A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, na noite desta quarta-feira (12), uma audiência pública em Guarapari para discutir a falta de água tratada e de rede de esgoto na Região da Grande Village do Sol. O encontro, promovido pela Comissão de Meio Ambiente, lotou o auditório da Escola Estadual João Batista Celestino e reuniu moradores de diversos bairros afetados.
O principal motivo da revolta foi a qualidade da água consumida pela população, descrita pelos participantes como “barrenta”, “com gosto de ferrugem” e sem condições de uso diário. Como a Cesan não atende a região e não há concessionária formalizada pelo município, os moradores dependem de uma empresa privada — da qual muitos desconfiam — ou de poços artesianos frequentemente contaminados por fossas improvisadas.
“Estamos pisando em esgoto”, dizem moradores
A ausência de saneamento adequado resultou em um tom de indignação ao longo da audiência, que teve momentos de tensão e saída de alguns participantes.
O empresário Otoniel Firmino da Silva emocionou o plenário ao relatar as dificuldades enfrentadas diariamente.
“Eu filmei esgoto correndo a céu aberto. Falam tanto do lençol freático, mas temos mais de 8 mil fossas contaminando tudo. Não podemos ficar à mercê disso numa cidade que se diz Cidade Saúde.”
O advogado Paulo Cesar Gomes criticou a ausência do prefeito e cobrou fiscalização sobre a empresa Água Limpa.
“Se a empresa não fornece água de qualidade, quem fiscaliza? Cadê a Cesan? Cadê o município? Estamos abandonados.”
A professora Fernanda Braga reforçou que o problema ultrapassa o desconforto:
“Se continuarem nos deixando nas mãos de quem não resolve, vocês estarão avalizando tudo o que está acontecendo aqui.”
Deputados cobram responsabilidade da Cesan e envolvimento do município
O deputado Zé Preto (PL), morador de Guarapari, afirmou que já presenciou a água barrenta na região e apoiou as críticas feitas pelos moradores:
“A comunidade tem toda razão. Precisamos cobrar da Cesan uma solução estruturada e urgente.”
Ao fim de mais de três horas de debate, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Gandini (Cidadania), anunciou medidas imediatas:
solicitação de agenda com a presidência da Cesan;
reunião com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) para rever o zoneamento ambiental;
articulação com prefeito e governador;
apoio jurídico da Ales para Ação Civil Pública, caso necessário.
“Nossa função é garantir que a comunidade tenha acesso ao que é básico. E, se for preciso judicializar, vamos judicializar”, afirmou Gandini.
📌 O que você precisa saber (BOX)
• Onde ocorreu: Escola João Batista Celestino, Village do Sol – Guarapari
• Quem promoveu: Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa
• Problema central: água barrenta, falta de rede de esgoto e ausência de planejamento da Cesan
• Situação atual da comunidade:
— Dependência de empresa privada sem concessão municipal
— Poços artesianos frequentemente contaminados
— Mais de 12 mil moradores afetados
• Principais críticas: falta de fiscalização, ausência do prefeito, risco ambiental e sanitário
• Encaminhamentos da Ales:
— Reunião com Cesan e Iema
— Revisão do zoneamento
— Articulação com prefeitura e governo do ES
— Possibilidade de Ação Civil Pública
• Clima da audiência: tensão, revolta, pedidos urgentes de solução
