Um comprimido indicado por um conhecido, aquela receita antiga guardada em casa ou até a decisão de interromper um tratamento porque os sintomas desapareceram. Hábitos aparentemente simples podem representar riscos importantes à saúde, principalmente entre os idosos.
Para orientar a população da terceira idade, a Unidade Básica de Saúde (UBS) de Jardim Botânico, em Cariacica, promoveu uma palestra educativa sobre os perigos da automedicação.
O encontro reuniu orientações sobre medicamentos, atividade física e saúde mental, mostrando que o cuidado com a saúde precisa ir além do uso de remédios.
Por que a automedicação preocupa ainda mais entre idosos?
A automedicação ocorre quando uma pessoa utiliza medicamentos por conta própria ou segue orientações de pessoas que não estão habilitadas a prescrevê-los.
Entre os idosos, o cuidado precisa ser redobrado, especialmente porque muitos já utilizam medicamentos de uso contínuo, aumentando a possibilidade de reações adversas e problemas relacionados à combinação de diferentes substâncias.
A farmacêutica Stephanie Lima alertou para práticas como utilizar medicamentos indicados por vizinhos ou repetir uma receita antiga sem passar por nova avaliação profissional.
Segundo ela, essas situações podem provocar inclusive intoxicações graves.
Outro comportamento que merece atenção é a interrupção do tratamento assim que os sintomas desaparecem. A orientação apresentada durante a palestra é para que os pacientes não suspendam medicamentos prescritos por conta própria.
Antibiótico não serve para qualquer infecção
Um dos pontos destacados durante o encontro foi o uso inadequado de antibióticos.
A equipe explicou que esses medicamentos são utilizados contra infecções bacterianas e não são eficazes contra infecções virais.
O uso indiscriminado também favorece a resistência bacteriana, fenômeno que pode tornar determinadas bactérias resistentes aos medicamentos e dificultar tratamentos futuros.
Por isso, antibióticos devem ser utilizados conforme avaliação e orientação profissional.
Até o lugar onde o remédio fica guardado importa
Os cuidados não terminam depois que o medicamento chega em casa.
Durante a palestra, os participantes receberam orientações sobre armazenamento e descarte correto. Os remédios devem permanecer em locais adequados, frescos e secos, evitando ambientes sujeitos à umidade ou ao calor, como banheiros e cozinhas.
Medicamentos vencidos e sobras de tratamentos também não devem ser descartados no lixo comum ou no vaso sanitário.
A orientação é procurar pontos apropriados para o descarte, que podem estar disponíveis em farmácias e unidades de saúde.
Exercício e saúde mental também entram na conversa
A palestra teve participação multidisciplinar da farmacêutica Stephanie Lima, da educadora física Lorena Flores Duarte e da psicóloga Rhaysla Denise da Silva.
As profissionais abordaram como atividade física orientada e atenção à saúde mental podem integrar os cuidados com a população idosa.
A proposta foi mostrar que questões como dores e ansiedade precisam ser avaliadas de maneira ampla, evitando que o medicamento seja visto como resposta automática para qualquer desconforto.
Sentiu algo diferente? Procure atendimento
A principal orientação aos participantes foi evitar recorrer imediatamente aos medicamentos disponíveis em casa diante do aparecimento de um novo sintoma.
Dor persistente, novos sintomas ou dúvidas sobre doses e medicamentos devem ser avaliados por profissionais de saúde.
A recomendação é procurar a UBS para receber orientação adequada e evitar que uma tentativa de aliviar um problema acabe trazendo novos riscos à saúde.
O que você precisa saber
💊 Automedicação exige atenção: utilizar medicamentos sem avaliação adequada pode provocar reações adversas, intoxicações e outros problemas.
👵 Idosos precisam de cuidado redobrado: muitos já utilizam medicamentos continuamente, o que torna especialmente importante avaliar possíveis interações.
📝 Receita antiga não deve ser reutilizada por conta própria: mudanças no estado de saúde podem exigir uma nova avaliação.
🦠 Antibióticos não tratam qualquer infecção: eles são utilizados contra bactérias e o uso inadequado contribui para a resistência bacteriana.
🚫 Não interrompa tratamentos por conta própria: o desaparecimento dos sintomas não significa necessariamente que o tratamento deva ser suspenso.
🌡️ Armazenamento importa: medicamentos devem ficar em locais adequados, evitando calor e umidade.
♻️ Nada de lixo comum ou vaso sanitário: medicamentos vencidos e sobras devem ser levados a pontos apropriados de descarte.
🏥 Quando procurar a UBS? Diante de novos sintomas, dores persistentes ou dúvidas sobre medicamentos e dosagens, a orientação é buscar atendimento profissional.

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