstico de câncer.
“Eu quero falar para vocês terem fé. Fé em Deus. E quando Deus quer, tudo dá muito certo”, afirma.
Para a família, o fim das sessões encerra uma etapa que começou com um diagnóstico inesperado. Para Bruno, fica também uma experiência que aproxima ainda mais sua vida profissional daquela frase repetida ao longo da carreira: tratar quem chega ao consultório como trataria alguém da própria família.
O que você precisa saber
Paciente: Gracinha Resende
Diagnóstico: câncer de mama
Tratamento relatado: radioterapia
Quimioterapia: segundo Gracinha, não será necessária
Local do tratamento: Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim
Acompanhamento: médico radio-oncologista Bruno Resende, filho da paciente
Momento atual: conclusão das sessões de radioterapia

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