O espetáculo “Velocidade”, do Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum, de Belo Horizonte, chega pela primeira vez a São João del-Rei, em Minas Gerais, nos dias 21 e 22 de outubro. As apresentações serão realizadas às 20h, no Teatro Municipal, com entrada gratuita.
Vencedora do Prêmio Shell 2026 de Melhor Iluminação e indicada ao Prêmio APCA nas categorias Melhor Espetáculo e Melhor Dramaturgia, a montagem propõe uma reflexão sobre a relação das pessoas com o tempo, a rotina e a velocidade da vida contemporânea.
A apresentação de quarta-feira (21) contará com interpretação em Libras e será seguida de um bate-papo com o público. Na quinta-feira (22), o grupo também promoverá uma oficina gratuita de criação teatral, com 20 vagas.
Os ingressos e as inscrições para a oficina estão disponíveis no site
quatroloscinco.com.
Uma peça sobre a pressa de viver
Quanto tempo dedicamos ao trabalho, à família, às lembranças e aos próprios sonhos? E o que acontece quando a velocidade da rotina parece não deixar espaço para essas experiências?
Essas questões estão no centro de “Velocidade”, espetáculo dirigido por Ítalo Laureano e Ricardo Alves Júnior, com dramaturgia de Marcos Coletta e Assis Benevenuto.
A criação teve como ponto de partida o texto Notas sobre os doentes de velocidade, da escritora mexicana Vivian Abenshushan, que discute a relação da sociedade contemporânea com o tempo.
“Vivian discorre sobre a sociedade contemporânea, que tem estabelecido uma relação patológica com o tempo. Ela diz que a literatura e as artes são máquinas de desacelerar o tempo”, explica Marcos Coletta, ator e dramaturgo do grupo.
Em vez de apresentar uma história com começo, meio e fim convencionais, a peça reúne imagens, memórias, sonhos e situações que se conectam de maneira poética.
A montagem aborda temas como relações familiares, trabalho, capitalismo e morte, convidando o público a observar experiências que frequentemente passam despercebidas na correria cotidiana.
Espetáculo mistura teatro, poesia e elementos visuais
Em cena estão Assis Benevenuto, Ítalo Laureano, Marcos Coletta, Michele Bernardino e Marina Viana.
A estrutura do espetáculo se aproxima da organização de um livro, com capa, prefácio, dedicatória, sete partes e verso da capa.
No centro do cenário, uma mesa funciona como uma página na qual os atores escrevem os títulos das cenas. Ao longo da apresentação, o objeto assume diferentes funções.
A montagem também utiliza cinco bonecos que representam os próprios integrantes do elenco.
Em uma das cenas, chamada Queda Livre, os bonecos participam de uma espécie de programa de entrevistas, dialogando com seus correspondentes humanos.
“É uma cena absurda, veloz, onde os bonecos são mais sagazes do que nós”, comenta Assis Benevenuto.
Segundo o grupo, a proposta é explorar diferentes maneiras de representar a identidade, a memória e a passagem do tempo.
Iluminação conquistou o Prêmio Shell 2026
Um dos destaques de “Velocidade” é o trabalho de iluminação assinado por Marina Arthuzzi, reconhecido com o Prêmio Shell 2026.
A artista mantém uma parceria de longa data com o Quatroloscinco e participou da criação de luz de diferentes espetáculos da companhia.
Nesta montagem, a iluminação utiliza dispositivos não convencionais e, em determinados momentos, é manipulada pelos próprios atores.
O recurso permite que luz e sombra acompanhem diretamente os movimentos e as ações realizadas em cena.
Para o diretor Ítalo Laureano, essa relação contribui para que cada apresentação tenha características próprias.
“As luzes que a Marina cria para o Quatroloscinco são operadas de forma manual: ela sempre joga com a intensidade da ação dramática, fazendo uma luz ao vivo e viva, pois o teatro não se repete”, explica.
Oficina gratuita terá 20 vagas
Além das apresentações, o Grupo Quatroloscinco realizará a oficina “Práticas de um Teatro do Comum”, na quinta-feira (22), das 13h às 17h, no Teatro Municipal.
A atividade é destinada a atores, atrizes, estudantes, artistas em formação e pessoas interessadas em criação cênica, a partir dos 16 anos.
Durante quatro horas, os participantes terão contato com procedimentos de criação, dramaturgia e encenação utilizados pelo grupo.
A proposta é compartilhar experiências acumuladas ao longo de quase duas décadas de pesquisa e produção teatral.
São oferecidas 20 vagas gratuitas, mediante inscrição pelo site oficial da companhia.
Grupo já se apresentou em 21 estados brasileiros
Fundado em 2007, em Belo Horizonte, por estudantes de Teatro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Quatroloscinco desenvolve trabalhos de criação coletiva e dramaturgia autoral.
Ao longo de 19 anos, o grupo criou dez espetáculos e realizou apresentações em 98 cidades de 21 estados brasileiros, além de Cuba, Uruguai e Argentina.
Segundo a companhia, suas produções acumulam 13 prêmios e 26 indicações. O grupo também publicou sete livros com textos de suas montagens.
Após São João del-Rei, a circulação mineira de “Velocidade” deverá passar por Ipatinga, Governador Valadares, Uberaba e Uberlândia, em datas a serem divulgadas.
O projeto tem patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
O que você precisa saber
Espetáculo “Velocidade”
Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum
Apresentações
21 e 22 de outubro
Horário
20h
Ingressos
Gratuitos
Acessibilidade
Libras no dia 21
Local: Teatro Municipal de São João del-Rei, Avenida Hermílio Alves, 170, Centro.
Bate-papo: após a apresentação de 21 de outubro.
Oficina “Práticas de um Teatro do Comum”
Data e horário: 22 de outubro, das 13h às 17h.
Vagas: 20 participantes, a partir dos 16 anos.
Inscrição: gratuita.
Ingressos e inscrições
Acessar site

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se