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Algas marinhas ganham espaço na agricultura e movimentam mercado de biofertilizantes

Soluções à base de algas representam cerca de 30% do mercado brasileiro de bioestimulantes, segundo dados do setor, e são utilizadas para favorecer o desenvolvimento das raízes e a resposta das plantas às condições climáticas adversas.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Algas marinhas ganham espaço na agricultura e movimentam mercado de biofertilizantes
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O uso de algas marinhas na agricultura brasileira está avançando como alternativa complementar ao manejo tradicional das lavouras. Presentes em formulações de bioestimulantes e biofertilizantes, os extratos dessas espécies são utilizados para favorecer o desenvolvimento das plantas, melhorar o aproveitamento de nutrientes e auxiliar as culturas a enfrentar períodos de calor e falta de água.

Segundo dados apresentados pela Acadian Sea Beyond, o Brasil concentra aproximadamente 50% do mercado latino-americano de bioestimulantes, equivalente a cerca de US$ 600 milhões. Desse mercado brasileiro, aproximadamente 30% correspondem a soluções à base de algas marinhas.

O crescimento é impulsionado pela busca de tecnologias que ajudem os produtores a manter a produtividade diante de condições climáticas cada vez mais desafiadoras.

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Entre as espécies utilizadas, uma das mais conhecidas é a Ascophyllum nodosum, alga originária do Atlântico Norte que apresenta características de adaptação a ambientes sujeitos a grandes variações naturais.

Por que as algas marinhas despertam interesse na agricultura?

A Ascophyllum nodosum é encontrada em regiões costeiras do Atlântico Norte, incluindo o Canadá, onde enfrenta mudanças constantes de maré, temperatura, salinidade e luminosidade.

Essa capacidade de adaptação está entre os fatores que despertaram o interesse científico por seus compostos bioativos.

Na agricultura, extratos obtidos dessa alga são utilizados em formulações destinadas a atuar sobre processos fisiológicos das plantas.

Segundo Bruno Carloto, gerente de Marketing Estratégico da Acadian Sea Beyond para Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, a composição da espécie permite desenvolver soluções para diferentes momentos do ciclo produtivo.

“Ela é rica em compostos bioativos que podem contribuir para diferentes processos fisiológicos das plantas. Por isso, trabalhamos no desenvolvimento de soluções que se integrem ao manejo, acompanhando diferentes momentos do ciclo da cultura”, explica.

Os efeitos dessas formulações, entretanto, dependem de fatores como composição do produto, cultura, dose, momento de aplicação e condições de cultivo.

Desenvolvimento das raízes é um dos principais focos

Uma das aplicações dos produtos à base de algas marinhas está relacionada ao desenvolvimento do sistema radicular.

As raízes são responsáveis pela absorção de água e nutrientes, além de desempenharem papel fundamental na sustentação e no crescimento das plantas.

Quando o sistema radicular encontra condições favoráveis para se desenvolver, a cultura pode aproveitar melhor os recursos disponíveis no solo.

Por isso, os bioestimulantes são estudados como ferramentas complementares ao manejo nutricional e às práticas de conservação do solo.

“O solo é a base de todo o sistema produtivo. Quando favorecemos o desenvolvimento das raízes e a interação da planta com o ambiente, criamos condições mais favoráveis para que a cultura desenvolva seu potencial”, afirma Carloto.

O especialista destaca que a nutrição vegetal precisa ser analisada em conjunto com as condições do ambiente e a capacidade de absorção das plantas.

Tecnologia pode auxiliar lavouras em períodos de estresse

Altas temperaturas, estiagens e variações nas condições do solo estão entre os fatores que podem comprometer o desenvolvimento das culturas agrícolas.

Nessas situações, as plantas podem apresentar alterações em seu metabolismo, com reflexos no crescimento e no potencial produtivo.

Os extratos de algas marinhas têm sido investigados por sua possível contribuição às respostas fisiológicas das plantas diante desses fatores.

A proposta é integrar essas soluções às estratégias de manejo já adotadas nas propriedades, sem substituir práticas essenciais como irrigação adequada, correção do solo, adubação e controle fitossanitário.

“A agricultura moderna precisa olhar para a planta como parte de um sistema. Não basta apenas fornecer nutrientes. É preciso considerar também a capacidade da planta de absorvê-los e utilizá-los, além do desenvolvimento das raízes e das condições do solo”, destaca Carloto.

A utilização dessas tecnologias deve considerar as recomendações agronômicas e as características de cada cultivo.

Mercado brasileiro acompanha expansão dos bioestimulantes

Mercado de bioestimulantes — indicadores do setor

US$ 600 mi

Valor aproximado atribuído ao mercado brasileiro

50%

Participação estimada do Brasil no mercado latino-americano

30%

Participação aproximada de soluções à base de algas no mercado brasileiro

10%+

Crescimento anual projetado para o segmento até 2031

Estimativas de mercado divulgadas pela Acadian Sea Beyond. Os números não foram apresentados acompanhados da metodologia do levantamento.

Segundo Bruno Carloto, a expectativa é de expansão anual superior a 10% para o segmento até 2031.

A projeção reflete o interesse por tecnologias biológicas que possam ser incorporadas aos sistemas de produção agrícola.

O avanço desse mercado também acompanha a busca por maior eficiência no uso de recursos, especialmente água e nutrientes, em um cenário de custos de produção elevados e maior exposição das lavouras a eventos climáticos.

Bioestimulantes não substituem a adubação convencional

Embora os termos biofertilizante e bioestimulante apareçam frequentemente associados, eles não são necessariamente equivalentes.

Os bioestimulantes são utilizados principalmente para favorecer processos fisiológicos das plantas, enquanto fertilizantes têm a função de fornecer nutrientes. O enquadramento de cada produto depende de sua composição, finalidade e registro.

No caso dos extratos de algas marinhas, a utilização deve ser definida conforme as necessidades da cultura e as recomendações técnicas.

A Acadian Sea Beyond, empresa fundada no Canadá em 1981, atua no desenvolvimento de soluções agrícolas à base de Ascophyllum nodosum.

Segundo a companhia, seus produtos estão presentes em mais de 80 países, com pesquisas voltadas à aplicação de compostos extraídos de algas marinhas em diferentes sistemas agrícolas.

O que você precisa saber

O que são produtos agrícolas à base de algas? Formulações que utilizam extratos ou compostos de algas marinhas para aplicações no manejo das plantas.

Qual espécie se destaca? Ascophyllum nodosum, originária do Atlântico Norte.

Quais são as aplicações estudadas? Desenvolvimento radicular, aproveitamento de nutrientes e respostas fisiológicas a condições de estresse.

Qual a participação no mercado? Segundo estimativas divulgadas pela Acadian, soluções à base de algas representam cerca de 30% do mercado brasileiro de bioestimulantes.

Substituem fertilizantes? Não necessariamente. Seu uso é complementar e depende da finalidade e da formulação de cada produto.

O resultado é igual em todas as culturas? Não. Os efeitos variam conforme a espécie cultivada, as condições ambientais, a dose e o manejo.

Fonte: Bruno Carloto, gerente de Marketing Estratégico da Acadian Sea Beyond.

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