CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM (ES) — Tristeza persistente, irritabilidade, desmotivação, pessimismo e preocupações que parecem não dar trégua. Quando essas mudanças começam a se prolongar e interferir na rotina, podem indicar que a saúde mental precisa de atenção.
O alerta é da psicóloga Flávia Moreira Oliveira, do setor de Promoção de Saúde da Unimed Sul Capixaba. Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, ela chama a atenção para a importância de perceber o próprio estado emocional antes que o sofrimento se intensifique.
“Quando a gente sente uma dor no corpo, não demora tanto para buscar uma ajuda. A gente demora mais quando o desconforto é mental e emocional”, afirma.
Segundo a psicóloga, uma das dificuldades é justamente reconhecer como relevantes sinais emocionais que, muitas vezes, acabam incorporados à rotina. Quando persistem, eles podem se intensificar e até apresentar manifestações físicas.
Autocuidado pode começar com pequenas atitudes
Cuidar da mente não exige necessariamente grandes mudanças. Algumas práticas podem ser incorporadas ao cotidiano, como ouvir música, fazer uma atividade física ou artesanal, observar o ambiente ao redor ou reservar alguns minutos para uma atividade prazerosa.
“Inclua em cada dia da sua vida uma prática de leveza, uma ação que te deixe bem. Não precisa ser uma ação grandiosa, não precisa ser um grande feito”, orienta Flávia.
Música e artesanato, por exemplo, também podem servir como formas de expressão.
“Muitas vezes, a gente precisa de uma outra via de expressão para manifestar algumas coisas que estão acontecendo no nosso mundo interno”, explica.
Outras possibilidades estão em situações corriqueiras: fazer uma refeição sem utilizar o celular, dormir mais cedo, observar o céu e as árvores no caminho para o trabalho, escrever qualidades pessoais ou compartilhar uma música com alguém.
Quando procurar ajuda profissional
O autocuidado, entretanto, não substitui acompanhamento especializado quando o sofrimento emocional persiste ou se intensifica.
Nessas situações, reconhecer que algo não está bem e procurar profissionais como psicólogos e psiquiatras pode ser necessário.
“Só de você ter tido já essa consciência de que não está bem, você já deu o primeiro passo. Reconhecer isso não é sinal de fraqueza, não é sinal de fracasso. Muito pelo contrário”, afirma a psicóloga.
Para Flávia, o cuidado também passa por reduzir a cobrança pessoal e desenvolver uma postura mais atenta às próprias necessidades.
“O autocuidado é muito importante. É ele que vai garantir que a gente está mais fortalecido para enfrentar qualquer desafio”, diz.
A orientação é não esperar que o sofrimento alcance níveis mais intensos para prestar atenção à saúde emocional. Perceber mudanças, respeitar limites e buscar apoio quando necessário são medidas que podem fazer parte desse cuidado.
O que você precisa saber
Sinais que merecem atenção: tristeza persistente, irritabilidade, desmotivação, pessimismo e preocupações recorrentes
Autocuidado: atividades prazerosas e pequenas pausas podem ajudar no bem-estar emocional
Atenção: autocuidado não substitui tratamento quando o sofrimento persiste ou se intensifica
Ajuda profissional: psicólogos e psiquiatras podem ser procurados quando as estratégias pessoais não são suficientes
Setembro Amarelo: campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio e valorização da vida

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