A eficiência da aplicação de defensivos agrícolas depende de fatores que vão além da escolha do produto. Temperatura, umidade do ar, tamanho das gotas e composição da calda podem interferir na quantidade de insumo que efetivamente chega às plantas. Nesse processo, o uso adequado de adjuvantes agrícolas pode contribuir para reduzir perdas e melhorar os resultados do controle de pragas, doenças e plantas daninhas.
Os adjuvantes são produtos adicionados à calda de pulverização para modificar determinadas características da mistura e favorecer sua aplicação. Dependendo da formulação, podem melhorar o espalhamento e a retenção das gotas nas folhas, reduzir a evaporação e minimizar a deriva, fenômeno que ocorre quando parte da pulverização é desviada do alvo.
Segundo o engenheiro agrônomo Rafael Stellato, gerente de produtos da BRANDT Brasil, a eficiência da pulverização exige atenção a diferentes etapas do processo.
“Tamanho das gotas, espalhamento, retenção, evaporação e deriva estão entre os pontos de atenção para que os recursos fitossanitários atuem sobre os alvos – insetos, fungos ou plantas daninhas”, explica.
Temperatura e baixa umidade podem aumentar perdas na aplicação
As condições climáticas estão entre os principais fatores que interferem na qualidade da pulverização agrícola.
Em dias de temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar, as gotas podem perder água mais rapidamente, aumentando o risco de evaporação antes de atingirem o alvo.
A deriva também merece atenção, especialmente quando as condições de vento e as características das gotas favorecem seu deslocamento para fora da área tratada.
De acordo com Stellato, determinados adjuvantes podem ajudar a proteger as gotas durante a aplicação, reduzindo perdas e favorecendo a deposição dos produtos nas plantas.
Entre as formulações utilizadas para essa finalidade estão os aditivos à base de ésteres metílicos de óleo vegetal e de óleo mineral, que podem contribuir para diminuir a evaporação e melhorar o comportamento da pulverização.
O especialista ressalta, entretanto, que a escolha deve considerar as condições ambientais, o equipamento utilizado e as características dos defensivos aplicados.
Composição da calda influencia o resultado dos defensivos
Outro aspecto importante é a compatibilidade entre os produtos utilizados na pulverização.
A calda agrícola é formada pela mistura de água, defensivos e, quando necessário, outros componentes, como os adjuvantes. Alterações em suas propriedades podem interferir na estabilidade da mistura e no desempenho dos ingredientes ativos.
Segundo Stellato, o desenvolvimento de defensivos com formulações mais concentradas e doses menores exige maior precisão durante a aplicação.
“Os defensivos mais modernos utilizam moléculas cada vez mais ativas e formulações mais concentradas, aplicadas em doses menores. Isso exige maior precisão para que o produto chegue ao alvo e seja bem aproveitado”, afirma.
O adjuvante adequado pode auxiliar na formação das gotas, no espalhamento sobre a superfície vegetal, na retenção e na absorção dos ingredientes ativos.
Dependendo da necessidade, também pode atuar no controle da espuma e na estabilidade da mistura.
Escolha incorreta do adjuvante pode comprometer a pulverização
Embora possam melhorar a eficiência da aplicação, os adjuvantes não devem ser adicionados automaticamente à calda.
O engenheiro agrônomo alerta que um dos erros mais comuns é escolher o produto sem identificar previamente qual problema precisa ser corrigido.
Um exemplo é o uso de adjuvantes que reduzem o pH da calda em aplicações com fungicidas que necessitam de condições próximas à neutralidade.
“Além disso, é preciso saber exatamente o que se espera do produto antes de incluí-lo na calda. O erro mais comum é não saber qual a real necessidade da aplicação”, explica Stellato.
Por isso, a definição do adjuvante deve levar em consideração as recomendações técnicas dos defensivos, a compatibilidade das formulações e as condições previstas para a pulverização.
A orientação de um engenheiro agrônomo também é importante para evitar misturas inadequadas e garantir o uso correto dos produtos.
Tecnologia busca melhorar aproveitamento dos insumos agrícolas
A melhoria da qualidade da pulverização ganha relevância diante da dimensão da produção agrícola brasileira.
O material divulgado pela BRANDT cita uma estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 366,6 milhões de toneladas de grãos para a safra, destacando a importância do aproveitamento eficiente dos insumos utilizados nas lavouras.
Para Stellato, reduzir perdas durante a aplicação pode trazer benefícios econômicos e ambientais, desde que as tecnologias sejam utilizadas de maneira adequada.
“A melhoria da qualidade da pulverização de insumos agrícolas proporciona menos perdas, reduz a emissão no ambiente e oferece mais eficiência no controle de pragas e doenças”, afirma.
A empresa desenvolve soluções voltadas à tecnologia de aplicação, incluindo formulações destinadas ao controle de deriva, espalhamento, umectação, estabilidade da calda e deposição dos produtos nas plantas.
Entre os exemplos apresentados pela BRANDT estão o Insider, formulado com éster metílico de óleo vegetal e surfactantes, e o TriTek, que combina óleo mineral de alta pureza e surfactantes não iônicos.
Segundo a fabricante, os produtos possuem características destinadas a melhorar diferentes etapas da pulverização. A escolha e a utilização, contudo, devem respeitar as recomendações técnicas e a compatibilidade com os defensivos empregados.
Aplicação eficiente pode contribuir para a rentabilidade da lavoura
O uso adequado dos insumos é uma preocupação permanente na agricultura, especialmente em culturas que exigem aplicações frequentes para o controle fitossanitário.
A redução das perdas por evaporação e deriva, associada à melhor deposição das gotas, pode contribuir para o aproveitamento dos produtos e para a diminuição de desperdícios.
No entanto, os resultados dependem de um conjunto de fatores, incluindo regulagem do pulverizador, escolha das pontas, volume de aplicação, condições meteorológicas e características do alvo.
Para o gerente da BRANDT Brasil, a eficiência da pulverização também está relacionada à rentabilidade da atividade agrícola.
“Quando os produtos são aplicados de forma adequada e chegam ao alvo nas condições ideais, o agricultor consegue aproveitar melhor as tecnologias utilizadas no campo. E isso também se reflete em rentabilidade superior”, conclui.
O que o produtor deve observar antes da pulverização
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Temperatura e umidade: condições de calor intenso e baixa umidade podem favorecer a evaporação das gotas.
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Deriva: avaliar as condições de vento e as características da pulverização para reduzir o deslocamento do produto para fora do alvo.
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Tamanho das gotas: escolher a configuração de aplicação adequada ao produto, ao equipamento e à cultura.
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Composição da calda: verificar a compatibilidade dos defensivos e adjuvantes, incluindo possíveis alterações de pH.
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Escolha do adjuvante: identificar a necessidade técnica antes de adicionar qualquer produto à mistura.
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Orientação agronômica: seguir as recomendações de bula e de profissionais habilitados para cada situação de aplicação.
A BRANDT atua no desenvolvimento de tecnologias agrícolas desde 1953, com presença em mais de 80 países. No Brasil, oferece produtos voltados à nutrição vegetal, tratamento de sementes, fisiologia das plantas, bioproteção e tecnologia de aplicação.
Mais informações sobre as soluções da empresa estão disponíveis em www.brandtbrasil.com.
Fonte: BRANDT Brasil.

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