Mesmo necessário em pequenas quantidades, o boro desempenha funções importantes no desenvolvimento das plantas e pode influenciar etapas decisivas do ciclo produtivo. O micronutriente participa de processos ligados ao crescimento e à reprodução, o que torna seu manejo um dos pontos de atenção em programas de nutrição vegetal.
A importância desse equilíbrio ganha dimensão diante do atual nível da produção agrícola brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de 360,1 milhões de toneladas de grãos em 2025/2026. Em sistemas de alta produtividade, desequilíbrios nutricionais podem limitar o desempenho das culturas.
“É no solo que começa a construção da produtividade. Para que uma cultura consiga expressar o seu potencial, não basta olhar apenas para os macronutrientes. Os micronutrientes, mesmo utilizados em pequenas concentrações, exercem funções decisivas para o desenvolvimento e o desempenho da planta. O boro é um excelente exemplo”, afirma o engenheiro agrônomo Matheus Simieli, consultor técnico agronômico da BRQ Brasilquímica.
Boro ganha importância na fase reprodutiva
Durante anos, o uso de boro esteve associado principalmente à correção de deficiências identificadas por análises de solo e tecido vegetal ou por sintomas apresentados pelas plantas. O manejo atual considera também a participação do micronutriente em processos fisiológicos ao longo do ciclo produtivo.
Na fase reprodutiva, sua presença ganha relevância. O boro participa da formação das estruturas reprodutivas e da fecundação, contribuindo para o pegamento e a formação de grãos, sementes e frutos.
Entre as culturas que demandam atenção ao fornecimento do nutriente estão soja, milho, algodão, café, feijão, canola e diferentes espécies frutíferas.
A quantidade necessária, entretanto, precisa ser definida com critério.
“Justamente por ser exigido em pequenas quantidades, seu manejo requer elevado critério técnico. A faixa entre deficiência e excesso de boro no solo é estreita quando comparada à maioria dos nutrientes, tornando indispensável o planejamento das doses, época de aplicação e escolha da fonte”, explica Simieli.
Fonte e aplicação precisam ser avaliadas
Ácido bórico, ulexita e octaborato de sódio estão entre as principais matérias-primas utilizadas como fontes de boro. As diferenças de concentração, solubilidade e disponibilidade interferem na forma como cada uma pode ser empregada.
A escolha deve considerar fatores como cultura, sistema produtivo e método de aplicação. Na nutrição foliar, também existem formulações com monoetanolamina (MEA), poliol e combinações entre diferentes fontes.
“A escolha depende da cultura, do sistema de produção e da forma de aplicação”, afirma o agrônomo.
O ponto central é evitar tanto a deficiência quanto o fornecimento excessivo. Por isso, o uso do micronutriente deve integrar o planejamento nutricional da lavoura, com definição técnica de dose, fonte e momento de aplicação.
Tecnologia amplia opções de manejo
A BRQ Brasilquímica desenvolve tecnologias voltadas ao fornecimento de boro em programas de nutrição vegetal e trabalha com diferentes matérias-primas para atender culturas e sistemas produtivos distintos.
Entre as soluções da empresa está o Dual Boro, da linha QualyMix. Segundo a fabricante, o produto combina alta concentração do micronutriente com uma formulação de pH próximo da neutralidade, desenvolvida para facilitar o preparo e ampliar as possibilidades de utilização em diferentes estratégias de manejo.
Para Simieli, o micronutriente exemplifica como decisões específicas de nutrição podem interferir no resultado final da lavoura.
“Na agricultura moderna, produtividade não é resultado de uma única decisão, mas da soma de inúmeros detalhes. O boro representa bem essa lógica: exigido em pequenas quantidades, participa de processos importantes para o desenvolvimento e a reprodução das culturas e pode contribuir para que a planta expresse seu potencial produtivo”, afirma.
O que você precisa saber
O boro é um micronutriente utilizado pelas plantas em pequenas quantidades, mas participa de processos ligados ao crescimento e à reprodução. Soja, milho, café, algodão, feijão, canola e frutíferas estão entre as culturas que necessitam do nutriente. Como a diferença entre deficiência e excesso é estreita, o manejo exige definição criteriosa de doses, fonte e época de aplicação.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se