Não há dúvidas de que uma alimentação saudável seja fundamental para proteger o sistema gastrointestinal e que o exercício regular garante a saúde física. No entanto, o cérebro também precisa ser cuidado todos os dias para evitar a sua gradativa deterioração. Para isso, a escolha de um estilo de vida saudável é fundamental.
— O cérebro é um órgão vital que recebe e processa informações do ambiente que nos rodeia através da visão, audição, equilíbrio, olfato, paladar e sensibilidade. Além disso, é responsável por controlar os movimentos, a fala, a inteligência, a memória e as emoções — afirma Alejandro Andersson, neurologista e diretor do Instituto de Neurologia de Buenos Aires.
Estima-se que ele consome 25% do oxigênio que entra no corpo, sendo também um dos órgãos que mais demanda sangue no organismo, junto com o coração, os rins e os pulmões, explica Gabriel Lapman, cardiologista e autor do livro "Más zapatillas, menos pastillas: La mejor receta para una vida saludable" (Mais tênis, menos comprimidos: A melhor receita para uma vida saudável, traduzido do espanhol).
— No entanto, as circunstâncias que temos de enfrentar e o ambiente que nos rodeia condicionam a nossa saúde e nos levam a criar rotinas que, por vezes e sem perceber, nos prejudicam — Lapman ressalta.
De acordo com um relatório do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, esse problema se agrava quando os hábitos nocivos que foram desenvolvidos causam prazer, o que os torna mais difíceis de serem erradicados. O documento sugere que, para combatê-los, é importante compreender como surgiram e como afetam o funcionamento do organismo para, então, deixá-los para trás e criar novas práticas que favorecem a busca pela qualidade de vida.
Hábitos que prejudicam o cérebro
Os especialistas consultados concordam que, se o cérebro não for devidamente cuidado, podem surgir doenças como acidentes vasculares cerebrais e outras condições que debilitam a capacidade cognitiva, a memória e a aprendizagem. Diante dessa constatação, saiba a seguir nove hábitos listados por eles que ameaçam a vitalidade do cérebro:
1) Estar a mil o dia todo
O estresse é um gatilho que, além de reduzir a capacidade mental, gera ansiedade e não permite a conexão com o momento presente, advertem especialistas. Nesse sentido, um relatório da Universidade de Harvard afirma que o estresse crônico afeta diretamente o córtex pré-frontal, área responsável pela memória e pelo aprendizado. Para enfrentar essa questão, é recomendado recorrer a exercícios de respiração, que desenvolvem a calma, a tranquilidade e a habilidade de pensar com clareza.
2) Ser sedentário
A atividade física regular estimula a função cerebral e libera hormônios como dopamina e endorfinas, que geram felicidade. Por outro lado, uma publicação da revista Harvard Health Publishing dá destaque para um estudo que relaciona o sedentarismo com alterações na área da memória. Depois de estudar o lobo temporal medial, onde são produzidas as novas memórias, em pessoas entre 45 e 75 anos, os pesquisadores perceberam que quem ficava sentado por mais tempo tinham mais falhas nessa região em comparação com aqueles se exercitavam regularmente.
3) Fazer jejum intermitente
Para Lapman, embora o jejum intermitente seja uma prática que recentemente se tornou uma tendência, ele acredita que não há evidências suficientes de que essa prática seja eficaz. — É preciso dar energia ao cérebro para começar o dia e isso se consegue com o café da manhã, por meio da ingestão de nutrientes de qualidade — ele alerta.
4) Comer muito açúcar
Alimentos e bebidas com excesso de açúcar geram dependência e estimulam a atividade cerebral, pois proporcionam a sensação de bem-estar, sugere Lapman. — Porém, isso está relacionado a uma armadilha do prazer, porque seu excesso também está ligado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como a diabetes — acrescenta Andersson.
5) Isolar-se da vida social
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Harvard descobriu que a solidão e a depressão estão relacionadas ao risco de Alzheimer e ao declínio cognitivo. Aqueles que não são socialmente ativos tendem a perder massa cinzenta, que é a camada do cérebro que processa as informações, de acordo com o estudo.
6) Descansar mal
Pesquisadores da Clínica Mayo, uma organização nos Estados Unidos sem fins lucrativos que fornece informações médicas e científicas, sugerem que para um sono reparador um adulto deve dormir pelo menos sete horas por dia. Nesse sentido, Lapman destaca a importância de um bom descanso, visto que é um momento em que são eliminadas as substâncias nocivas que se acumulam durante o dia no corpo, fenômeno denominado por ele como "limpeza metabólica".
