ALFREDO CHAVES (ES) — Pães, bolos, brigadeiros, pudins, cocadas, geleias, cavacos, biscoitos e cucas têm um ingrediente em comum na propriedade da família Fardin, na comunidade de Redentor, distrito de Urânia, em Alfredo Chaves: o inhame cultivado no próprio sítio.
A produção é comandada por Arguinelia Gratieri Fardin, 62, que há três anos decidiu aproveitar de outra maneira um alimento já presente no cotidiano e na atividade agrícola da família. O resultado foi a criação da Família Fardin, negócio artesanal que transforma o inhame em uma variedade de receitas e hoje atende moradores e turistas.
A iniciativa nasceu dentro da própria família e teve a educação do campo como ponto de partida.
O filho de Arguinelia, Luan, estudante da Escola Família Agrícola de Alfredo Chaves, desenvolveu um Projeto Profissional do Jovem (PPJ) sobre o aumento da produtividade do inhame. A pesquisa levou a produtora a enxergar outras possibilidades para a cultura além da comercialização tradicional.
“Foi aí que despertei o interesse em produzir as delícias de inhame”, conta Arguinelia.
Da lavoura para as receitas
A partir da ideia, Arguinelia começou a testar preparações usando o inhame produzido pela família. Aos poucos, o ingrediente ganhou espaço em receitas doces e salgadas e passou a agregar valor ao que já saía da lavoura.
Hoje, os produtos são preparados artesanalmente e sob encomenda. A família participa de todo o processo, do cultivo da matéria-prima à preparação dos alimentos.
O modelo mostra, em pequena escala, como a agroindústria artesanal pode ampliar as possibilidades econômicas dentro de uma propriedade rural. Em vez de comercializar somente o produto in natura, a família passou a transformá-lo em alimentos com maior valor agregado.
Circuito das Cerejeiras virou vitrine
O crescimento da iniciativa encontrou um aliado no turismo rural. A propriedade está no Circuito das Cerejeiras, roteiro que recebe um fluxo maior de visitantes durante a temporada de floração do Bosque das Cerejeiras, em Redentor.
Quem percorre o circuito encontra produtos da agricultura familiar e diferentes experiências ligadas ao campo. Nesse trajeto, as receitas da Família Fardin passaram a chamar a atenção justamente pelo uso pouco convencional do inhame.
A curiosidade leva muitos visitantes a experimentar os produtos e, posteriormente, fazer encomendas. Dessa forma, a movimentação turística gerada pelas cerejeiras também abre espaço para que pequenos produtores apresentem o que é cultivado e produzido nas propriedades da região.
Inhame movimenta centenas de famílias
A experiência da Família Fardin está diretamente ligada à importância econômica do inhame para Alfredo Chaves.
Reconhecido como Capital Nacional do Inhame, o município produz mais de 50 mil toneladas por ano, segundo informações divulgadas pela Prefeitura. A atividade envolve aproximadamente 650 famílias, o que coloca a cultura entre as principais forças da agricultura local.
Nesse contexto, iniciativas de beneficiamento e transformação do produto ajudam a diversificar as fontes de renda no campo e aproximam agricultura, gastronomia e turismo.
No caso da Família Fardin, uma pesquisa escolar sobre produtividade acabou abrindo caminho para uma experiência de empreendedorismo rural: o inhame continua saindo da terra da propriedade, mas parte dele chega ao consumidor transformada em pães, doces, biscoitos e outras receitas.
O que você precisa saber
Empreendimento: Família Fardin
Responsável: Arguinelia Gratieri Fardin, 62 anos
Local: comunidade de Redentor, distrito de Urânia, Alfredo Chaves
Produção: artesanal e sob encomenda
Produtos: pães, bolos, brigadeiros, pudins, cocadas, geleias, cavacos, biscoitos, cucas e outras receitas à base de inhame
Origem da iniciativa: Projeto Profissional do Jovem desenvolvido por Luan Fardin na Escola Família Agrícola de Alfredo Chaves
Produção de inhame em Alfredo Chaves: mais de 50 mil toneladas por ano, envolvendo cerca de 650 famílias

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